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  "textContent": "\nPeixes com cores fluorescentes, aves de plumagem intensa e répteis de tonalidades quase neon são comuns na natureza. Já entre os mamíferos, o padrão predominante é bem mais sóbrio, com cores como marrom, preto, cinza e branco. E por que isso acontece? São diversos os fatores que explicam. O primeiro está relacionado à expressão da cor. Matthew Shawkey, biólogo evolucionista da Universidade de Ghent, na Bélgica, disse à Live Science que os animais geralmente expressam a cor de duas maneiras principais: por meio de pigmentos e por meio de estruturas. Um sapo venenoso de morango na Costa Rica. Charlie Jackson/Flickr Um pavão-indiano (Pavo cristatus) e sua explosão de cores Pexels Os pigmentos existem na pele e na pelagem e refletem e absorvem a luz para criar determinadas cores. Já a coloração estrutural envolve formas e padrões em nanoescala na superfície da pele, penas ou escamas que podem distorcer a luz para produzir cores brilhantes e iridescentes. Os animais podem usar um ou os dois métodos. Mas os mamíferos não usam nenhum deles, de acordo com Shawkey. Neste grupo, diferentemente de muitos outros, há a dependência de praticamente um único pigmento para colorir seus pelos: a melanina. Quando ela está ausente, surgem áreas brancas, como as vistas em zebras e pandas. Uma rara zebra amelanística das planícies, Equus quagga, em um poço no vale Escondido. Parque Nacional Serengeti, Tanzânia. Getty Images Além disso, o próprio pelo contribui para restringir a diversidade de cores. Ao contrário de penas e escamas, ele não possui estruturas suficientemente complexas para gerar colorações estruturais intensas. Apesar da regra geral de cores discretas, alguns mamíferos apresentam tonalidades chamativas — mas geralmente em regiões sem pelos. Um exemplo conhecido é o mandril, cujos tons de vermelho e azul aparecem no rosto e no focinho, áreas onde não há pelagem. Já as preguiças que parecem esverdeadas não produzem essa cor por conta própria: o tom vem de algas que crescem em seus pelos. O mandril (Mandrillus sphinx) é um primata da família dos Cercopithecidae Pexels A influência da história evolutiva Outra parte da explicação sobre a falta de cores nos mamíferos pode estar na sua origem evolutiva. Uma hipótese amplamente discutida sugere que, durante o período em que os dinossauros dominavam os ecossistemas terrestres, os primeiros mamíferos ocupavam principalmente o papel de presas. Para sobreviver, muitos deles adotaram hábitos noturnos, passando mais de 100 milhões de anos ativos principalmente no escuro. Nessa condição, cores vibrantes ofereceriam pouca vantagem e poderiam até aumentar o risco de detecção por predadores. \"Qualquer cor brilhante teria sido eliminada pela seleção natural\", apontou Shawkey, que co-escreveu um estudo em 2025 comparando estruturas de armazenamento de pigmento chamadas melanossomas em mamíferos modernos com melanossomas preservados encontrados em seis fósseis de mamíferos dos períodos Jurássico e Cretáceo, à Live Science. Mesmo após a extinção dos dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos, os mamíferos mantiveram em grande parte uma paleta de cor restrita. Uma das razões pode estar na forma como enxergam o mundo. Muitos mamíferos possuem visão dicromática, ou seja, contam com apenas dois tipos de células sensíveis à cor na retina. Humanos e alguns outros primatas, por outro lado, têm visão tricromática, com três tipos dessas células, o que permite perceber uma gama mais ampla de cores. Pesquisadores acreditam que, ao longo da evolução, os mamíferos sacrificaram parte da capacidade de distinguir cores em troca de uma visão mais eficiente em ambientes pouco iluminados. Com menos cores perceptíveis, sinais visuais vibrantes se tornaram menos úteis para comunicação ou seleção de parceiros. Elefante africano Getty Images Comunicação por padrões Sem depender de cores fortes, muitos mamíferos evoluíram outras formas de sinalização visual. Contrastes marcantes — como preto e branco ou marrom e amarelo — podem cumprir funções importantes, desde alertar predadores até facilitar a comunicação entre indivíduos da mesma espécie. Gambás e furões utilizam padrões contrastantes para indicar que possuem mecanismos de defesa baseados em odores extremamente fortes. Já o cão-selvagem-africano apresenta manchas únicas e uma cauda branca que pode ajudar membros do grupo a se localizar durante a caça. O esquilo-gigante-indiano, por sua vez, exibe padrões de alto contraste em preto, marrom-avermelhado e amarelo-alaranjado, e pode usar isso como camuflagem contra vários tipos de predadores. Um gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) Diego Trillo / iNaturalist Onça-pintada Jami Tarris/GettyImages Fluorescência e iridescência Apesar da aparência geralmente discreta, pesquisas recentes indicam que os mamíferos podem ser mais coloridos do que se imaginava. Diversas espécies demonstram fluorescência quando expostas à luz ultravioleta — um fenômeno invisível ao olho humano, mas perceptível para alguns animais. Além disso, cientistas identificaram sinais de iridescência em certas espécies de roedores tropicais, revelando reflexos que variam conforme o ângulo da luz. Essas descobertas sugerem que ainda há muito a aprender sobre a diversidade visual dos mamíferos. Mesmo em um grupo conhecido por tons discretos, a natureza continua revelando surpresas sobre como a cor evolui e se manifesta no reino animal.",
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