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"publishedAt": "2026-03-24T13:58:57.000Z",
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"textContent": "\nMúltiplas classes de antibióticos foram identificadas por pesquisadores do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (CENA-USP) no rio Piracicaba, em São Paulo. Também foi constatado que as substâncias também se acumulam nos peixes. As amostras foram coletadas perto da barragem de Santa Maria da Serra, próxima ao reservatório de Barra Bonita, onde os contaminantes de toda a bacia hidrográfica tendem a se acumular. Essa região recebe aportes de esgoto tratado, águas residuais domésticas, atividades de aquicultura, suinocultura e escoamento agrícola. Neste trabalho, a equipe combinou diversas abordagens, incluindo monitoramento ambiental, estudos sobre como os poluentes se acumulam em organismos, análises de danos genéticos na vida aquática e experimentos com plantas para remover contaminantes. E analisou água, sedimentos e peixes durante as estações chuvosa e seca. Foram monitorados 12 antibióticos de uso comum, pertencentes a grupos como tetraciclinas, fluoroquinolonas, sulfonamidas e fenóis. Os níveis medidos variaram de nanogramas por litro na água a microgramas por quilograma no sedimento. Saiba mais \"Os resultados mostraram um padrão claro de sazonalidade. Durante a estação chuvosa, a maioria dos antibióticos apresentou concentrações abaixo do limite de detecção. Já na estação seca, quando o volume de água diminui e os contaminantes se concentram, diferentes compostos foram detectados\", relatou a líder do estudo, Patrícia Alexandre Evangelista, em comunicado. As análises ainda indicaram a presença do antibiótico cloranfenicol em peixes lambari (Astyanax sp.), o que levanta preocupações sobre uma possível exposição à medicamentos por meio dos alimentos. A substância apareceu apenas durante a estação seca, em níveis de dezenas de microgramas por quilograma. Plantas aquáticas podem ajudar A solução para este problema de contaminação pode estar na Salvinia auriculata, uma planta flutuante frequentemente considerada invasora. Em experimentos controlados, a espécie foi exposta tanto a concentrações ambientais típicas quanto a níveis 100 vezes maiores de enrofloxacina e cloranfenicol. \"Os resultados mostraram a alta eficiência da Salvinia na remoção da enrofloxacina. Nos tratamentos com maior biomassa vegetal, mais de 95% do antibiótico foi removido da água em poucos dias. A meia-vida do composto caiu para cerca de dois a três dias”, diz Evangelista. Ela acrescenta que, no caso do cloranfenicol, a remoção foi mais lenta e parcial. A planta foi capaz de remover de 30% a 45% do antibiótico da água, com meias-vidas variando de 16 a 20 dias, indicando a maior persistência do composto no ambiente. A Salvinia auriculata também diminuiu os danos ao DNA provocados pelo cloranfenicol nos peixes. Para a enrofloxacina, a planta não reduziu significativamente os efeitos genéticos. \"A interpretação que propomos é que, no caso do cloranfenicol, a planta pode gerar menos subprodutos genotóxicos ou liberar compostos antioxidantes na rizosfera, reduzindo o estresse oxidativo nos peixes. Por outro lado, a enrofloxacina é quimicamente mais estável e pode produzir metabólitos persistentes e potencialmente tóxicos cuja ação não é neutralizada pela macrófita\", comentou a pesquisadora. Ela enfatizou que a planta não é uma solução simples para a poluição por antibióticos. O ponto é que, embora demonstre potencial, apresenta limitações importantes. Uma preocupação reside em como manejá-la após a absorção dos contaminantes. Se a biomassa não for devidamente removida e tratada, poderá liberar antibióticos de volta ao meio ambiente. \"O estudo demonstra que o problema é real, mensurável e complexo. E qualquer estratégia para resolvê-lo deve considerar não apenas a remoção do contaminante, mas também seus efeitos biológicos e ecológicos\", concluiu Evangelista. Mais Lidas",
"title": "Antibióticos são detectados em peixes no Rio Piracicaba e acendem alerta sobre contaminação ambiental"
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