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"textContent": "\nUm comportamento das baleias descrito por marinheiros há mais de um século - e que inspirou o clássico da literatura Moby Dick, de Herman Melville -, mas nunca havia sido comprovado, acaba de ganhar confirmação científica. Pesquisadores da Universidade de St Andrews, do Reino Unido, registraram, pela primeira vez em vídeo, cachalotes (Physeter macrocephalus) dando cabeças umas nas outras. As imagens foram captadas com o uso de drones durante expedições realizadas entre 2020 e 2022 nos Açores, pertencente à Portugal, e nas Ilhas Baleares, na costa da Espanha. Initial plugin text “Foi realmente emocionante observar esse comportamento, que sabíamos que havia sido hipotetizado há muito tempo, mas ainda não documentado e descrito sistematicamente”, disse o autor principal, Alec Burlem, em comunicado. Ele continuou: “Essa perspectiva aérea única para observar e documentar o comportamento próximo à superfície é apenas uma das maneiras pelas quais a tecnologia de drones está transformando o estudo da biologia da vida selvagem. É empolgante pensar em quais comportamentos ainda não vistos poderemos descobrir em breve, bem como em como mais observações de cabeçadas podem nos ajudar a esclarecer as funções que esse comportamento pode desempenhar”. Em artigo publicado na revista Marine Mammal Science, a equipe de pesquisa relatou que as cabeçadas foram observadas principalmente entre indivíduos subadultos, e não entre machos adultos, como se supunha anteriormente. Saiba mais A descoberta levanta novas questões sobre o papel dessa interação na organização social dos grupos. Mas serão necessárias mais observações para compreender a função desse comportamento. Há especulações sobre se ele pode ter se originado de disputas físicas entre as baleias ou se pode ser uma prática comum na competição entre machos, mas ocorre submerso e, portanto, é difícil de observar a partir de embarcações. Além disso, acredita-se que o uso habitual da cabeça como arma provavelmente não foi favorecido pela evolução, pois colocaria em risco estruturas cranianas vitais para a produção de sons usados na ecolocalização e na comunicação social da espécie. O biólogo marinho Robert Harcourt, professor emérito da Universidade Macquarie e que não participou do estudo, disse à ABC News que a força gerada pelas cabeçadas vistas nas imagens era impressionante, mas provavelmente não causaria danos graves, a menos que fosse aplicada de forma excessiva. \"Baleias machos de muitas espécies colidem umas com as outras e podem causar ferimentos significativos — mas geralmente estão competindo pelo acesso a fêmeas no cio , o que não é o caso aqui\", observou. Ainda segundo o ele, o comportamento nos vídeos parecia uma brincadeira brusca, comum em quase todos os mamíferos jovens que vivem em grupos sociais. \"Todos os grupos taxonômicos, desde focas a veados, ovelhas, leões e humanos, passam muito tempo, quando jovens, brigando uns com os outros. E, às vezes, direcionando esse comportamento erroneamente para adultos — que então são rapidamente colocados de volta na linha\", complementou. Naufrágio do Essex O uso da cabeça por cachalotes para empurrar e golpear objetos tem sido relatado de forma anedótica desde a caça às baleias em barcos abertos no século XIX. O exemplo mais famoso é o do Essex, um baleeiro de 27 metros movido a vela que teria sido afundado por dois impactos frontais de um grande cachalote macho perto das Ilhas Galápagos em 1820. Foi este caso que inspirou Moby Dick. Owen Chase era o imediato do Essex, navio que foi afundado por uma baleia cachalote em 1820. Wikimedia: Associação Histórica de Nantucket Owen Chase, imediato do Essex, descreveu a força da cabeçada da baleia em um relato da época: \"Virei-me e o vi a cerca de 500 metros diretamente à nossa frente, vindo com o dobro da sua velocidade normal de cerca de 24 nós, e parecia ter dez vezes mais fúria e sede de vingança no seu semblante. As ondas voavam em todas as direções à sua volta com o violento e contínuo bater da sua cauda. A sua cabeça estava meio para fora da água, e foi assim que ele se aproximou de nós e atingiu o navio novamente\". Outros relatos semelhantes de navios baleeiros afundados por cachalotes incluem os naufrágios do Ann Alexander e do Kathleen, também no século XIX. Mais Lidas",
"title": "Moby Dick da vida real: pesquisadores registram pela primeira vez cachalotes trocando cabeçadas; assista"
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