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"textContent": "\nO Brasil forma pesquisadores, registra patentes e desenvolve tecnologias em áreas-chave para enfrentar a crise climática. Mas uma parte relevante desse conhecimento não sai do papel. Fica restrita a laboratórios, protótipos ou projetos-piloto, sem alcançar escala ou aplicação prática. É nesse ponto que surge o DeepClimate, programa que acaba de selecionar 10 empresas brasileiras de base científica, as chamadas deeptechs, com foco em soluções para clima. A proposta é apoiar essas iniciativas a atravessar o caminho mais difícil da inovação: transformar pesquisa em produto ou serviço disponível no mercado. Hoje, esse é um dos principais entraves no país. O Brasil concentra mais da metade das patentes da América Latina, mas menos de um terço se converte em negócios. No caso das deeptechs climáticas, o cenário é ainda mais desafiador, com muitas delas em estágio intermediário de desenvolvimento, sem faturamento ou com baixa escala. Na prática, isso significa que tecnologias com potencial para reduzir emissões, ampliar o uso de energia limpa ou melhorar a gestão de recursos naturais não chegam a quem poderia utilizá-las. “O Brasil não pode continuar exportando paper e importando tecnologia”, afirma Caroline Gibim, coordenadora do programa. “É preciso traduzir ciência em mercado, conectando laboratório, indústria, governo e capital.” Entre as 10 deeptechs escolhidas, há propostas que vão da transformação de resíduos agrícolas em bioplásticos à criação de novos materiais para baterias, passando por monitoramento de florestas, hidrogênio renovável, gestão da água e resposta a desastres. Elas atuam em diferentes frentes da agenda climática, incluindo agricultura, energia, indústria e infraestrutura. Confira: BioUs: transforma resíduos agrícolas em bioplásticos e biofertilizantes Dana Agro: desenvolve insumos para proteger lavouras de eventos extremos DCO Sustentável: leva energia renovável a áreas isoladas DeepESG: usa IA para medir e reportar emissões corporativas GLR Tech: captura e trata gases da indústria pesada GreenBug: monitora florestas com sensores acústicos e IA O2Eco: atua na gestão da água e regeneração hídrica Protium Dynamics: aposta em hidrogênio renovável para descarbonização Simar: organiza resposta a desastres com dados geoespaciais Teiu Energia: desenvolve baterias a partir de resíduos minerais Onde a inovação trava As dificuldades relatadas por essas empresas se repetem. Falta infraestrutura para testar soluções em escala, como plantas-piloto e laboratórios especializados. Também há barreiras para acessar clientes — especialmente grandes empresas e o setor público — e desafios regulatórios. Sem esses elementos, muitas iniciativas ficam no chamado “vale da morte” da inovação, quando já provaram sua base científica, mas ainda não conseguem se sustentar comercialmente. Além disso, o tipo de tecnologia desenvolvido por deeptechs costuma exigir mais tempo e investimento. São soluções que envolvem, por exemplo, novos materiais, processos industriais ou sistemas energéticos, áreas essenciais para reduzir emissões em setores como cimento, aço e transporte, que concentram grande parte do problema climático. O que o programa propõe O DeepClimate foi estruturado para atuar justamente nesses gargalos. Ao longo do ano, as empresas selecionadas terão acesso a mentorias técnicas, apoio para validação tecnológica e conexões com investidores e parceiros industriais. A ideia é reduzir incertezas e acelerar a passagem da fase experimental para a aplicação prática. “Não é uma questão de velocidade, mas de reduzir o risco no caminho”, ressalta Gibim. O programa também prevê a medição do impacto climático das soluções, estimando quanto cada tecnologia pode evitar ou reduzir em emissões de gases de efeito estufa em comparação com alternativas convencionais. Setores centrais da economia, como energia e indústria, ainda dependem de tecnologias intensivas em carbono, especialmente em áreas como aço, cimento e químicos. Ao mesmo tempo, projeções indicam que, sem mudanças estruturais, a crise climática pode gerar perdas econômicas significativas nas próximas décadas. Nesse contexto, tecnologias capazes de reduzir emissões ou aumentar a resiliência ganham importância não só ambiental, mas também econômica. A ideia do DeepClimate é de que o Brasil, com base científica consolidada e recursos naturais abundantes, tem condições de desenvolver parte dessas soluções. O desafio é criar as pontes necessárias para que elas saiam do ambiente de pesquisa. Por isso, o programa reúne uma rede ampla de parceiros públicos, privados e acadêmicos, incluindo ministérios, instituições de ciência e tecnologia, organizações internacionais e atores do ecossistema de inovação, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento e a escala das soluções selecionadas. A iniciativa é liderada pela Quintessa, organização que desde 2009 atua na articulação entre inovação, clima e desenvolvimento econômico, com mais de R$ 270 milhões mobilizados e cerca de 500 empreendimentos apoiados no país. Mais Lidas",
"title": "Tecnologias climáticas avançam na pesquisa, mas travam no mercado — programa DeepClimate quer mudar isso"
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