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"publishedAt": "2026-04-07T17:58:54.000Z",
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"textContent": "\nUm peixe bioluminescente intriga cientistas por não produzir a própria luz. Em vez disso, ele utiliza proteínas obtidas de suas presas para brilhar no escuro. A descoberta foi confirmada por análise genética e publicada na revista Scientific Reports. O foco da pesquisa é o peixe Parapriacanthus ransonneti. Ao sequenciar seu genoma completo, os pesquisadores verificaram que a espécie não possui o gene responsável por produzir a luciferase — enzima essencial para a bioluminescência. Sem esse “manual genético”, o peixe recorre a uma alternativa rara: obtém a luciferase ao se alimentar de pequenos crustáceos bioluminescentes, conhecidos como “vagalumes-do-mar”. A proteína é então reaproveitada pelo organismo e usada para emitir luz. Esse mecanismo é chamado de “kleptoproteinismo”, um tipo de adaptação em que um organismo utiliza proteínas funcionais de outro sem produzi-las. Embora fenômenos semelhantes já tenham sido observados na natureza, esta é a primeira vez que evidências genômicas confirmam o processo de forma conclusiva. “Os resultados mostram que esse peixe não tem o código genético necessário para a bioluminescência e depende inteiramente das proteínas obtidas na alimentação”, afirmou o pesquisador Manabu Bessho-Uehara, da Tohoku University. Além de “roubar” a proteína luminosa das presas, o Parapriacanthus ransonneti usa essa luz como estratégia de sobrevivência, conseguindo ajustar a própria coloração ao expandir ou contrair pigmentos avermelhados em seu corpo parcialmente transparente, camuflando-se no ambiente para caçar e se proteger. Ainda assim, sob a luz fraca da noite, pode projetar sombras que o denunciam a predadores. Para evitar esse risco, emite luz pela parte ventral, anulando sua silhueta quando visto de baixo, um mecanismo que reduz sua visibilidade no oceano escuro. A equipe também investigou a possibilidade de transferência horizontal de genes — quando um organismo incorpora material genético de outra espécie —, mas não encontrou qualquer evidência desse processo no genoma do peixe. Além de ampliar o entendimento sobre a evolução da bioluminescência, o estudo levanta novas questões sobre como proteínas ingeridas conseguem resistir à digestão e permanecer ativas no organismo. Segundo os pesquisadores, esse tipo de conhecimento pode, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de tecnologias médicas, como sistemas mais eficientes de administração de medicamentos por via oral. Mais Lidas",
"title": "Farsante marinho: peixe 'rouba' proteína de presas para brilhar no escuro, mostra estudo"
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