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Em Santa Marta, cientistas lançam painel global para reduzir uso de combustíveis fósseis

Um só Planeta [Unofficial] April 27, 2026
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Uma coalizão internacional lançou um novo painel científico para acelerar a transição global para longe dos combustíveis fósseis, em uma mobilização que reúne mais de 50 países, governos subnacionais e cerca de 2.800 representantes da sociedade civil. A iniciativa foi apresentada durante a conferência climática em Santa Marta, na Colômbia, e busca atuar como um órgão consultivo científico dando suporte técnico e econômico a governos que buscam reduzir a dependência de petróleo, gás e carvão. O grupo de especialistas, que é formado por cientistas, economistas e técnicos, terá a função de orientar países na construção de estratégias para enfrentar riscos crescentes associados ao modelo fóssil, como volatilidade de preços, tensões geopolíticas e eventos climáticos extremos. A proposta surge em um momento de pressão internacional por implementação concreta das metas climáticas e marca o início da primeira conferência global dedicada exclusivamente à transição energética. Os anfitriões colombianos e holandeses do encontro de Santa Marta manifestaram apoio à iniciativa, que foi acordada por Johan Rockström, do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, e o cientista Carlos Nobre, da Universidade de São Paulo. A sede do Painel Científico para a Transição Energética Global será na USP. Saiba mais Painel mira trajetória compatível com 1,5°C Inspirado em estruturas como o comitê climático do Reino Unido, o novo painel pretende estabelecer metas nacionais e setoriais para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, alinhadas ao objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C até o fim do século. A coordenação ficará a cargo de nomes de peso na agenda climática internacional, com o brasileiro Gilberto M. Jannuzzi, professor da Universidade Estadual de Campinas. “Tecnicamente, não há problema. O problema é como disseminar a informação e garantir o financiamento”, afirmou Jannuzzi ao The Guardian. Além dele, estão na coordenação do painel a economista camaronesa Vera Songwe e o alemão Ottmar Edenhofer, do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático. Desafio estrutural Entre os países presentes na conferência estão grandes produtores de combustíveis fósseis, como Brasil, México, Nigéria e Angola — economias que ainda dependem da receita gerada por petróleo e gás. Um dos principais exemplos apresentados no encontro foi o plano de transição da Colômbia, país que obtém cerca de metade de suas receitas de exportação a partir de combustíveis fósseis. O documento projeta que a redução de até 90% no uso desses recursos até 2050 permitiria manter o crescimento da demanda energética, ao mesmo tempo em que geraria benefícios econômicos diretos de aproximadamente US$ 280 bilhões ao longo de 24 anos. Saiba mais Apesar da necessidade de investimentos iniciais elevados, o plano indica que, a partir da década de 2040, a economia colombiana passaria a registrar ganhos líquidos anuais com a mudança de matriz energética. “Esses são problemas solucionáveis que podem criar futuros melhores para as comunidades locais”, afirmou Rockström. “O painel pode ter um papel único ao indicar o que precisa ser feito ano a ano”. "O que importa agora é ir além de metas genéricas e criar roteiros confiáveis ​​e relevantes para políticas públicas, que possibilitem uma transição justa e eficaz", afirmou o Professor Piers Forster, Diretor do Centro Priestley para o Futuro do Clima da Universidade de Leeds e coautor do mapa colombiano. O avanço na agenda dependerá da capacidade dos países de estruturar financiamento, fortalecer instituições e lidar com resistências políticas internas. “Queremos trabalhar com os países para que desenvolvam capacidade própria, porque eles entendem suas oportunidades e desafios”, disse o professor Piers Forster, da Universidade de Leeds. Mais Lidas

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