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Brasil passa de 87% de matriz energética renovável, aponta agência internacional

Um só Planeta [Unofficial] April 2, 2026
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O Brasil chegou em 2025 à marca de 87,2% de participação de energia renovável em sua capacidade instalada, aponta o relatório anual da Irena (sigla para a Agência Internacional de Energia Renovável). A capacidade instalada, dado que foi analisado pela Irena, mostra o quanto de energia um país pode produzir de forma contínua, sendo que, no acumulado, o consumo vai superar amplamente estes números. Como exemplo, a capacidade brasileira, que passa dos 200 gigawatts (GW), consegue sustentar um consumo de mais de 500 mil gigawatts-hora (GWh). Em 2025, foram consumidos no país 562,7 mil GWh, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética. Saiba mais Em 2025, pelos números compilados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o país chegou a uma matriz elétrica total (incluindo todas as fontes, inclusiva as "sujas") de 215,9 GW à disposição, com participação de renováveis em 84,6% do sistema, número apenas um pouco abaixo do levantamento feito pela Irena, que fala em 87,2%. Segundo o professor de economia da UFF (Universidade Federal Fluminense), Luciano Losekann, especialista em energia, é normal haver diferenças em medições nacionais e internacionais, que usam muitas vezes usam um método único para avaliar diferentes países, com matrizes energéticas que implicam processos distintos de obtenção de energia. No caso brasileiro, trata-se de um sistema altamente dependente da meteorologia (chuva, sol, ventos), com números dinâmicos na geração de eletricidade, o que pode levar a leituras diferentes. Um país solar Segundo os dados da Irena, em dez anos, o Brasil aumentou em quase 500 vezes sua capacidade de geração de energia solar, saltando de 135 megawatts (MW) em 2016 para 64,6 GW no ano passado. Em comparação, o Chile, segundo país sul-americano mais avançado na produção de energia solar em números totais, aumentou sua capacidade em 12 vezes, de 1,1 GW para 12,1 GW no mesmo período. Se fornecida de forma contínua, a potência solar do Brasil poderia suprir totalmente a necessidade de países europeus como França e Espanha. A produção de energia solar, no entanto, ainda é amplamente dependente da luz direta do sol, com geração limitada ao dia. A evolução de baterias de grande porte, no entanto, promete vencer este obstáculo natural, permitindo armazenamento e disponibilidade sem interrupções. O mesmo vale para a geração eólica, que depende dos ventos. Pela análise da Irena, a capacidade eólica brasileira em 2025 ficou em 34,8 GW, seguida por Chile (5,8 GW) e Argentina (4,4 GW) na América do Sul. A geração hidrelétrica continua sendo a locomotiva da energia limpa no Brasil, com uma capacidade de 110,2 GW de potência registrada pela Irena. Fontes fósseis O contexto de energia limpa no Brasil, no entanto, ainda convive com fontes fósseis de geração de eletricidade. Na última semana, o governo federal promoveu leilão que prevê a contratação de novas usinas termelétricas, movidas a gás, carvão, diesel e óleo combustível Somadas às usinas já em operação, este parque poderá emitir até 40 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e) por ano, segundo o Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente), gerando uma poluição atmosférica que contribui para o agravamento das mudanças climáticas. Metade da capacidade de geração global de energia vem de renováveis, diz Irena Em 2025, a capacidade mundial de geração de energia renovável chegou a 49,4% do total instalado, afirma o relatório. A presença de estruturas de energia limpa cresceu 15,5% sobre 2024. O planeta alcançou no ano passado 5,1 TW de capacidade de produção de energia limpa, sendo que a previsão para 2030 é dobrar o cenário atual. A energia solar é hoje a maior fonte renovável no mundo, com quase metade da capacidade instalada em 2025. As gerações eólica e hídrica dividem a outra metade das estruturas disponíveis, com 3% creditados a fontes alternativas, como biogás, por exemplo. A Ásia segue sendo a locomotiva da produção de energia limpa no mundo, com cerca de 2.9 TW de capacidade instalada, 56,1% de toda a força mundial. Europa (18,1%) e América do Norte (11,9%) se posicionam em seguida, com a América do Sul (6,5%), onde o Brasil é o maior produtor, aparecendo como quarto grande polo global. Os asiáticos, no entanto, ficam muito distantes de outros continentes na geração de energia limpa. Com uma capacidade que beira os 3 TW, se posicionam em larga vantagem em relação aos 934 GW de potência europeia, ou ainda, os 333 GW sul-americanos. "Embora 2025 marque o maior aumento na capacidade e no crescimento de energia renovável, existem disparidades significativas entre países e regiões. A Ásia foi responsável pela maior parte da nova capacidade em 2025. A maior parte desse aumento ocorreu na China (+440,1 GW). A capacidade da Europa expandiu-se, com a Alemanha contribuindo significativamente para esse crescimento, adicionando 20,5 GW. A Ucrânia [em guerra contra a Rússia] apresentou um declínio notável de capacidade de mais de 7,5 GW em 2024, e nenhuma mudança foi registrada em 2025", observou a Irena. "A capacidade na América do Norte expandiu-se em 42,1 GW (+7,4%), impulsionada por instalações nos Estados Unidos." ERRATA: o texto original mencionava o Brasil como segundo país do mundo com maior participação de energias renováveis na capacidade instalada. A informação é incorreta, e os países líderes neste tópico são Islândia, Paraguai e Noruega. O Brasil aparece na 15ª posição, considerando dados da Irena. Mais Lidas

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