{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreihltp53ke2a53vkccy4d6tlonavoh2iqzj44twm6povbjin5y7s5m",
    "uri": "at://did:plc:vsctb4wfj3vrjth7evwvyzcv/app.bsky.feed.post/3mhey5n6bnja2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreigk2tegsonfcfat77q6w6uk6yndha4hftqucu2mytdq6nvlosxxoq"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 306579
  },
  "path": "/clima/noticia/2026/03/18/nova-plataforma-global-mapeia-riscos-e-testa-solucoes-para-enfrentar-face-invisivel-mas-mortal-da-crise-climatica-o-calor-extremo.ghtml",
  "publishedAt": "2026-03-18T11:01:03.000Z",
  "site": "https://umsoplaneta.globo.com",
  "tags": [
    "umsoplaneta"
  ],
  "textContent": "\nO avanço do calor extremo nas cidades, intensificado pela crise climática e pela urbanização, já pressiona sistemas de saúde, infraestrutura e a economia urbana. Esse cenário tende a se agravar, com o planeta aquecendo em ritmo mais acelerado na última década, quase o dobro da taxa registrada desde os anos 1970, segundo estudo recente do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático. Diante desse contexto, o World Resources Institute (WRI), organização internacional que pesquisa soluções para enfrentar desafios ambientais, climáticos e urbanos, lança nesta quarta-feira (18) o Cool Cities Lab, uma plataforma global que combina dados e simulações para ajudar gestores públicos a identificar riscos ligados às altas temperaturas e testar soluções de resfriamento. A ferramenta reúne informações detalhadas, quarteirão a quarteirão, e permite que cidades avaliem desde a exposição ao calor até o impacto potencial de intervenções como arborização, sombreamento e superfícies refletivas, como cool roofs, telhados claros que refletem mais radiação solar e absorvem menos calor. Entre as mais de 20 cidades já incluídas estão seis brasileiras: Teresina, Florianópolis, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Campinas. “O calor extremo é um desastre natural invisível, mas cada vez mais frequente e intenso. E nas cidades ele é amplificado pela concentração de pessoas e pelo efeito de ilha de calor urbano”, afirma Eric Mackres, gerente de Dados e Ferramentas do WRI, em entrevista por videochamada com Um Só Planeta. Segundo ele, os impactos da alta do termômetro, associada à queima massiva de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão, vão muito além do desconforto térmico. “Estamos falando de aumento de mortalidade e hospitalizações, perda de produtividade e renda, além de danos à infraestrutura, tanto natural quanto construída, que não foi projetada para lidar com essas condições extremas”, acrescenta. Com mais de metade da população mundial já vivendo em cidades — cerca de 4,4 bilhões de pessoas —, o risco de exposição ao calor extremo ganha dimensões críticas. Até 2050, outros 2,5 bilhões de habitantes devem se somar às áreas urbanas, elevando para cerca de dois terços a parcela da humanidade vivendo em cidades, com mais de 90% dessa expansão concentrada na África e na Ásia. Hoje, o calor extremo está associado a cerca de meio milhão de mortes por ano no mundo, número que pode crescer até 50% até 2050. Para agravar, o fenômeno das ilhas de calor faz com que áreas urbanas aqueçam até o dobro da média global, ampliando os riscos à população. Ou seja, à medida que o calor e as ameaças associadas a ele aumentam nas cidades, é nelas também que as soluções precisam ganhar escala. Também participam da plataforma cidades dos Estados Unidos, como Boston e Atlanta; do México, com Hermosillo, Cidade do México e Monterrey; e da África do Sul, com Cidade do Cabo, Durban e Joanesburgo. A lista inclui ainda Amsterdã, Barcelona, Bhopal, Buenos Aires, Jacarta, Londres e Nairóbi. Saiba mais Desigualdade ambiental dentro das cidades Longe de ser um fenômeno homogêneo, o calor se distribui de forma desigual nas cidades, refletindo diferenças sociais e estruturais. Um dos principais diferenciais da plataforma recém-lançada, inclusive, é olhar para essa desigualdade. “Dentro das cidades, há uma combinação de fatores físicos e sociais que amplificam o risco. Áreas com menos sombra, mais superfícies que absorvem calor e menor acesso a refrigeração expõem mais as populações vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas de baixa renda. O sistema permite priorizar essas áreas historicamente negligenciadas e então simular o impacto de intervenções nesses locais”, diz Mackres. O especialista destaca que os riscos relacionados ao calor podem variar substancialmente de um quarteirão para o outro, mas a maioria dos tomadores de decisão ainda trabalha com dados imprecisos que escondem essa variação. Segundo ele, a plataforma Cool Cities