Brasil pode registrar em 2025 a menor taxa de desmatamento desde 1985, diz Marina Silva
Um só Planeta [Unofficial]
March 7, 2026
O Brasil pode registrar neste ano a menor taxa de desmatamento desde 1985, quando começou o monitoramento por satélite na Amazônia. A afirmação foi feita pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, durante palestra na Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). No evento, organizado pelo Centro Acadêmico Visconde de Cairu (CAVC) e FEA ESG, a ministra apresentou o balanço das políticas ambientais do governo e os desafios da agenda climática. “Esse ano, pelos primeiros seis meses, com base nos dados, nós já vislumbramos a menor taxa de desmatamento desde 1985, quando foi criado o sistema de monitoramento por satélite”, afirmou. Segundo ela, o governo federal também estruturou políticas específicas para todos os biomas brasileiros. De acordo com Marina, a queda recente do desmatamento ocorre após um período de enfraquecimento das políticas ambientais. “Nós tivemos seis anos de desmonte, até o golpe fatal que foi durante os quatro anos em que a política ambiental foi desmontada”, disse. Ao retornar ao Ministério do Meio Ambiente pela terceira vez, aos 68 anos, a ministra afirmou que buscou retomar diretrizes estabelecidas ainda em sua primeira passagem pela pasta, no início dos anos 2000. Entre as prioridades da gestão, Marina destacou a reconstrução de mecanismos de participação social e do sistema de governança ambiental. Um dos exemplos citados foi o restabelecimento do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que havia sido esvaziado nos anos anteriores. “Era preciso reconstruir o CONAMA e recuperar os conselhos e instrumentos de participação social”, afirmou. A ministra também mencionou a retomada das conferências nacionais de meio ambiente e de programas voltados a jovens. A Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), processo de mobilização de todas as escolas brasileiras que possuem pelo menos uma turma dos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), por exemplo, cita a ministra, mobilizou cerca de 2,2 milhões de crianças e adolescentes em 2.700 municípios. Saiba mais Outro foco foi a recomposição da estrutura de fiscalização ambiental. Marina afirmou que, ao deixar o ministério em sua primeira passagem, havia cerca de 1.700 fiscais, número que caiu para 700, muitos próximos da aposentadoria. Foi, então, necessário fazer concurso público para completar o quadro. Segundo ela, foram incorporados 1.377 novos servidores, entre Ibama, ICMBio e outras estruturas da área ambiental. Ao longo da palestra, Marina defendeu que a política ambiental deixe de ser tratada como um tema isolado e passe a orientar decisões em diferentes áreas do governo. “A política ambiental não pode ser vista como setorial. Ela precisa perpassar todos os setores do governo, as empresas e até a nossa casa”, afirmou. Essa abordagem, segundo ela, está refletida no Plano de Transformação Ecológica, desenhado pelo Ministério da Fazenda com contribuição de outros ministérios, que inclui temas como transição energética, finanças sustentáveis, bioeconomia e economia circular. Redução do desmatamento e dos incêndios Com a retomada de políticas integradas entre ministérios e estados, o governo afirma ter reduzido o desmatamento na Amazônia e em outros biomas. Segundo Marina, o desmatamento caiu 50% na Amazônia, cerca de 32% no país e mais de 30% no Cerrado. A política de combate ao desmatamento envolve articulação entre diferentes áreas do governo. “Conseguimos fazer com que 13 ministérios trabalhassem juntos para combater o desmatamento”, afirmou. Ela também citou resultados no combate a incêndios florestais. Após episódios considerados graves em anos anteriores, a ministra afirmou que houve redução significativa em 2025, citando a queda de focos de incêndio da ordem de 98% no Pantanal, de 58% na Amazônia e de 35% no Cerrado. Financiamento climático e recuperação de áreas degradadas Outro eixo destacado pela ministra foi o financiamento de políticas ambientais e de transição ecológica. Segundo ela, o governo reativou o Fundo Amazônia, que tinha cerca de R$ 3 bilhões parados durante a gestão anterior. Desse montante, mais de R$ 2 bilhões foram executados até agora. Além disso, o governo criou mecanismos para ampliar investimentos privados em projetos ambientais. Uma das iniciativas foi a criação de um fundo garantidor associado ao Fundo Clima. “A gente põe um pouco do recurso público e consegue captar recursos privados. Só numa dessas chamadas conseguimos uma alavancagem de R$ 56 bilhões”, disse. A ministra também citou o lançamento de títulos sustentáveis para captar recursos e um plano para recuperação de áreas degradadas, com o objetivo de ampliar a produção agrícola sem avançar sobre florestas. “Em vez de expandir sobre a floresta, recupera as áreas degradadas e usa essas áreas para atividades produtivas com critérios de sustentabilidade”, afirmou. Pagamento por serviços ambientais - Marina também destacou programas voltados a populações tradicionais e povos indígenas que ajudam a conservar florestas. Um dos principais é o Bolsa Verde, que remunera famílias que vivem em áreas protegidas e mantêm práticas de conservação. Atualmente, cerca de 70 mil famílias recebem o benefício. “Tem seres humanos cujo estilo de vida em si mesmo protege a floresta, a biodiversidade e os recursos hídricos, que são as populações tradicionais e os povos indígenas”, afirmou. Segundo a ministra, também está em desenvolvimento um fundo internacional voltado à conservação de florestas tropicais, com participação de recursos públicos e privados. COP30 e metas climáticas A ministra também comentou as expectativas para a agenda climática internacional e para a participação do Brasil nas negociações globais. O país apresentou uma nova meta climática (NDC) que prevê redução de 59% a 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035. Segundo Marina, o Brasil também trabalha em um plano nacional para zerar o desmatamento até 2030, que deve ser apresentado como parte das discussões internacionais. “Estamos com o compromisso de apresentar o mapa do caminho para o fim do desmatamento, tanto internamente quanto globalmente”, afirmou. Mais Lidas
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