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Conflitos por terra e água caem no Brasil, mas violência letal cresce em áreas sob pressão ambiental

Um só Planeta [Unofficial] April 28, 2026
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O número de conflitos no campo brasileiro caiu 28% em 2025, no entanto, a violência letal avançou no mesmo período, com o dobro de assassinatos registrados em relação ao ano anterior. Os números aparecem no relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado no site da instituição. Ao todo, foram contabilizados 1.593 conflitos em 2025, contra 2.207 em 2024. Apesar da redução, o número de mortes saltou de 13 para 26 vítimas, com alta de 100%, sendo 16 assassinatos concentrados na Amazônia Legal. Pará e Rondônia lideram o ranking, com sete mortes cada. Pressão territorial A maior parte dos conflitos continua ligada à disputa por terra, que representa 75% das ocorrências no país, com 1.186 registros. Maranhão (190 casos), Pará (142) e Rondônia (111) aparecem entre os estados com registros mais preocupantes nesse aspecto. Portanto, a disputa por território segue intensa em regiões onde avançam atividades como agropecuária, mineração e exploração de recursos naturais, associadas ao desmatamento e à degradação ambiental. Conflitos pela água Os conflitos relacionados ao uso e acesso à água também diminuíram em 2025, passando de 269 para 148 registros, o menor número em uma década. Ainda assim, o problema permanece disseminado: todos os estados brasileiros, com exceção do Distrito Federal, registraram ao menos um caso. Entre as principais causas estão a poluição de mananciais, contaminação por agrotóxicos e mineração, além da redução ou impedimento de acesso à água. Indígenas, quilombolas, ribeirinhos e pequenos agricultores estão entre os grupos mais afetados. O Pará lidera esse tipo de conflito, com 21 ocorrências, seguido por Bahia (19) e Minas Gerais (18). Saiba mais Trabalho escravo Outro dado que chama atenção no relatório é o aumento dos casos de trabalho escravo rural. Em 2025, foram registrados 159 casos, alta de 5%, com 1.991 trabalhadores resgatados, um crescimento de 23% em relação ao ano anterior. Os registros estão associados a pecuária, mineração, cana-de-açúcar e lavouras, setores ligados ao uso intensivo da terra e, em muitos casos, à expansão sobre áreas naturais. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em Porto Alegre do Norte (MT), onde 586 trabalhadores foram resgatados durante a construção de uma usina. Violência Apesar da redução no número total de ocorrências, o aumento dos assassinatos e a permanência de conflitos em regiões específicas indicam que a violência no campo continua estruturada em disputas territoriais. Em 2025, foram registrados ainda dois massacres nos estados do Pará e de Rondônia. Mobilização Além dos conflitos, o levantamento registrou 502 manifestações de resistência em 2025, envolvendo principalmente povos indígenas e comunidades tradicionais. As mobilizações ocorreram em torno de pautas como o combate ao chamado “PL da Devastação”, o Marco Temporal e os impactos de grandes empreendimentos de infraestrutura e energia. Mais Lidas

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