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  "textContent": "\nA melhoria da educação brasileira costuma ser atribuída quase exclusivamente ao poder público. E, sem dúvida, governos, gestores, diretores e professores têm papel central nessa agenda. Mas a transformação educacional não depende apenas do Estado. Ela exige também uma sociedade civil atenta, mobilizada e comprometida. Educação pública é um bem coletivo. E bens coletivos só avançam quando deixam de ser tratados como pauta de governo e passam a ser assumidos como prioridade do país. Os dados mostram a urgência desse debate. No PISA 2022, o Brasil ficou na 65ª posição em Matemática entre 81 países avaliados. No SAEB 2023, apenas 5% dos estudantes da rede pública alcançaram o nível adequado em Matemática ao fim do Ensino Médio. Mais do que números, esses resultados revelam um país que compromete seu futuro ao não garantir aprendizagem de qualidade para a maioria de seus jovens. O impacto é social, mas também econômico. O Banco Mundial estima que uma criança brasileira nascida hoje atingirá apenas 55% do seu potencial produtivo ao longo da vida se as condições atuais de educação e saúde forem mantidas. Em outras palavras, desperdiçamos talento, renda e desenvolvimento em larga escala. Diante desse cenário, é preciso ampliar a pergunta: qual é o papel de cada um de nós? O primeiro é votar com responsabilidade. Políticas educacionais exigem continuidade, metas claras e compromisso de longo prazo. Experiências como as do Ceará e do Espírito Santo mostram que avanços consistentes acontecem quando a educação é tratada como política de Estado, e não como vitrine de gestão. O segundo é acompanhar e cobrar. O Brasil já dispõe de indicadores relevantes, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) e os dados públicos de orçamento. Mas transparência, por si só, não gera melhoria. É preciso observar resultados, questionar prioridades e exercer controle social. Accountability não é punição, mas sim, o compromisso com o uso dos recursos públicos e com o futuro das crianças. O terceiro papel está na relação com a escola. A participação das famílias segue sendo um dos fatores mais importantes para a aprendizagem. Não se trata de dominar conteúdo, mas de acompanhar a frequência, criar rotina, demonstrar interesse e reforçar a importância da educação. Expectativas positivas também transformam trajetórias. Há ainda uma dimensão cultural que não pode ser ignorada. Naturalizar o baixo desempenho faz parte do problema. Quando apenas 5% dos alunos concluem o Ensino Médio com aprendizagem adequada em Matemática e isso não gera indignação coletiva proporcional, o sinal é claro: o país se acostumou com o inaceitável. Cultura também define o teto da educação. Por fim, cada adulto é referência para a próxima geração. Crianças constroem suas expectativas a partir do que veem e escutam. Quando a sociedade acredita na educação como caminho de mobilidade e desenvolvimento, amplia horizontes; quando desacredita, limita possibilidades antes mesmo que se concretizem. Felizmente, o Brasil já tem exemplos importantes de mobilização qualificada da sociedade civil em defesa da educação. Iniciativas como Todos Pela Educação, Frente Paulista pela Educação, Espírito Santo em Ação e GEMTE mostram que, quando a sociedade se organiza, não substitui o Estado, fortalece-o. Eleva o debate, qualifica decisões e ajuda a sustentar políticas além dos ciclos eleitorais. Após mais de duas décadas atuando diretamente com educação, percebo algo fundamental: gestão é condição necessária, mas não suficiente. Transformações duradouras exigem alinhamento entre Estado, escola e sociedade. Em 2026, ano eleitoral, essa reflexão se torna ainda mais relevante. Melhorar a educação brasileira não é tarefa exclusiva dos governos. É um compromisso coletivo com o futuro do país. *Izabela Murici é diretora da unidade de negócios da Falconi especializada em Educação e Sustentabilidade Mais Lidas",
  "title": "Educação pública de qualidade também é responsabilidade da sociedade"
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