Lab tem uma granularidade que permite cruzar informações físicas — como presença de árvores, materiais urbanos e densidade construída — com fatores sociais. Do diagnóstico à ação Além de mapear riscos, o Cool Cities Lab busca resolver outro problema recorrente nas políticas urbanas: o desafio de transformar dados em ação. “Muitas cidades já têm uma noção geral do risco de calor, mas não sabem exatamente o que fazer ou quais seriam os impactos das soluções. Agora conseguimos mostrar, de forma muito específica, onde intervir e quais benefícios esperar”, disse Mackres. Em Florianópolis, por exemplo, a ferramenta indica que o plantio de cerca de 7,7 mil árvores poderia reduzir em média 1,3 °C o estresse térmico para pedestres, chegando a até 9 °C em áreas sombreadas. Já em Teresina, a projeção é de queda de até 2,5 °C no estresse térmico com a criação de corredores verdes. “É uma ferramenta que ajuda a construir o argumento para ação, nos permitindo dizer ‘vamos plantar árvores aqui, e este será o impacto’. Isso é essencial para mobilizar recursos e priorizar políticas de adaptação climática”, afirmou. Embora as soluções destacadas, como arborização e telhados frios, sejam relativamente conhecidas, sua implementação em larga escala ainda enfrenta desafios, observa Mackres. “Plantar árvores pode parecer simples, mas garantir que elas cresçam e forneçam sombra exige manutenção, água e tempo. Não é algo que você faz uma vez e esquece.” Por outro lado, intervenções como superfícies claras podem gerar efeitos mais rápidos. “Em alguns casos, pintar telhados ou ruas com cores claras já produz resultados imediatos. Mas escalar isso para toda a cidade exige coordenação e vontade política\", pondera. Imagem da tela da plataforma mostra análise de sombras de prédios e árvores em Florianópolis (SC). Divulgação WRI Soluções integradas e informação acessível Embora o foco da plataforma seja o calor urbano, há conexões com outros riscos climáticos, como enchentes, especialmente quando se trata de soluções baseadas na natureza. “Intervenções como aumento de áreas verdes e superfícies permeáveis podem ajudar tanto a reduzir o calor quanto a melhorar a absorção de água”, diz o especialista. O avanço das temperaturas também expõe fragilidades de infraestruturas urbanas envelhecidas, desde vias e edifícios a redes de energia e pontes. “Já estamos ultrapassando limites considerados em projetos de engenharia. Muitas estruturas não foram desenhadas para essas temperaturas”, alerta Mackres. Ele explica, porém, que esse ainda é um ponto fora do escopo direto da plataforma. “O Cool Cities Lab não analisa especificamente o impacto sobre infraestrutura, e essa é uma área que ainda precisa de mais pesquisa no geral.” Um dos pilares do projeto é a democratização do acesso à informação. A plataforma é gratuita, de código aberto e construída majoritariamente com dados globais, como imagens de satélite e bases colaborativas. “O sistema não depende de dados fornecidos pelas cidades. Isso permite gerar análises para praticamente qualquer lugar do mundo, inclusive onde há pouca informação disponível”, explicou Mackres. A escolha também busca evitar que apenas cidades com mais recursos tenham acesso a esse tipo de tecnologia. “Queremos garantir que não sejam só as maiores ou mais ricas cidades que possam usar essas informações, mas qualquer cidade que esteja enfrentando o problema.” Eric Mackres, gerente de Dados e Ferramentas do WRI. Divulgação WRI Capacitação e próximos passos Além da plataforma, o WRI atua com programas de capacitação, como o Acelerador de Soluções para o Calor Urbano, que apoia cidades no desenvolvimento de projetos e acesso a financiamento. A expectativa de expansão é promissora, com mais de 100 cidades manifestando interesse em integrar o sistema, conta Mackres ao Um Só Planeta. “Sabemos que a demanda só vai crescer. O desafio agora é ampliar o alcance sem perder a qualidade do suporte e garantir que os dados sejam realmente usados para gerar ação”, defende. Diante de ondas de calor cada vez mais frequentes e de cidades que não foram projetadas para enfrentá-las, o WRI espera que dados mais precisos e acessíveis acelerem respostas dos gestores e planejadores urbanos. Mas, como ressalta o pesquisador, a tecnologia por si só não resolve, o impacto dependerá de vontade e ação pública. “No fim, a ferramenta é tão poderosa quanto as decisões que são tomadas com base nela. A priorização das áreas e soluções ainda depende de escolhas políticas”, crava. Siga o Um só Planeta: Mais Lidas",
  "title": "Nova plataforma global mapeia riscos e testa soluções para enfrentar face 'invisível', mas mortal, da crise climática: o calor extremo"
}