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"textContent": "\nAs grandes petrolíferas globais estão não apenas reduzindo investimentos em energia limpa, mas também reformulando seu discurso para justificar a continuidade da expansão dos combustíveis fósseis — um movimento contraditório que ocorre em paralelo ao agravamento da crise climática. Levantamentos recentes indicam que, em 2025, os investimentos das gigantes do petróleo em tecnologias de baixo carbono caíram pela primeira vez em oito anos. De acordo com dados da BloombergNEF, divulgados pelo site EuroNews e pelo Climainfo, essas aplicações somaram cerca de US$ 26 bilhões — uma queda superior a 30% em relação aos mais de US$ 38 bilhões registrados em 2024. O valor é inferior, por exemplo, ao lucro líquido anual da ExxonMobil, que atingiu US$ 29 bilhões no mesmo período. No Brasil, a Petrobras reduziu em cerca de 20% os recursos previstos para transição energética até 2030. Saiba mais Discurso Essa retração financeira ocorre ao mesmo tempo em que as empresas ajustam sua comunicação pública. Uma análise da organização Clean Creatives aponta que companhias como BP, Shell, ExxonMobil e Chevron deixaram de enfatizar metas climáticas e passaram a defender o papel do petróleo e do gás como essenciais para a estabilidade econômica e a segurança energética. O relatório identifica uma transição clara: se no início da década essas empresas buscavam se posicionar como parte da solução climática, a partir de 2023 a narrativa passou a apresentar os combustíveis fósseis como indispensáveis. Tecnologias como captura e armazenamento de carbono (CCS) e gás natural liquefeito (GNL) são promovidas como soluções, apesar de críticas sobre sua eficácia, viabilidade e sobre a dependência estrutural das sociedades em relação aos combustíveis fósseis. Trata-se de uma nova fase do chamado “greenwashing”, dizem os especialistas. “Ao invés de fazer promessas falsas, as empresas promovem soluções falsas”, afirma a autora do estudo, Nayantara Dutta, ao apontar que a estratégia busca manter o setor lucrativo diante da pressão climática. Lucros altos Mesmo com resultados financeiros robustos, a priorização da transição energética segue limitada. As petrolíferas respondem por apenas 1,4% dos investimentos globais em energias renováveis — um patamar já considerado baixo e que agora encolhe ainda mais. Há exceções, porém. Empresas como a Repsol e a Saudi Aramco mantiveram aportes de cerca de US$ 4 bilhões em tecnologias de baixo carbono em 2025. Ainda assim, os valores contrastam com os lucros: a Aramco, por exemplo, registrou impressionantes US$ 105 bilhões no ano. Guerra e petróleo O contexto geopolítico atual contribui para aprofundar ainda mais essa trajetória. A guerra no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e do gás. A ExxonMobil, por exemplo, acelerou projetos na Guiana, onde já alcança produção superior a 900 mil barris por dia. Já a TotalEnergies decidiu redirecionar cerca de US$ 1 bilhão que seria destinado à energia eólica offshore nos Estados Unidos para projetos de petróleo e gás, incluindo liquefação no Texas e expansão no Golfo do México. Saiba mais Crise climática Enquanto cresce a pressão internacional por descarbonização, em debates recentes na COP30, em Belém, mais de 90 países chegaram a apoiar um roteiro global para reduzir o uso dessas fontes, mas o tema acabou esvaziado no acordo final da conferência. Deste movimento, nasceu a Primeira Conferência Internacional para a Eliminação dos Combustíveis Fósseis em Santa Marta, que será realizada na Colômbiade 28 a 29 de abril de 2026. O evento busca aprofundar o debate sobre um mapa do caminho para a transição energética com a saída dos combustíveis fósseis, algo que o Brasil também aposta em um movimento próprio pós-COP30. No entanto, relatórios indicam que grande parte das maiores empresas emissoras globais de gases de efeito estufa, causadores das mudanças climáticas, está ligada a países que resistem a medidas mais duras de transição. “O que estamos vendo é a desinformação climática evoluindo em tempo real”, afirma Dana Schran, da coalizão Climate Action Against Disinformation. Mais Lidas",
"title": "Incoerência climática: petrolíferas reformulam discurso para justificar continuidade dos combustíveis fósseis, denuncia novo estudo"
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