Ela transformou pesquisa em negócio e fatura R$ 2 milhões por ano levando água potável a 16 estados do país
Um só Planeta [Unofficial]
April 10, 2026
De acordo com o Instituto Trata Brasil, cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável. No mundo, esse número ultrapassa os 2 bilhões de pessoas. Foi diante dessa realidade que Anna Luísa Beserra, natural de Feira de Santana (BA), decidiu empreender no setor de saneamento com uma solução inovadora e sustentável: o Aqualuz. A ideia do projeto surgiu quando ela tinha 15 anos e ainda estava no ensino médio. Motivada pelo tema "Água - Desafios da Sociedade" do Prêmio Jovem Cientista (CNPq) em 2013, ela buscou criar algo que resolvesse as problemáticas do semiárido. Daí nasceu a primeira versão do Aqualuz, equipamento que utiliza a radiação solar para eliminar microrganismos e tornar a água da chuva própria para o consumo. Embora não tenha vencido a premiação na época, ela decidiu tirar o projeto do papel e aperfeiçoá-lo ao ingressar no curso de biotecnologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde percebeu o potencial comercial do sistema. Anna Luísa Beserra. Divulgação Aos 17 anos, Beserra começou a testar modelos de negócios para o sistema e encontrou o nicho ideal: projetos de responsabilidade social corporativa (RSC). Com um investimento inicial de R$ 5 mil e após o reconhecimento global pelo prêmio "Jovens Campeões da Terra" da ONU, a empreendedora fundou a startup Safe Drinking Water for All (SDW), voltada para o desenvolvimento de tecnologias hídricas sustentáveis. Esse suporte internacional foi o diferencial para atrair investidores, resultando em seis anos de ajustes e validação até a entrega do primeiro filtro. Além do Aqualuz, a empresa desenvolveu outras tecnologias como o Aquasalina, sistema de dessalinização, e o Sanuseco, um banheiro seco sustentável. Os números comprovam a eficácia da tecnologia. Nos locais onde os filtros foram instalados, o índice de doenças hídricas diminuiu 92%. Em seis anos, a produção cresceu nove vezes, totalizando 2,8 mil filtros vendidos e impactando diretamente mais de 46 mil pessoas. Atualmente, a solução está presente em 16 estados brasileiros, além de países como Equador e Porto Rico. Um dos exemplos de sucesso é o Quilombo do Dandá, em Simões Filho (BA). Na comunidade, a chegada da água tratada transformou a rotina da escola local e da casa de farinha. "Foi uma questão importantíssima. Avançou 100% o acesso à água de boa qualidade para nossa comunidade", explica a líder local, Lora Santana. A chegada da tecnologia ao local foi viabilizada devido a participação de uma empresa privada, que destinou recursos para a produção e instalação dos filtros na comunidade. Segundo Arthur Ferraz, head de relações externas da empresa parceira, a ação faz parte da estratégia de responsabilidade social da companhia. "Um dos nossos propósitos, enquanto empresa, é impactar positivamente a comunidade onde estamos inseridos. Encontramos uma alternativa técnica que permitiu garantir o acesso à água potável e atendesse a essa comunidade que é tão relevante para nós, no caso a Simões Filho." Em 2025, o faturamento da marca atingiu a marca de R$ 2 milhões. O modelo de negócio, que hoje foca no B2B (venda para empresas), já mira o setor público (B2G). "Eu adoro saber que com um pouco do que eu fiz, consegui ajudar a vida de outras pessoas", finaliza ela. Confira a seguir a reportagem completa exibida no programa Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da TV Globo: De projeto escolar a negócio milionário: jovem leva água potável a 16 estados Mais Lidas
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