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  "textContent": "\nNo Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, organizações socioambientais promovem em Brasília uma mobilização para discutir o avanço da escassez hídrica no Cerrado, bioma responsável por abastecer algumas das principais bacias do país. A ação integra a campanha Cerrado Coração das Águas, que reúne entidades como WWF-Brasil, Instituto Sociedade, População e Natureza e Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia. O alerta vem acompanhado de dados preocupantes. Estudo conduzido pelo pesquisador Yuri Salmona, da Universidade de Brasília, analisou 81 bacias hidrográficas do Cerrado entre 1985 e 2022 e identificou redução de vazão em 88% delas. A tendência pode se agravar: a projeção é de perda de 35% das reservas de água do bioma até 2050. “Precisamos frear a expansão da produção de commodities agropecuárias para exportação, que dependem de irrigação intensiva e pressionam o nosso bem comum”, afirma Salmona. Segundo o MapBiomas, mais da metade da vegetação nativa do Cerrado já foi desmatada, sendo este um dos principais fatores associados à queda na vazão dos rios. Entre os casos mais críticos está a bacia do Rio São Francisco, onde a vazão mínima de segurança caiu pela metade nas últimas décadas. O avanço da agropecuária intensifica essa pressão. Em 2024, 58,6% da água consumida no Brasil foi destinada à irrigação e à pecuária, de acordo com a Agência Nacional de Águas. Contaminação e impactos nas comunidades Além da escassez, cresce a preocupação com a contaminação da água. O país registrou 914 novos agrotóxicos em um único ano, segundo o Ministério da Agricultura, enquanto o Cerrado concentra o uso de cerca de 600 milhões de litros dessas substâncias anualmente. Em 2025, houve recorde de intoxicações: 9.729 casos, de acordo com levantamento da Repórter Brasil. Para comunidades tradicionais, os impactos já são visíveis. “Nossa comunidade está aqui há pelo menos 300 anos. Nos últimos 50, perdeu 97% de sua extensão, e 60 nascentes já morreram”, relata Elizete Barreto, de Correntina, no oeste da Bahia. Ela descreve a perda como algo que vai além do ambiental. “A água é o sangue da terra. Cada árvore derrubada e cada nascente que morre é um pouco da gente que seca também.” A proteção desses territórios é apontada como estratégica para a segurança hídrica. “Reconhecer os territórios dos povos e comunidades tradicionais do Cerrado é um passo essencial para conservar a biodiversidade e garantir água e clima estáveis no país”, afirma Isabel Figueiredo, do ISPN. Serrinha do Paranoá sob pressão A mobilização também chama atenção para a Serrinha do Paranoá, área que abriga 119 nascentes e integra a Área de Proteção Ambiental do Planalto Central. Um projeto aprovado pela Câmara Legislativa do DF prevê a transferência de 716 hectares ao Banco de Brasília, como parte de um plano de recapitalização. Organizações alertam que a possibilidade de novos empreendimentos na região pode comprometer a segurança hídrica do Lago Paranoá. Mobilização no Eixão A programação do dia 22 inclui uma roda de conversa no Eixão do Lazer, na altura da 204 Norte, com participação de especialistas como Mercedes Bustamante, além de Salmona e Isabel Figueiredo. Após o debate, haverá uma oficina aberta ao público. Serviço Roda de conversa sobre águas do Cerrado Data: Domingo, 22 de março (Dia Mundial da Água) Local: Choro no Eixo - Eixão do Lazer, altura da 204 Norte, Brasília (DF) Horário: 10h30 às 12h A ação no Eixão do Lazer conta com o apoio do Choro no Eixo. Oficina de lambe lambe Cerrado, Coração das Águas Mesmo local da Roda de conversa, das às 12h30 às 13h30 Mais Lidas",
  "title": "Cerrado perde água e mobilização em Brasília no domingo alerta para risco ao abastecimento"
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