Podcast Empregos Verdes: Economia verde pode criar milhões de empregos — mas exige nova preparação e dedicação
Um só Planeta [Unofficial]
April 28, 2026
A transição para uma economia de baixo carbono já começou — e ela não está mudando apenas a matriz energética ou os modelos de negócio. Também está transformando o mercado de trabalho. Da expansão das energias renováveis à gestão de carbono nas empresas, novas áreas profissionais surgem enquanto outras ocupações tendem a perder espaço à medida que a descarbonização avança. Esse é o tema do episódio de estreia do podcast Empregos Verdes, que discute como a agenda climática está redesenhando carreiras e quais oportunidades podem surgir com a transformação da economia. Segundo projeções do Fórum Econômico Mundial, até 2030 cerca de 22% dos empregos atuais devem passar por transformação, com a criação de aproximadamente 170 milhões de novas funções e a extinção de 92 milhões, impulsionadas por tendências como tecnologia, transição energética e mudanças demográficas. O saldo tende a ser positivo em termos de vagas, mas especialistas destacam que o processo exigirá requalificação profissional em larga escala e dedicação por estar em constante transformação. No Brasil, a economia verde já movimenta milhões de trabalhadores em setores como energia renovável, agricultura sustentável, gestão ambiental e infraestrutura urbana. Áreas como geração de energia limpa, economia circular, bioeconomia e sustentabilidade corporativa vêm registrando aumento na demanda por profissionais capazes de lidar com temas como descarbonização, eficiência energética e gestão de recursos naturais. Transformação de carreiras Para Patrícia Feliciano, diretora executiva da Accenture e líder da prática de sustentabilidade da empresa para a América Latina, a agenda climática está cada vez mais integrada à estratégia das organizações. Segundo ela, empresas de diferentes setores já começam a rever processos produtivos, cadeias de suprimentos e modelos de negócio para responder às pressões regulatórias, às demandas de investidores e às expectativas da sociedade em relação à agenda ambiental. Esse movimento tem ampliado a busca por profissionais capazes de conectar sustentabilidade à inovação, tecnologia e estratégia corporativa. Embora novas profissões estejam surgindo, especialistas destacam que a maior parte das mudanças ocorre dentro de ocupações já existentes. Engenheiros, economistas, advogados, profissionais de recursos humanos e especialistas em tecnologia passam a incorporar conhecimentos relacionados à agenda climática e à sustentabilidade em suas atividades. Para Júlia Garim, consultora de desenvolvimento organizacional e inclusão produtiva, a transição para a economia de impacto também envolve desafios relacionados ao acesso às oportunidades. Segundo ela, cresce o interesse de profissionais que desejam migrar para áreas ligadas à sustentabilidade, mas ainda existem barreiras importantes, como acesso à formação, redes de contato e oportunidades de entrada no setor. A especialista destaca que um dos desafios da transição verde é garantir que a transformação do mercado de trabalho não aprofunde desigualdades sociais. Demanda crescente por profissionais Dados do mercado de trabalho indicam que a transformação já está em curso. De janeiro a outubro de 2024, cerca de 82,9 mil vagas com algum atributo ambiental foram abertas na plataforma de recrutamento Gupy. As oportunidades se concentraram principalmente em áreas ligadas a energia, serviços essenciais e mobilidade elétrica. Segundo levantamento da empresa, esse segmento registrou 44,7 mil vagas no período, seguido por posições relacionadas a meio ambiente, sustentabilidade corporativa e atividades florestais. A tendência é que essa demanda continue crescendo nos próximos anos. Pesquisas indicam que a economia verde pode gerar até 8 milhões de novos postos de trabalho no Brasil até 2030, impulsionados por setores como energia limpa, biocombustíveis, silvicultura, saneamento, mobilidade sustentável e economia circular. Para Luana Horchuliki, sócia e diretora de Gente e Gestão da Gupy, a agenda ambiental começa a influenciar diretamente o perfil profissional buscado pelas empresas. Segundo ela, cresce a demanda por profissionais capazes de integrar conhecimentos técnicos, visão de negócios e compreensão dos desafios da transição climática. Apesar do crescimento das oportunidades, especialistas alertam que a formação de profissionais ainda é um dos principais desafios para o avanço da economia verde no país. A adaptação de currículos universitários, a ampliação de cursos técnicos e a criação de programas de requalificação profissional são apontadas como medidas importantes para preparar trabalhadores para as novas demandas do mercado. Ao mesmo tempo, empresas também precisam investir em capacitação interna para que profissionais de diferentes áreas consigam incorporar temas relacionados à sustentabilidade em suas atividades. Nesse contexto, a transição climática não deve criar apenas novas profissões, mas transformar profundamente o conjunto de habilidades exigidas no mercado de trabalho. Conheça as convidadas Neste primeiro episódio, a editora de Um Só Planeta, Naiara Bertão, conversa com três convidadas, que contam sua própria trajetória e dão dicas valiosas para chegar lá: Patrícia Feliciano é diretora executiva da Accenture e líder da prática de Sustentabilidade para a América Latina. Atua em projetos ligados a mudanças climáticas, economia circular e transformação de negócios orientada a impacto socioambiental. Formada em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), possui especialização em administração pela Fundação Getulio Vargas (FGV), MBA executivo internacional pela FIA-USP, com extensão na China e nos Estados Unidos, além de especializações em inteligência artificial pela Kellogg School of Management e em estratégia de sustentabilidade pela Universidade Stanford. Júlia Garim é consultora de desenvolvimento organizacional, inclusão produtiva e transição de carreiras para o ecossistema de impacto. Com mais de dez anos de experiência, atua no desenho de estratégias e programas que conectam gestão de pessoas e diversidade a oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional. É formada em Relações Internacionais pela ESPM-Sul, possui MBA em Mercados Criativos e Cenários de Inovação pela Unisinos e atualmente cursa mestrado profissional na Fundação Dom Cabral. Também integra iniciativas como a Liga da Sustentabilidade RS e foi cofundadora da ContrateRS, criada após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. Luana Horchuliki é sócia e diretora de Gente e Gestão da Gupy, com mais de 15 anos de experiência na área de recursos humanos. Psicóloga com MBA em Gestão Estratégica e especialização em Employer Branding, atuou por uma década na Ambev, liderando projetos nacionais e internacionais nas áreas de remuneração, cultura organizacional e gestão de talentos. Na Gupy, conduz iniciativas voltadas ao desenvolvimento de lideranças, people analytics, diversidade e clima organizacional, além de atuar como mentora de carreira e liderança. 5 áreas que devem gerar empregos na economia verde Energia renovável - expansão da geração solar, eólica e outras fontes limpas deve aumentar a demanda por engenheiros, técnicos e especialistas em planejamento energético. Gestão de carbono - Empresas precisam medir, reduzir e reportar emissões de gases de efeito estufa, o que amplia oportunidades em consultoria e sustentabilidade corporativa. Economia circular - Projetos de redução de resíduos, reutilização de materiais e novos modelos de produção criam espaço para profissionais em inovação e design sustentável. Bioeconomia e agricultura regenerativa - O uso sustentável de recursos naturais e novas práticas agrícolas devem gerar empregos em pesquisa, agronomia e gestão ambiental. Infraestrutura e saneamento - Projetos ligados à adaptação climática, gestão de água e tratamento de resíduos tendem a ampliar a demanda por profissionais técnicos e gestores. Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere