Mapeamento revela projetos de SBN liderados por mulheres nos biomas do Brasil
Um só Planeta [Unofficial]
April 3, 2026
Um mapeamento focado em liderança feminina identificou 36 iniciativas ligadas a Soluções Baseadas na Natureza (SBN) nos seis biomas brasileiros, destacando uma força de trabalho dedicada à restauração florestal e outros serviços. Além de identificar e fornecer dados sobre a atuação das mulheres em arranjos de trabalho ambiental, o documento se propõe também a orientar políticas públicas para capacitação e valorização do trabalho feminino nestas cadeias de valor. Intitulado "Mulheres Liderando Soluções Climáticas Baseadas na Natureza no Brasil: Um Mapeamento", o estudo oferece uma visão sistemática de iniciativas climáticas lideradas por mulheres que restauram ecossistemas, fortalecem a segurança alimentar, protegem a biodiversidade e constroem resiliência climática nos biomas do país: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa. A iniciativa é uma produção das organizações SHE Changes Climate Brasil, Instituto Sinal do Vale e Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH). As principais abordagens de SBN mapeadas incluem restauração florestal com espécies nativas, agroecologia, sistemas agroflorestais, viveiros de plantas nativas, ecoturismo e práticas amigas dos polinizadores. Apresentando estudos de caso, o mapeamento mostra soluções na floresta, ligadas à bioeconomia, como extração de óleos e produtos naturais, agroecologia e também soluções de infraestrutura urbana e restauração pura, ligada a nascentes e paisagens. “O legal da pesquisa foi ter uma diversidade de projetos. Algumas são empresas mais estruturadas, com 50 pessoas envolvidas e 1.000 hectares de atuação, com produtos desenvolvidos na bioeconomia e já estão vendendo. Depois temos cooperativas, movimentos e redes de mulheres”, detalha Katie Weintraub, autora do relatório e coordenadora da SHE Changes Climate no Brasil. Em Bonito (MS), Chácara Boa Vida oferece orientação técnica em desenho agroflorestal, produz e comercializa sementes e mudas nativas de alta qualidade, além de apoiar restauração em assentamentos rurais e territórios indígenas. Divulgação Apesar de apontar limitações para obtenção de financiamento nos projetos analisados, o mapeamento registra que 56% criam oportunidades de geração de renda para mulheres; 61% reduzem o trabalho doméstico e de cuidado não remunerado das mulheres; e 86% integram conhecimentos tradicionais e locais em suas práticas. O levantamento mostra uma variedade de perfis, sendo que em muitos casos a segurança alimentar é um fator de importância das iniciativas. O documento revela também projetos com grau de maturidade maior, gerando renda e empregos em atividades com sustentabilidade ambiental. Todos os cases foram avaliados em três pilares: clima, biodiversidade e bem-estar humano. “Ficou claro nesse mapeamento que as mulheres acabam atuando como conectoras e multiplicadoras”, analisa Weintraub. “Quando você investe em SBN lideradas por mulheres, tem esse potencial de multiplicação interessante. O dinheiro será investido na família, geração de emprego para outras mulheres, e tem esse olhar muito forte da comunidade, é algo que chamou atenção.” São casos como a Cooperativa Ser do Sertão (Coopsertão), liderada por mulheres e com um trabalho que integra agrofloresta e agroindustrialização sustentável para fortalecer a resiliência climática na Caatinga. Atuando em uma das regiões mais vulneráveis à mudança climática no Brasil, combina a restauração de áreas degradadas com produção de alimentos adaptados às secas. Já a Co.Paisage é uma startup de paisagismo urbano que desenvolve SBN para regenerar espaços públicos e comunitários nas cidades. Atuando em Teresina, no Piauí, na zona de transição entre cerrado-caatinga e floresta amazônica, o escritório combina mapeamento ambiental, planejamento participativo e paisagismo tático para implementar infraestrutura verde, como hortas urbanas, superfícies permeáveis e sistemas de baixo custo para retenção, infiltração de água e regeneração do solo. “A primeira fase foi colher dados, e agora estamos fazendo um planejamento para desdobramentos. A ideia é fazer capacitações [com as empreendedoras] e conversas com o poder público”, afirma a autora do levantamento. “Temos um nova estratégia nacional de SBN [que teve os trabalhos iniciados na COP30]. Então, podemos fazer essa interlocução com o poder publico. Quero usar esse estudo como um argumento para esse trabalho de advocacy, pois temos indicadores. Se não colocamos ativamente a discussão de gênero, as mulheres acabam não sendo incluídas.” Mais Lidas
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