Por que a maioria dos alimentos não causa alergia? Estudo encontra proteínas que “ensinam” o corpo a tolerá-los
Um só Planeta [Unofficial]
March 7, 2026
Comer um biscoito ou tomar um café parece trivial, mas envolve um processo biológico delicado: o sistema imunológico precisa reconhecer aquele alimento como seguro. Um estudo liderado por pesquisadores da Stanford University identificou três fragmentos de proteínas presentes em sementes que ajudam o organismo a desenvolver essa tolerância. Publicado na revista Science Immunology, o trabalho mostra que pequenos trechos de proteínas do milho, do trigo e da soja atuam como sinais para células reguladoras do sistema imune no intestino. Essas células, chamadas T reguladoras, recebem a “mensagem” de que o alimento é inofensivo e evitam uma reação inflamatória. Os pesquisadores analisaram células imunológicas de camundongos alimentados com uma dieta comum e rastrearam quais proteínas ativavam essa resposta de tolerância. O resultado foram três epítopos (pequenos fragmentos proteicos) todos vindos de proteínas de sementes, componentes abundantes na alimentação humana. O epítopo do milho gerou a resposta mais frequente das células T reguladoras, o que pode ajudar a explicar por que o cereal raramente provoca alergias. Já a descoberta de um fragmento da soja chamou atenção por outro motivo: a soja está entre os alimentos que mais causam alergias. Segundo os cientistas, entender como o organismo pode tolerar essa proteína abre caminho para possíveis terapias. Outro achado é que o receptor imunológico que reconhece a proteína da soja também reage ao gergelim, o que pode ajudar a explicar casos de tolerância cruzada, quando a aceitação de um alimento favorece a tolerância a outro. Hoje, alergias alimentares afetam cerca de 6% das crianças e até 4% dos adultos. Elas ocorrem quando o sistema imune identifica proteínas de alimentos como ameaças, ativando anticorpos e células inflamatórias que desencadeiam a reação alérgica. Para os autores, compreender o mecanismo oposto, nesse caso o da tolerância, pode abrir novas estratégias de tratamento. No futuro, dizem, pode ser possível desenvolver terapias baseadas em células T reguladoras programadas para ensinar o organismo a aceitar determinados alimentos. “Reconhecer corretamente os alimentos como seguros cria um ambiente anti-inflamatório que permite a absorção de nutrientes e evita alergias”, afirmou o pesquisador Jamie Blum, um dos autores do estudo. Mais Lidas
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