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Por que papa Leão XIV nomeou o climatologista brasileiro Carlos Nobre para conselho do Vaticano

Um só Planeta [Unofficial] March 30, 2026
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O papa Leão XIV nomeou o cientista brasileiro Carlos Nobre para integrar órgão administrativo do Vaticano (dicastério) responsável pelo Desenvolvimento Humano Integral, que atua em temas sociais, ambientais e de justiça global. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (30) e inclui outros nomes internacionais. Reconhecido por suas pesquisas sobre a crise climática, causada pela queima de combustíveis fósseis, e pela atuação no debate sobre a Amazônia, Nobre é o único brasileiro entre os novos conselheiros. A presença do cinetista ocorre em um contexto de crescente pressão internacional por respostas ao colapso climático global. “Estamos vivendo uma emergência climática que coloca todos nós em risco. O que está em jogo é o futuro da humanidade”, afirmou o pesquisador à Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM). “Fico muito feliz em ver a mobilização da Igreja para incluir o meio ambiente nesse conselho e honrado por ter sido escolhido.” Ao incorporar especialistas com trajetória científica, o dicastério amplia o escopo técnico de discussões sobre desigualdade, desenvolvimento e impactos ambientais, especialmente em regiões como a Amazônia, onde os efeitos das mudanças climáticas se somam a desafios socioambientais históricos. Trajetória científica e foco na Amazônia Com formação em engenharia pelo ITA e doutorado em meteorologia pelo MIT, Carlos Nobre foi um dos primeiros cientistas a alertar para o risco de “savanização” da floresta amazônica, processo de degradação associado ao avanço do desmatamento e ao aquecimento global. O termo descreve um possível ponto de ruptura em que partes da floresta deixam de se comportar como um ecossistema úmido e denso e passam a assumir características de savana, mais secas, com vegetação baixa e menos biodiversidade. Ao longo das últimas décadas, atuou em instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto de Estudos Avançados da USP, consolidando-se como uma das principais referências globais no tema. Em 2022, foi eleito membro da Royal Society, uma das mais prestigiadas academias científicas do mundo. Ele também integra a iniciativa Planetary Guardians (Guardiões Planetários), que reúne lideranças globais de diferentes áreas — ciência, política, economia e sociedade civil — comprometidas com a proteção do meio ambiente e o enfrentamento da crise climática. Participação brasileira Não é a primeira vez que um brasileiro ligado à agenda socioambiental ocupa funções no Vaticano. O economista Virgilio Viana, superintendente-geral da Fundação Amazônia Sustentável, já foi nomeado para integrar a Pontifícia Academia de Ciências Sociais, órgão consultivo voltado à análise de temas como desenvolvimento sustentável, pobreza e meio ambiente. Assim como no caso de Nobre, a indicação de Viana evidenciou o reconhecimento internacional de especialistas brasileiros na agenda amazônica e a crescente centralidade da região no debate global sobre clima e desenvolvimento. Mais Lidas

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