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"publishedAt": "2026-03-07T15:09:34.000Z",
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"textContent": "\nPor que humanos pré-históricos coletavam cristais se eles não serviam como ferramentas, armas ou joias? Esse enigma intriga arqueólogos há décadas. Agora, um experimento com chimpanzés sugere que a resposta pode estar muito mais fundo na história evolutiva do que se imaginava. Um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology mostra que chimpanzés demonstram um interesse espontâneo por cristais. Nos testes, eles não apenas preferiram essas pedras a rochas comuns como passaram longos períodos examinando suas formas e transparência. Cristais aparecem repetidamente em sítios arqueológicos associados a fósseis humanos. Há evidências de que hominínios os coletavam há pelo menos 780 mil anos. O curioso é que esses objetos não apresentam marcas de uso: não foram talhados, não serviram como ferramentas e tampouco como adornos. Para investigar o que torna essas pedras especiais, pesquisadores da Espanha realizaram experimentos com chimpanzés que vivem em contato com humanos na Fundação Rainfer. Em um dos testes, os cientistas colocaram sobre uma plataforma um grande cristal e uma pedra comum de tamanho semelhante. Saiba mais No início, os animais se aproximaram dos dois objetos. Pouco depois, a atenção passou a se concentrar no cristal. Os chimpanzés pegaram a peça, giraram em diferentes ângulos e a observaram cuidadosamente. Um deles chegou a carregar o cristal até o dormitório do grupo. Para recuperá-lo, os cuidadores precisaram trocá-lo por comida. Interação com pequenos cristais: chimpanzé aproximou o cristal do olho e o examinou com cuidado, repetindo a ação várias vezes por mais de 15 minutos. Frontiers in Psychology (2026) Em outra etapa do estudo, os pesquisadores misturaram pequenos cristais de quartzo com pedras arredondadas. Os chimpanzés conseguiram identificar e selecionar os cristais em poucos segundos. Mesmo quando os cientistas adicionaram cristais de formatos diferentes, como pirita e calcita, os animais continuaram separando as pedras cristalinas do restante. “O Monólito” usado no experimento é um cristal de quartzo alongado, com 3,3 kg e 35 cm de altura. Crédito: Aden Kahr. Os chimpanzés frequentemente levantavam os cristais até a altura dos olhos e olhavam através deles para observar a transparência. Em um dos episódios registrados pelos pesquisadores, uma fêmea chamada Sandy transportou várias pedras até uma plataforma de madeira e passou a separá-las, isolando os cristais dos seixos comuns. Para os cientistas, duas características parecem explicar a atração: a transparência e a geometria das superfícies. Na natureza, a maioria dos objetos — árvores, rios ou montanhas — apresenta formas curvas e irregulares. Cristais são raros porque exibem faces planas e ângulos bem definidos. Esse contraste pode chamar a atenção de cérebros treinados para reconhecer padrões no ambiente. Como humanos e chimpanzés se separaram evolutivamente há cerca de seis a sete milhões de anos, o fascínio por cristais pode ter surgido muito antes da própria espécie humana. Se essa hipótese estiver correta, a curiosidade por essas pedras pode representar um dos exemplos mais antigos de atração estética na história evolutiva dos primatas. Em outras palavras, a fascinação humana por cristais talvez não seja apenas cultural, pode estar escrita em nossa própria biologia. Mais Lidas",
"title": "Chimpanzés também se encantam por cristais — e isso pode explicar um mistério da pré-história humana"
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