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  "textContent": "\nUma formação rochosa de cerca de 40 quilômetros no rio Tocantins, conhecida como Pedral do Lourenço, é um novo embate socioambiental na Amazônia. Comunidades ribeirinhas, pescadores artesanais e movimentos sociais protestam, nesta quinta-feira (12), contra o projeto de derrocagem, que é a explosão de rochas submersas para abrir passagem a grandes embarcações de carga, que pretende ampliar a navegação na hidrovia Araguaia-Tocantins. A intervenção, autorizada pela Justiça Federal em dezembro de 2025, prevê detonações regulares ao longo de três anos para criar um canal de aproximadamente 100 metros de largura destinado ao transporte de comboios fluviais, principalmente, ligados ao escoamento de commodities agrícolas e minerais. A manifestação bloqueou a Rodovia Transamazônica, no km 35, entre as cidades de Itupiranga e Marabá, no sudeste do Pará. Para moradores e organizações sociais, no entanto, a obra ameaça um dos principais ambientes de reprodução de peixes do rio Tocantins. “O Pedral do Lourenço tem uma importância extrema para a reprodução dos peixes no rio Tocantins. Em seus 40 quilômetros de extensão, muitas espécies fazem a sua reprodução ali e existem espécies que só existem nessa região”, ressalta a advogada popular e membro da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Jaqueline Damasceno. O principal questionamento das comunidades está relacionado à qualidade dos estudos ambientais apresentados para viabilizar o empreendimento. “O Estudo de Impacto Ambiental não dimensiona corretamente qual vai ser o impacto sobre essa fauna aquática e também não dimensiona corretamente qual vai ser o impacto sobre a pesca, que é o meio de sobrevivência de milhares de comunidades ao longo do rio Tocantins”, diz. A pesca artesanal é uma das principais fontes de renda e alimento para comunidades ribeirinhas da bacia Araguaia-Tocantins. Estudos indicam que apenas no estado do Tocantins cerca de 4.500 pescadores atuam no rio Araguaia, operando mais de duas mil embarcações, enquanto mais de sete mil pescadores estão registrados em colônias de pesca distribuídas ao longo da região. Os números estão estimados em estudos e dados oficiais de órgãos públicos. Falhas em estudos ambientais De acordo com o MAB, além de lacunas nos estudos ambientais, há um outro motivo de mobilização, que é recorrente: comunidades potencialmente afetadas também não teriam sido incluídas no processo de consulta. “As comunidades não foram consultadas. As comunidades do baixo Tocantins, que têm inclusive a cultura do Mampará, não foram sequer incluídas no projeto como comunidades atingidas”, afirma Damasceno. O mampará é um peixe tradicionalmente consumido na região e tem forte presença na cultura alimentar ribeirinha. Ainda de acordo com a advogada, pesquisas acadêmicas também teriam identificado inconsistências na avaliação de impactos ambientais. “Existe um estudo da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará que traz apontamentos sobre esses erros do Estudo de Impacto Ambiental”, acrescenta. Hidrovia e disputa logística O projeto de derrocagem do Pedral do Lourenço faz parte da estratégia de ampliação da hidrovia Araguaia-Tocantins, considerada peça importante do chamado Arco Norte, corredor logístico que integra áreas produtoras do Centro-Oeste e do Norte aos portos amazônicos. Fila de caminhões se forma na Rodovia Transamazônica (BR-230), entre Marabá e Itupiranga, após bloqueio Anna Mathis/Divulgação/MAB A ampliação da navegação permitiria o transporte de cargas em grande escala até o Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), cujo processo reduziria custos logísticos do agronegócio. Mais Lidas",
  "title": "Pedral do Lourenço: manifestação bloqueia Transamazônica no Pará contra explosões para obras de hidrovia no rio Tocantins"
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