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  "textContent": "\nEm Breves, no arquipélago do Marajó (PA), a estudante Yasmin Soares, de 18 anos, transformou um desafio cotidiano da sua comunidade em uma solução ambiental simples e de baixo custo. Filha de agricultores e moradora da comunidade rural de São Tomé, ela lidera um projeto de compostagem que transforma resíduos orgânicos em adubo e incentiva hortas e práticas de educação ambiental nas escolas. A iniciativa nasceu dentro de um programa de inovação voltado a estudantes da rede pública e acabou se tornando um exemplo de como jovens da Amazônia podem desenvolver respostas locais para problemas ambientais. “Assumir esse papel de liderança não foi fácil. No começo eu senti medo, insegurança, pensei se realmente daria conta. Mas, ao mesmo tempo, foi uma das experiências mais transformadoras da minha vida”, conta Yasmin. A experiência mostrou que a juventude pode atuar diretamente na solução de desafios socioambientais. “Quando a gente começou o projeto e eu estava ali na frente apresentando a composteira, explicando como funcionava, eu percebi que não era só sobre separar resíduos ou falar de adubo. Era muito maior que isso. Era sobre mostrar que nós, como jovens, não precisamos esperar alguém de fora vir resolver os nossos problemas. A gente pode começar com o que tem, onde está”. O projeto propõe a criação de composteiras em escolas e a produção de adubo orgânico a partir de resíduos gerados na própria comunidade, com educação ambiental, segurança alimentar e redução do lixo. Para a estudante, a experiência reforçou o papel das mulheres nas transformações socioambientais. “Eu senti muito orgulho de estar representando os jovens, principalmente as jovens mulheres. Porque quando uma mulher ocupa um espaço de fala e decisão, ela abre caminho para outras também acreditarem que podem”. Yasmin afirma que, na Amazônia, os desafios ambientais fazem parte da vida cotidiana — e por isso mesmo estimulam o protagonismo das jovens. “Eu acredito muito que o papel das meninas e das jovens mulheres é essencial, principalmente aqui na Amazônia, onde a gente ainda vive de perto os desafios com lixo, saneamento e até com água de qualidade. Não é algo distante da nossa realidade — é algo que a gente vê, sente e vive todos os dias”. “Muitas vezes somos nós que estamos à frente das atividades da escola, dos projetos, das ações sociais e até dentro de casa, ajudando na organização e no cuidado com a alimentação da família. Isso faz com que a gente enxergue os problemas de forma muito prática”, ressaltou Yasmin. Na indústria Se na Amazônia o protagonismo feminino aparece em projetos comunitários e iniciativas educacionais, no setor industrial a presença de mulheres também tem crescido nas áreas ligadas à transição climática e à sustentabilidade corporativa. Na Braskem, uma das maiores petroquímicas do mundo, a agenda climática é conduzida por equipes cada vez mais diversas. Para a head de Desenvolvimento Sustentável da companhia, Roberta Manzini, ampliar a pluralidade nas decisões é um fator importante para lidar com os desafios da descarbonização. “A transição climática é, por natureza, um desafio multidisciplinar e de longo prazo — e, nesse contexto, equipes diversas e lideranças plurais contribuem para decisões mais completas, equilibradas e sustentáveis”, afirma. Segundo ela, a diversidade nas equipes ajuda a ampliar as perspectivas técnicas e estratégicas em processos complexos, como a transformação de cadeias industriais. “Essa pluralidade se reflete na forma como conduzimos temas-chave para o negócio. Ela contribui para enriquecer análises técnicas, integrar diferentes perspectivas e fortalecer nossa habilidade de conduzir transformações complexas”, diz. A executiva destaca que ampliar a presença feminina em áreas como clima, energia e sustentabilidade ainda exige mudanças estruturais dentro das organizações. “Os desafios para ampliar a presença de mulheres em posições estratégicas nessas áreas são, antes de tudo, estruturais. Esse cenário reflete a necessidade de remover barreiras culturais, ampliar oportunidades e garantir ambientes verdadeiramente inclusivos”. Head de Desenvolvimento Sustentável da Braskem, Roberta Manzini destaca que equipes diversas fortalecem decisões estratégicas na transição climática e na agenda de descarbonização da indústria Divulgação/Braskem Na empresa, iniciativas internas buscam ampliar essa participação. “Na área de Desenvolvimento Sustentável, por exemplo, contamos com 75% de mulheres na equipe. Esses dados refletem a construção de um ambiente de trabalho saudável, baseado em relações de confiança e na valorização da diversidade como um elemento essencial para