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COP15: Brasil vai lançar pesquisa para mapear espécies migratórias e suas rotas

Um só Planeta [Unofficial] March 17, 2026
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Em uma ação conjunta entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o Ministério de Ciência e Tecnologia, devem ser anunciados na COP15, em Campo Grande este mês, editais de pesquisa que vão permitir ao país atualizar o que se sabe sobre o número de espécies migratórias ameaçadas, suas rotas pelo território nacional e áreas consideradas essenciais para estes peixes, aves, mamíferos e outros. O Brasil sedia entre 23 e 29 de março a COP15 das espécies migratórias, uma conferência das Nações Unidas (ONU) que vem reunindo informações e direcionando ações em escala global para a proteção de animais que costumam mudar de território anualmente. Saiba mais A informação foi confirmada a Um Só Planeta pelo presidente da COP15, o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco. O Brasil possui hoje 111 espécies listadas nos anexos da CMS, sigla para a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres, esfera com a participação de 133 países-membros da ONU que trabalha o tema e se reúne a cada três anos. Em 2026, a sede será a capital sul-mato grossense, Campo Grande. “Um dos objetivos da COP é avançar neste tema. Para isso, vamos lançar um edital para aprofundar o conhecimento sobre espécies migratórias e conhecer melhor espécies eventualmente não identificadas”, afirma Capobianco. A diferença entre COP30 e COP15 A sigla COP é usada para qualquer Conferência das Partes realizada no âmbito das Nações Unidas, que possui grupos de trabalho em diversas frentes. No caso da COP30, em Belém, no último ano, foi a 30ª reunião dos países-membros da ONU para tratar da mudança climática. Já a cúpula que acontecerá este mês reúne representantes que discutem a preservação de espécies migratórias e seus ambientes pela 15ª vez, por isso COP15. Em outubro, será a vez dos grupos ligados à biodiversidade se reunirem na COP17 da biodiversidade. Cada ambiente diplomático-científico da ONU faz suas conferências, ou COPs. Objetivos da COP15 no Brasil Capobianco vai presidir os trabalhos de uma conferência menor e mais técnica que a cúpula realizada na Amazônia em 2025. O público ainda é formado majoritariamente por pesquisadores e agentes públicos, ainda que os temas discutidos tenham potencial de implicar grandes setores privados, como o de energia, em um futuro próximo. Uma das forças-tarefas da conferência analisa a relação entre infraestrutura de energia e rotas migratórias, o que coloca um holofote sobre impactos dos campos de energia eólica na terra e futuramente nas águas brasileiras, bem como os efeitos de fazendas de energia solar, que pode ter alto impacto sobre aves migratórias com o reflexo causado pelos painéis, provocando desorientação nas aves migratórias. g1 em 1 Minuto Mato Grosso do Sul: Campo Grande irá sediar COP15 Dois resultados práticos importantes que estão na pauta da presidência brasileira da COP15 serão a atualização das listas de espécies migratórias, e quais estão ameaçadas; e ainda, a formação de acordos entre países da CMS e eventualmente acionamento de nações que não participam da cúpula, mas têm territórios importantes para estes animais. Um exemplo destas políticas em prática é a criação recente do Parque Nacional Marinho do Albardão, além de uma Área de Preservação Ambiental anexa, no município de Santa Vitória do Palmar (RS). A definição do traçado dos territórios protegidos considerou a preservação de corredores marinhos e terrestres em relação a possíveis instalações de energia eólica na região no futuro. Somadas, as áreas devem conservar mais de 1,6 milhão de hectares sob supervisão do ICMBio. Região do Albardão é uma das mais importantes para a manutenção da biodiversidade do Atlântico Sul. Acervo NEMA “Garantimos um corredor de 106 quilômetros de área protegida, livre de qualquer interferência”, ressalta o secretário-executivo do MMA. Falta de dados sobre espécies migratórias Foi apenas recentemente, no ano de 2024, que a CMS publicou seu primeiro relatório global de referência, “Estado das Espécies Migratórias do Mundo”, reunindo os primeiros dados organizados sobre quais são estes animais e os primeiros status de conservação para cada um deles. Na COP15 de Campo Grande, um dos trabalhos centrais será atualizar este mapeamento. O Brasil levará suas atualizações à cúpula, mas ainda carece de um levantamento próprio de abrangência. O edital científico que deve ser anunciado na conferência vem justamente para preencher esta lacuna, afirma Capobianco. Entre inúmeros animais brasileiros que compõem as listas de espécies migratórias, estão a onça-pintada, tartarugas-marinhas, baleias e diversas aves e peixes, como o pintado. “Essa é uma questão que exatamente é um dos motivos que nós defendermos junto ao Governo Federal que o Brasil se oferecesse a sediar essa COP, a ideia que devemos ampliar o conhecimento das espécies migratórias no país e suas rotas”, coloca o presidente da cúpula. “São aproximadamente 1.100 espécies nos dois anexos da CMS. Diria que o Brasil possui pouco mais de 10% das espécies atualmente listadas.” Um relatório intermediário publicado este ano, que atualiza o Estado das Espécies Migratórias do Mundo (2024), alerta que 49% das populações de espécies migratórias conservadas por algum tratado global da ONU estão em declínio, uma alta de 5% em apenas dois anos. E ainda, do total de espécies listadas, 24% enfrentam perigo de extinção, um aumento de 2% em relação ao levantamento anterior. Mais Lidas

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