Crise do petróle no Oriente Médio com guerra no Irã reacende debate sobre energia nuclear na Europa
Um só Planeta [Unofficial]
March 11, 2026
A escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços de petróleo e gás natural, e colocou em evidência a fragilidade da dependência europeia de combustíveis fósseis. Preços voláteis e importações caras reacenderam o debate sobre a energia nuclear como alternativa para garantir suprimento de eletricidade no continente. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na terça-feira (10) que a decisão da Europa de abandonar a energia nuclear foi um “erro estratégico” que agora ficou exposto com a guerra contra o Irã. "Essa redução na participação da energia nuclear foi uma escolha. Acredito que foi um erro estratégico para a Europa virar as costas para uma fonte de energia confiável, acessível e com baixas emissões", disse ela na abertura de uma cúpula sobre energia nuclear na França, citada pelo DW. Saiba mais E continuou: "No que diz respeito aos combustíveis fósseis, somos completamente dependentes de importações caras e voláteis. Isso nos coloca em desvantagem estrutural em relação a outras regiões". Von der Leyen ainda classificou a guerra como "um lembrete contundente" das vulnerabilidades decorrentes da dependência da importação de combustíveis fósseis. Ela anunciou um fundo de 200 milhões de euros (aproximadamente R$ 1,1 Von der Leyen e a meta de implementar pequenos reatores modulares (SMRs) em toda a UE até 2030 e harmonizar as regulamentações entre os Estados-Membros. O DW destaca que, ao contrário dos reatores tradicionais, que produzem cerca de 1.000 megawatts (MW), os SMRs produzem cerca de 300 MW, mas são mais acessíveis e mais rápidos de construir, pois podem ser produzidos em massa em fábricas. "A lógica é muito clara. Quando for seguro implantar, a implantação em toda a Europa tem que ser simples", observou von der Leyen. O presidente da França, Emmanuel Macron, propôs a padronização dos projetos de reatores em toda a Europa, uma medida que poderia beneficiar a gigante nuclear estatal francesa EDF, que perdeu contratos nos últimos anos. Na França, a energia nuclear responde por mais de dois terços da produção de eletricidade. "A energia nuclear é fundamental para conciliar a independência — e, portanto, a soberania energética — com a descarbonização e, consequentemente, a neutralidade de carbono", enfatizou Macron na cúpula. Ele complementou: "Podemos constatar isso em nosso contexto geopolítico atual: quando nos tornamos muito dependentes de hidrocarbonetos, eles podem se transformar em um instrumento de pressão, ou até mesmo de desestabilização". Mas a defesa da energia nuclear não ocorreu sem protestos. Dois ativistas do Greenpeace interromperam o início da cúpula, exibindo faixas com mensagens como “Energia nuclear = Insegurança energética” e “A energia nuclear alimenta a guerra da Rússia", e questionando a compra de urânio da Rússia, principal fornecedor mundial do minério. Mais Lidas
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