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Eletrificação mais barata acelera caminho para tirar da pobreza energética milhões de pessoas, aponta relatório da Ember

Um só Planeta [Unofficial] April 7, 2026
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Por muito tempo, o caminho tradicional de expansão energética, centrado em grandes infraestruturas de combustíveis fósseis, mostrou-se pouco viável para economias emergentes. Limitações institucionais, custos elevados de financiamento e a natureza centralizada desse modelo dificultaram sua implementação em larga escala. Cerca de 700 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso à energia e muitas enfrentam um fornecimento instável. O desafio é particularmente evidente nos 74 países que integram o Fórum de Países Vulneráveis às Mudanças Climáticas (CVF). Apesar de reunirem mais de 20% da população mundial, eles representam menos de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) global e da demanda de eletricidade. Além disso, concentram três quartos da população global que vive com consumo anual inferior a 1 MWh por pessoa — um indicador claro da desigualdade energética. Nos últimos anos, porém, a rápida queda nos custos da eletrotecnologia — como energia solar, armazenamento em baterias e tecnologias de uso final de eletricidade — está remodelando a economia da energia nesses mercados, de acordo com um novo relatório do think tank de energia Ember. Saiba mais A análise aponta que “essas tecnologias são escaláveis ​​em pequenos incrementos, desde a base” e que “a oportunidade não está em competir com os combustíveis fósseis; está em incluir no preço o bilhão de pessoas que o sistema fóssil deixou para trás. Pelos dados coletados, 46% dos países do CVF, considerando a demanda por eletricidade, já ultrapassaram os Estados Unidos em penetração de energia solar, e cerca de 51% em eletrificação. Em 8 dos 10 países do grupo, as importações cumulativas de energia solar desde 2017 são pelo menos três vezes maiores que a capacidade instalada oficial. A mudança, salienta o Ember, é impulsionada pela nova economia da energia. Por exemplo, a energia solar agora exige menos capital inicial do que os combustíveis fósseis, enquanto que, há uma década, exigia até cinco vezes mais. Já os sistemas solares com baterias fora da rede já superam a extensão da rede elétrica para comunidades a mais de algumas dezenas de quilômetros das linhas existentes, e tecnologias de uso final elétrico, de veículos de duas rodas a sistemas de refrigeração, tiveram uma queda de preço de 30% a 95% na última década, demonstra o relatório. "O antigo dilema dos combustíveis fósseis, entre clima e desenvolvimento, já não se aplica. Esta é uma mudança histórica na trajetória energética da humanidade, e os países em desenvolvimento e vulneráveis ​​estão no centro da transição eletrotécnica cada vez mais acelerada rumo a futuros de energia limpa e prosperidade climática", afirma Sara Jane Ahmed, Diretora Executiva e Consultora Financeira do V-20. Outro dado revelado é que a tecnologia eletrotécnica reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, que custaram aos países, em 2024, US$ 155 bilhões (aproximadamente R$ 801,4 bilhões na cotação atual) e os expõem a choques externos de preços. “Ao mesmo tempo, as nações que utilizam combustíveis fósseis detêm influência estratégica por meio de recursos minerais, localização geográfica estratégica para a indústria e mercados consumidores em rápido crescimento, justamente quando a China, os Estados Unidos e a Europa disputam o acesso a esses três recursos”, diz o texto. Por fim, a análise destaca que a maioria dos países do CVF ainda não investiu em infraestrutura fóssil em larga escala. “Seus sistemas energéticos continuam dominados pela biomassa, que é ineficiente e limitada, mas exige pouca infraestrutura. A queda nos custos da tecnologia eletroeletrônica torna agora viável a transição direta da biomassa para a eletricidade. Muitos países já estão acelerando esse processo. Outros podem seguir o exemplo”, completa. Mais Lidas

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