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Governo avança em obra na BR-319 em meio a alertas de impactos ambientais e saída de Marina do Ministério

Um só Planeta [Unofficial] April 3, 2026
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O governo de Lula autorizou o avanço das obras na BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), uma das mais controversas infraestruturas da Amazônia. A decisão ocorre em meio a mudanças no primeiro escalão: a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixou oficialmente o cargo para disputar as eleições de 2026. O Ministério dos Transportes confirmou a preparação do edital para pavimentação do intitulado “trecho do meio”, com cerca de 339 quilômetros e investimento estimado em R$ 678 milhões. A obra também prevê a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, substituindo a travessia por balsa. A rodovia, com cerca de 850 quilômetros de extensão, corta uma das regiões mais preservadas da Floresta e atravessa áreas sensíveis, incluindo unidades de conservação e terras indígenas. Esse fato gera debates entre ambientalistas, a sociedade civil e empresários. Saída de Marina O episódio mais emblemático dessa pressão ocorreu em maio de 2025, durante audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, que durou cerca de três horas e meia e terminou com a saída de Marina Silva após uma sequência de confrontos com parlamentares. O debate, que incluía a pavimentação da BR-319, teve momentos de tensão com os senadores Omar Aziz (PSD-AM), que acusou a ministra de “atrapalhar o desenvolvimento”, e Marcos Rogério (PL-RO), presidente da comissão, que chegou a interrompê-la e mandá-la “se pôr no seu lugar”. A situação piorou após declarações do senador Plínio Valério (PSDB-AM), que afirmou que “a mulher merece respeito, a ministra não”. Marina exigiu retratação e, diante da recusa, abandonou a sessão. Ao longo da audiência, a então ministra rebateu críticas sobre a BR-319, e defendeu que a obra exigiria avaliação ambiental detalhada diante dos riscos de desmatamento Agora, a decisão sobre a BR-319 coincide com a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A mudança integra a desincompatibilização exigida pela legislação eleitoral para ministros que pretendem disputar cargos públicos. Marina deixou o cargo e deve concorrer a uma vaga no Senado por São Paulo. O então secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, substituí Marina na função. A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, durante audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado marcada por tensão com parlamentares sobre o licenciamento e a pavimentação da BR-319. Geraldo Magela/Agência Senado O fato é que as obras da rodovia geraram tensão dentro do próprio governo. Durante sua gestão, Marina defendeu a necessidade de estudos ambientais estratégicos e condicionantes rigorosas antes de qualquer avanço na pavimentação. Licenciamento acelerado O avanço da obra foi viabilizado após mudanças legislativas aprovadas em 2025, que criaram a chamada Licença Ambiental Especial (LAE). O dispositivo permite acelerar o licenciamento de projetos considerados estratégicos, com prazos reduzidos. A medida é alvo de críticas de especialistas e organizações ambientais, que apontam risco de flexibilização excessiva. Este modelo pode fragilizar a avaliação de impactos em uma das regiões mais biodiversas do planeta. Dados do Observatório BR-319 indicam que a região já enfrenta pressão crescente: milhares de quilômetros de ramais ilegais foram abertos nas proximidades da rodovia, associados a desmatamento, grilagem e mineração. Rodovia Pesquisas e análises ambientais apontam que estradas na Amazônia funcionam como vetores de ocupação desordenada. Ao facilitar o acesso a áreas isoladas, ampliam o risco de avanço do desmatamento e de atividades ilegais. No caso da BR-319, o traçado conecta Manaus ao chamado “arco do desmatamento”, região marcada pela expansão agropecuária. Sem governança territorial robusta, fiscalização frequente e ordenamento fundiário, a pavimentação pode transformar a rodovia em um novo eixo de degradação ambiental. Governo Apesar das críticas, o governo federal sustenta que a BR-319 é estratégica para integrar o Amazonas ao restante do país por via terrestre, com redução de custos logísticos e ampliando o acesso a serviços e mercados. Mais Lidas

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