Brasil revela 'mega ninho' com 47 ovos de crocodilo da era dos dinossauros, em maior descoberta do tipo
Um só Planeta [Unofficial]
March 7, 2026
Uma descoberta feita no interior de São Paulo acaba de mudar o que se sabia sobre a reprodução de crocodiliformes que viveram ao lado dos dinossauros. Pesquisadores identificaram uma ninhada fossilizada com 47 ovos, a maior já registrada para esses répteis durante o período Mesozóico, era que terminou há cerca de 66 milhões de anos. O achado foi descrito em estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology, liderado pela paleontóloga Giovanna M. X. Paixão. Os fósseis foram encontrados em rochas do Grupo Bauru, uma das regiões mais ricas em fósseis do fim da era dos dinossauros na América do Sul. Ovos ficaram escondidos por 16 anos O afloramento onde estavam os ovos foi identificado em 2004 pelo paleontólogo William Nava, em Presidente Prudente (SP). Mas os ovos só apareceram em 2020. A escavação levou três temporadas de campo, entre 2021 e 2023. No local, os pesquisadores encontraram três ninhos fossilizados: um com 21 ovos; outro com 47 ovos, e um terceiro com 15 ovos. O ninho com 47 ovos é o maior já registrado para crocodiliformes do Mesozóico. Saiba mais Casca fina e formato alongado Os ovos têm formato elipsoidal e casca muito fina, com espessura entre 0,3 e 0,8 milímetro. A estrutura microscópica da casca é típica de ovos de crocodiliformes. Os cientistas acreditam que eles tenham sido postos por notossúquios, um grupo diverso de crocodiliformes que vivia principalmente em terra firme e era comum na região durante o Cretáceo Superior. Algumas características indicam que os ovos foram depositados em ambientes mais úmidos, o que pode apontar para espécies com hábitos semi-aquáticos. Estratégia reprodutiva inesperada A descoberta surpreendeu porque a maioria dos notossúquios conhecidos colocava apenas dois a cinco ovos por ninho, comportamento típico de espécies com poucos filhotes e maior investimento parental. Já crocodilos atuais podem colocar de 10 a 80 ovos. A ninhada com 47 ovos sugere que alguns crocodiliformes do Cretáceo tinham estratégias reprodutivas bem diferentes do que se imaginava. Os pesquisadores também consideram a possibilidade de ninhos comunais, com ovos postos por mais de uma fêmea. Um “berçário” pré-histórico A disposição dos ninhos indica que a área pode ter funcionado como um local de nidificação coletivo, usado repetidamente por diferentes espécies. Além dos crocodiliformes, análises em andamento apontam que o mesmo nível geológico contém ovos de dinossauros terópodes, grupo que inclui ancestrais das aves. Se confirmado, o sítio fossilífero de Presidente Prudente pode representar um dos mais diversos locais de reprodução de répteis do fim da era dos dinossauros já descobertos na América do Sul, um verdadeiro berçário pré-histórico preservado na rocha. Mais Lidas
Discussion in the ATmosphere