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De calor recorde a chuvas intensas: eventos extremos de março nos EUA refletem a intensificação das mudanças climáticas

Um só Planeta [Unofficial] March 22, 2026
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Chuvas torrenciais no Havaí, tempestades de neve em diversas partes do país e onda de calor na costa oeste. O mês de março nos Estados Unidos tem sido marcado por eventos climáticos extremos. Este mês é tradicionalmente conhecido pela imprevisibilidade climática. O principal fator por trás disso, conforme relatado pelo The Guardian, é a corrente de jato, uma corrente de ar que se move rapidamente nas camadas superiores da atmosfera e que, por vezes, pode tornar-se bastante ondulatória, tendo como consequência diferentes extremos simultaneamente em diferentes partes do país. “A onda de calor no oeste, que ocorre ao mesmo tempo em que as temperaturas caem drasticamente no leste, são duas coisas relacionadas”, disse disse Jon Nese, chefe associado do Departamento de Meteorologia e Ciências Atmosféricas da Penn State. Saiba mais O ponto é que este ano tudo está mais intensificado. Califórnia, Nevada e Arizona, por exemplo, estiveram sob alertas de calor nos últimos dias devido às temperaturas escaldantes - no Deserto de Yuma, no Arizona, os termômetros marcaram 43ºC na última quinta-feira (19), a temperatura mais alta já registrada em março nos Estados Unidos, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS). “O calor que está fazendo no oeste agora é muito incomum”, apontou Nese ao The Guardian. “Vários recordes de altas temperaturas serão batidos. Algumas temperaturas podem até superar os recordes de abril.” Ele continuou: “É provavelmente razoável dizer que esta onda de calor no oeste em março terá como marca as alterações climáticas”. Daniel Bader, gerente de programa do Consórcio para o Risco Climático no Nordeste Urbano, vinculado à escola de clima da Universidade Columbia, acrescentou que “essas são condições realmente sem precedentes.” Ele enfatizou que, embora seja difícil atribuir eventos individuais, as tendências mais amplas são mais claras: "As maiores conexões que podemos estabelecer estão relacionadas ao aumento da frequência e da intensidade dos eventos de calor extremo". E complementou que o aumento da temperatura pode intensificar as chuvas, já que uma atmosfera mais quente pode reter mais umidade, levando a precipitações mais intensas. De acordo com uma equipe de cientistas do Imperial College London, do Reino Unido, o calor escaldante dos últimos dias nos Estados Unidos teria sido “virtualmente impossível” sem a crise climática. A constatação foi que o aquecimento global tornou as ondas de calor quatro vezes mais prováveis na última década. “Essas temperaturas estão completamente fora da escala para março”, informou Ben Clarke, coautor da análise, citado pelo The Guardian. A cientista Friederike Otto, complementou: “As mudanças climáticas estão levando o clima a extremos que seriam impensáveis ​​em um mundo pré-industrial”. Importante citar que tudo isso está acontecendo no país enquanto o presidente Donald Trump desmantela as políticas climáticas, incluindo a anulação do chamado “endangerment finding”, uma conclusão científica de 2009 que reconhecia que os gases de efeito estufa, liberados principalmente pela queima de combustíveis fósseis para geração de energia, representam risco à saúde pública e ao bem-estar. Mundo todo é afetado Globalmente, muitas das consequências do aquecimento do planeta, incluindo tempestades mais intensas, aquecimento dos oceanos e derretimento das geleiras, estão chegando mais rápido e com mais força do que muitos cientistas previam, destaca reportagem do The New York Times. “Os principais impactos estão superando as previsões dos modelos em relação a eventos climáticos extremos, intensificação de furacões, desintegração das calotas polares e elevação do nível do mar”, afirmou Michael Mann, professor de Ciências Ambientais da Universidade da Pensilvânia. Otto alertou que "as coisas estão ficando realmente fora do que os humanos já viram". Segundo ela, quase todas as partes do mundo estão passando por esses eventos extremos.”

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