Mulheres e meninas seguem sendo as que mais sofrem com impactos da crise global da água, alerta ONU
Um só Planeta [Unofficial]
March 20, 2026
Mulheres e meninas são as mais afetadas pela crise global da água e pela falta de saneamento, com impactos diretos sobre saúde, educação, renda e segurança alimentar. O alerta é de um novo relatório das Nações Unidas, que destaca a desigualdade estrutural no acesso à água como um entrave ao desenvolvimento social e econômico, especialmente em países de baixa renda. De acordo com o levantamento, divulgado pelo The Guardian, mulheres são responsáveis pela coleta de água em mais de 70% dos lares rurais sem acesso à rede encanada. Globalmente, mulheres e meninas dedicam cerca de 250 milhões de horas por dia a essa tarefa — um esforço que inevitavelmente reduz oportunidades de estudo, trabalho e autonomia econômica. A crise climática tende a agravar esse cenário. Ainda conforme o relatório, um aumento de 1°C na temperatura média global reduz a renda de famílias chefiadas por mulheres em 34% a mais do que aquelas lideradas por homens, além de elevar a carga de trabalho semanal feminina em cerca de 55 minutos adicionais, em comparação com os homens. Para a Unesco, que participou da elaboração do relatório, enfrentar essa desigualdade é essencial para avançar em desenvolvimento sustentável. “Garantir a participação das mulheres na gestão e governança da água é um motor fundamental de progresso”, afirmou o diretor-geral da entidade, Khaled El-Enany. “Quando as mulheres têm acesso igualitário à água, toda a sociedade se beneficia”. O estudo também aponta lacunas significativas de dados: muitos países ainda não produzem estatísticas desagregadas por gênero, o que dificulta a formulação de políticas públicas mais eficazes. Ainda assim, os autores afirmam que os dados disponíveis mostram um padrão claro de desvantagem feminina no acesso à água para consumo, higiene, preparo de alimentos e atividades agrícolas. A precariedade do saneamento básico agrava ainda mais o quadro. Estimativas indicam que cerca de 10 milhões de adolescentes em 40 países deixaram de frequentar a escola, trabalhar ou participar de atividades sociais entre 2016 e 2022 por falta de banheiros adequados. Em 2024, mais de 2,1 bilhões de pessoas ainda não tinham acesso seguro à água potável, enquanto 3,4 bilhões viviam sem saneamento adequado. Além disso, mulheres seguem sub-representadas nas decisões sobre gestão da água e direitos fundiários, frequentemente vinculados à posse da terra. Em muitos países, homens detêm o dobro das propriedades rurais em comparação com mulheres, o que limita ainda mais a capacidade feminina de influenciar o uso de recursos hídricos. Saiba mais Organizações da sociedade civil também alertam para os riscos associados à escassez. Segundo a WaterAid, a falta de água e saneamento em unidades de saúde contribui para mortes evitáveis durante o parto, enquanto longas caminhadas para coleta de água aumentam a exposição à violência de gênero. Experiências locais mostram, no entanto, que a inclusão feminina pode transformar realidades. Em comunidades rurais do Quênia, iniciativas que envolveram mulheres na perfuração de poços e na gestão de recursos hídricos resultaram em melhora na saúde infantil, geração de renda e fortalecimento comunitário. Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere