Kungaka: nova espécie rara de lagarto descoberta em deserto na Austrália pode ter menos de 20 indivíduos
Um só Planeta [Unofficial]
April 16, 2026
Um lagarto que vive escondido entre os paredões de arenito vermelho do Parque Nacional de Mutawintji, no oeste de Nova Gales do Sul, na Austrália, foi cientificamente descrito como uma nova espécie. Conhecido pelos aborígenes de Wiimpatja como kungaka ("o oculto"), ele foi batizado de Liopholis mutawintji. Em artigo publicado no The Conversation, Warlpa Thompson, proprietário aborígine do Parque Nacional Mutawintji; Jodi Rowley, curadora de Biologia da Conservação de Anfíbios e Répteis do Museu Australiano, e Thomas Parkin, pesquisadora em Herpetologia, também do Museu Australiano, informaram que, durante décadas, acreditou-se que o animal fosse uma população isolada do lagarto-de-cauda-branca-do-sul (Liopholis whitii), uma espécie amplamente distribuída que vive em habitats rochosos no sudeste da Austrália. “Mas, por meio da análise de sua genética e variações na forma do corpo, confirmamos que este lagarto é, na verdade, três espécies distintas. Duas delas, o lagarto-de-cauda-branca-do-sul (Liopholis whitii) e o lagarto-de-cauda-branca-do-norte (Liopholis compressicauda), ocorrem em grandes áreas do sudeste da Austrália. A terceira — o kungaka — é restrita ao Parque Nacional Mutawintji, a cerca de 500 km de seus parentes mais próximos”, escreveram. Eles acrescentaram que o animal representa uma linhagem ancestral que provavelmente se originou em períodos mais úmidos da história da Austrália. À medida que o continente secava, se refugiou em ambientes rochosos. O kungaka vive isolado em uma pequena área rochosa e já é considerado altamente vulnerável. Divulgação Hoje, sobrevive em uma pequena e isolada área protegida de um desfiladeiro em Mutawintji. E acredita que existam menos de 20 indivíduos na natureza. Segundo os pesquisadores, uma das maiores ameaças ao kungaka são as cabras selvagens. Ao sobrepastorear a vegetação e pisotear áreas rochosas frágeis, danificam as rochas das quais os lagartos dependem para abrigo e os expõe a predadores e temperaturas extremas. Outros perigosos são predadores introduzidos, como gatos e raposas, que podem caçá-los, e as mudanças climáticas, que intensificam o calor e a seca em toda a região. “Existe uma responsabilidade compartilhada na proteção e conservação do kungaka. Precisamos controlar cabras, gatos e raposas, procurar por populações adicionais e monitorá-las a longo prazo. Dado o tamanho extremamente pequeno da população, ações como a reprodução em cativeiro podem ser necessárias”, observaram os autores do artigo. E completaram: “A sobrevivência deste lagarto singular dependerá de parcerias colaborativas sustentadas e de longo prazo”. Mais Lidas
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