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Havaí testa asfalto com plástico reciclado e redes de pesca para reduzir lixo

Um só Planeta [Unofficial] March 23, 2026
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O acúmulo de plástico nos oceanos e a dificuldade de reciclagem em regiões insulares leva pesquisadores a testar soluções. No Havaí, um grupo de cientistas está transformando redes de pesca abandonadas e resíduos plásticos urbanos em asfalto para pavimentação de ruas. O projeto, conduzido pelo Centro de Pesquisa de Detritos Marinhos (CMDR) da Universidade do Pacífico do Havaí, divulgado pelo site Phys, busca responder a uma pergunta: é ambientalmente seguro incorporar plástico reciclado em estradas? Inovação Desde 2020, o estado já utiliza o asfalto modificado por polímeros (PMA), que apresenta maior resistência a rachaduras, deformações e infiltração de água — características apropriadas para um clima tropical. A inovação agora é substituir parte desses polímeros por plástico reciclado, incluindo materiais de redes de pesca retiradas do oceano. “Equipamentos de pesca descartados são a maior fonte de detritos marinhos no Havaí”, afirma a pesquisadora Jennifer Lynch. Apenas um projeto de remoção já retirou 84 toneladas desse tipo de material do Pacífico. A proposta, no entanto, levanta preocupações ambientais. Um dos principais pontos de atenção é a possível liberação de microplásticos durante o desgaste do pavimento, o que poderia contaminar solos e cursos d’água. Resultados iniciais Para avaliar esse risco, os pesquisadores pavimentaram trechos experimentais na ilha de Oahu com diferentes composições de asfalto e, após cerca de 11 meses de uso, coletaram amostras de poeira das estradas. A análise mostrou que os pavimentos com plástico reciclado não liberaram mais polímeros do que o asfalto convencional. Embora partículas do tamanho de microplásticos tenham sido identificadas, poucas estavam associadas ao plástico reciclado. Isso ocorre porque o material plástico é incorporado ao asfalto fundido, formando uma estrutura com rocha, o que reduz a presença de partículas plásticas isoladas. Outro dado relevante reforça a complexidade da questão: o desgaste de pneus aparece como uma fonte muito mais significativa de polímeros no ambiente do que o próprio asfalto. “Observamos que o desgaste dos pneus supera em muito a presença de polietileno”, afirma Lynch ao site Phys, ao descrever os resultados laboratoriais. Economia circular Além do potencial ambiental, a iniciativa também responde a um desafio logístico típico de ilhas: o alto custo de transporte e descarte de resíduos. Reutilizar o plástico localmente pode reduzir emissões, custos e a dependência de aterros. Ainda são necessários estudos adicionais para avaliar a durabilidade e o desempenho a longo prazo do material. Mesmo assim, os pesquisadores veem na solução um caminho promissor. “Algumas pessoas dizem que a reciclagem de plástico não funciona. Mas este trabalho mostra que ela pode funcionar quando a sociedade prioriza a sustentabilidade”, conclui Lynch.

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