Arroz opera em 'limite térmico' e pode enfrentar colapso produtivo em mundo mais quente, alerta estudo
Um só Planeta [Unofficial]
April 15, 2026
Um dos alimentos mais consumidos do planeta está próximo de um limite climático. É o que aponta um estudo divulgado pelo EurekAlert, com base em pesquisa do Museu de História Natural da Flórida. De acordo com os pesquisadores, o arroz, que é responsável por cerca de 20% das calorias consumidas globalmente, opera no limite de tolerância ao calor e pode perder áreas significativas de cultivo nas próximas décadas. Ainda conforme os dados da pesquisa, o aquecimento global, causado pela queima massiva de combustíveis fósseis, avança em um ritmo até cinco mil vezes mais rápido do que o observado ao longo da história evolutiva da cultura, o que coloca em risco a capacidade de adaptação da planta. Hoje, o arroz é cultivado majoritariamente em regiões com temperatura média anual abaixo de 28°C e máximas mensais inferiores a 40°C, medidas que já começam a ser ultrapassados em partes do planeta. O estudo mostra que, ao longo de cerca de nove mil anos de domesticação, o arroz nunca foi cultivado de forma consistente em ambientes mais quentes do que esses limites. Agora, projeções indicam que, até 2070, grande parte das áreas produtoras, principalmente no sul e sudeste da Ásia, poderá exceder essas temperaturas. A consequência é o comprometimento da produção. Plantação de arroz em terraços utilizando sistema Subak em Bali, na Indonésia Getty Images A situação é considerada crítica para países como a Índia, atualmente o maior produtor mundial de arroz. Uma queda na produtividade pode gerar impactos diretos na segurança alimentar global e na própria economia do país. Também há uma questão eminentemente social: a adaptação dependerá do desenvolvimento de novas variedades mais resistentes, o que pode aprofundar desigualdades. Populações que hoje dependem do arroz para subsistência podem não ter acesso a essas tecnologias. “O processo de adaptação não é automático nem equitativo. Mesmo que a produção global se mantenha, os impactos locais podem ser severos”, afirma o pesquisador Nicolas Gauthier, autor principal do estudo. Como possíveis soluções, a pesquisa argumenta o deslocamento das áreas de cultivo para regiões mais frias e o desenvolvimento de variedades geneticamente adaptadas. Ainda assim, o estudo alerta que esse processo será complexo, custoso e insuficiente para evitar, num primeiro momento, os impactos. Mais Lidas
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