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"textContent": "\nAs mudanças climáticas estão deixando o planeta mais quente e menos verde. Mas seus efeitos vão muito além disso: também estão mudando os cheiros que sentimentos, com a possibilidade de alguns deles desaparecerem em breve. A pesquisadora de preservação de aromas na Odeuropa e no University College London, do Reino Unido, Cecilia Bembibre, disse à Smithsonian Magazine que, com a perda de certos aromas, “perdemos informações, perdemos significado, perdemos histórias”. Um dos responsáveis pelas mudanças nos cheios é o aumento das temperaturas. “Se você vai a uma floresta, encontra um ambiente e uma temperatura específicos. Se essa temperatura subir um pouco, você altera o perfil dos componentes químicos no ar, já que a temperatura pode afetar a quantidade de partículas gasosas que transportam o odor, liberadas pelas substâncias”, explicou Idelfonso Nogueira, engenheiro químico que lidera o Projeto SCENTinel para a preservação de paisagens olfativas. Mulher observa a vista de um mirante em uma floresta Getty Images E isso não acontece apenas nas florestas. A neve, por exemplo, absorve diferentes substâncias químicas da atmosfera à medida que as temperaturas sobem, o que altera seu odor característico. Outro ponto importante é a perda de biodiversidade. Quando as plantas desaparecem, seus aromas se tornam mais difíceis de reproduzir. Algumas espécies ameaçadas pelas mudanças climáticas são bastante aromáticas, como sândalo, baunilha e lavanda. Flor e fava de baunilha Getty Images A Smithsonian Magazine relata a fragmentação das florestas, a exploração excessiva e as mudanças climáticas como ameaças para as árvores do gênero Boswellia, produtoras de incenso, resina com aroma picante usada em cerimônias religiosas há milênios. \"Não é apenas um cheiro, são 3.000 anos de história que estamos perdendo\", salientou Bembibre, da Odeuropa. Nogueira, do SCENTinel, acrescentou: “Embora tenhamos outros recursos ameaçados pelas mudanças climáticas, como o acesso a alimentos, também existe um elemento de identidade cultural, sobrevivência cultural, história. Se não prestarmos atenção a isso, perdemos toda a riqueza que está por trás disso”. Um exemplo são rituais como a tradicional Lavagem do Bonfim, em Salvador, na Bahia. Essa cerimônia de purificação envolve flores perfumadas e água, mas, como observou Nogueira, “esses aromas estão ameaçados pelas mudanças climáticas”, e as comunidades “não terão acesso aos ingredientes necessários para produzir esse último vestígio de expressão cultural”. Fiel leva flores à lavagem do Bonfim na cidade de Salvador, Bahia. Getty Images Perda de cheios e o bem-estar humano Cientistas estão começando a entender como a perda dos cheiros afeta o bem-estar humano. Pesquisas sugerem que isso prejudica a saúde e a felicidade, e ainda pode reduzir completamente a capacidade de uma pessoa de sentir aromas. “O aumento da poluição está de fato causando danos ao sistema olfativo periférico e à nossa capacidade de sentir cheiros”, comentou Rachel Herz, neurocientista cognitiva com foco no olfato. Lucia Jacobs, psicóloga especializada em olfato da Universidade da Califórnia, Berkeley, dos Estados Unidos, afirmou que ainda o mundo ainda não sabe o que está perdendo em termos de odores. Por conta disso, ela e colegas têm discutido a possibilidade de realizar um “festival de odores perdidos” para reunir artistas, cientistas e comunidades indígenas a fim de chamar a atenção para a importância do tema. Enquanto isso, empresas têm focado em preservar aromas. A brasileira O Boticário, por exemplo, lançou uma linha de fragrâncias que captura os aromas de ecossistemas ameaçados. Chamada Extinto, inclui recriações olfativas da agora poluída Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro; dos manguezais cobertos de plástico na Índia e da baunilha malgaxe, criticamente ameaçada. Na UCL, a equipe de Bembibre trabalha com perfumistas e químicos para reconstruir cheiros perdidos. Recentemente, eles reproduziram o odor de um potpourri da década de 1750. E, no SCENTinel, Nogueira e seus colegas estão desenvolvendo modelos de inteligência artificial capazes de recriar quimicamente os cheiros do passado e gerar a projeção da paisagem olfativa do futuro. Os modelos preveem a composição molecular de certos ambientes, criando \"receitas\" de cheiros que podem então ser reproduzidas em laboratório. Nogueira espera que o compartilhamento desses esforços induza conexões emocionais que aumentem a conscientização sobre a diminuição dos cheiros no mundo, promovam mudanças nas políticas públicas e conduzam “a sociedade rumo a um futuro construtivo em vez de um futuro destrutivo\". Mais Lidas",
"title": "Mais um efeito das mudanças climáticas: cheiros da Terra estão desaparecendo, afirma pesquisa"
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