o futuro da indústria”. Para Manzini, a diversidade também contribui para acelerar soluções ligadas à economia de baixo carbono. “Quando equipes de tomada de decisão reúnem pessoas com trajetórias, formações e perspectivas distintas, as análises tendem a ser mais completas e as soluções mais robustas”. Sociobioeconomia O protagonismo feminino também tem se ampliado nos territórios da sociobioeconomia brasileira. Levantamento do Instituto Conexões Sustentáveis (Conexsus) mostra que 296 mulheres ocupam cargos de direção em negócios comunitários ligados a cadeias da sociobiodiversidade. Ao todo, a organização acompanha 87 empreendimentos que reúnem cerca de sete mil mulheres formalmente associadas. O fortalecimento feminino também foi registrado em um contexto de crescimento dos próprios negócios comunitários. O faturamento anual dos empreendimentos apoiados cresceu mais de 22%, enquanto a receita total aumentou 26%. Segundo a analista Luciana Marcolino, do Programa Veredas de Assessoria a Negócios Comunitários da Conexsus, a presença feminina em posições de liderança tem impactos concretos na gestão dos territórios. “Nas cadeias da sociobiodiversidade, as mulheres sempre estiveram presentes em diversas etapas: na coleta, no beneficiamento, na organização da produção e no cuidado com a vida cotidiana das comunidades””, disse. “Nos territórios onde as mulheres passam a ocupar espaços de liderança, as transformações aparecem tanto na forma de organizar a produção quanto nas prioridades das decisões coletivas.” A sociobioeconomia tem sido apontada como uma das principais alternativas para conciliar conservação ambiental e geração de renda em regiões como a Amazônia. Analista em Gestão de Conhecimentos da Conexsus, Mari Rosa, considera que as mulheres acumulam saberes fundamentais para esse modelo econômico. “Elas participam ativamente do manejo de sementes, da produção de alimentos, do beneficiamento de produtos da floresta, da organização de quintais produtivos e da transmissão de conhecimentos entre gerações”. Por muito tempo essas atividades foram invisibilizadas. “Durante muito tempo essas atividades foram tratadas como extensões do trabalho doméstico e, por isso, pouco reconhecidas como parte da economia”. Saiba mais Desigualdades ainda limitam o avanço Apesar dos avanços, obstáculos estruturais ainda limitam a ampliação da liderança feminina nas cadeias produtivas da sociobioeconomia. Entre os principais desafios estão a sobrecarga de trabalho doméstico, a dificuldade de acesso a crédito e a baixa participação feminina em espaços de governança. “As mulheres acumulam atividades produtivas com o trabalho de cuidado, que sustenta a vida nas comunidades, mas raramente é reconhecido como parte da economia”, afirma Luciana Marcolino. Além disso, recursos estratégicos muitas vezes continuam concentrados nas mãos dos homens. “Em muitas situações, o crédito rural, os equipamentos produtivos e os documentos da terra estão registrados em nome dos homens. Isso significa que, mesmo quando as mulheres participam ativamente da produção, elas nem sempre têm autonomia sobre os recursos ou as decisões econômicas”. No entanto, a diretora executiva da Conexsus, Fabíola Zerbini, confia que ampliar o protagonismo feminino é parte central do desenvolvimento sustentável no país. “Falar de mulheres na sociobioeconomia é falar de inteligência econômica e de reparação histórica”, disse, seguindo. “Mais do que definir previamente qual deve ser o papel das mulheres na sociobioeconomia, o desafio para os próximos anos é garantir condições reais para que elas participem plenamente das decisões sobre o futuro dos territórios e das cadeias de valor.” Transformação Enquanto políticas públicas, iniciativas empresariais e organizações sociais discutem caminhos para ampliar a bioeconomia e a transição climática, histórias como a de Yasmin mostram que parte dessas transformações já está em curso dentro das comunidades. A estudante Yasmin Soares apresenta adubo produzido a partir de resíduos orgânicos coletados na comunidade de Breves, na região da Marajó, no Pará Arquivo/Instituto Mondó Na pequena composteira que começou a funcionar em sua escola, ela enxerga um exemplo de como mudanças podem surgir a partir de iniciativas locais. “Eu já senti na pele como é poderoso quando uma mulher descobre que a voz dela tem valor. Ela muda a postura, fala com mais firmeza, acredita mais em si”. “E quando várias meninas se unem com o mesmo propósito, a transformação acontece de verdade”. Mais Lidas",
  "title": "Mulheres ampliam liderança no setor de sustentabilidade e transição climática: da escola do Marajó à indústria de baixo carbono"
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