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Sem machos nem operárias: formiga usa clonagem para criar apenas rainhas e invadir outras colônias

Um só Planeta [Unofficial] March 4, 2026
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Uma espécie rara de formiga, descoberta no Japão, apresenta um sistema social diferente: todas as integrantes da colônia são rainhas. Sem machos nem operárias, essas formigas se reproduzem por clonagem e dependem de colônias de outras espécies para sobreviver. O caso foi descrito em estudo recente relatado pelo site Live Science e publicado na revista científica Current Biology. A espécie, chamada Temnothorax kinomurai, vive como parasita dentro de ninhos de outra formiga, a Temnothorax makora. As jovens rainhas invadem esses ninhos, atacam a rainha original e passam a controlar a colônia. A partir daí, as operárias da espécie hospedeira acabam criando a prole da invasora. De acordo com o biólogo Jürgen Heinze, da Universidade de Regensburg, na Alemanha, coautor do estudo, trata-se do “primeiro caso conhecido de uma espécie de formiga composta apenas por rainhas”. Clonagem Ao invés de se reproduzir sexualmente, as rainhas de T. kinomurai geram filhas geneticamente idênticas por um processo chamado partenogênese - no qual os ovos se desenvolvem sem fertilização. Para entender o funcionamento dessa estratégia, pesquisadores, liderados pela bióloga Keiko Hamaguchi, do Centro de Pesquisa Kansai, em Kyoto, coletaram colônias da espécie e acompanharam o desenvolvimento dos filhotes em laboratório. De 43 descendentes analisadas, todas eram rainhas — não surgiram machos nem operárias. Quando colocadas diante de novos ninhos de T. makora, algumas dessas rainhas conseguiram repetir o processo de invasão e estabelecer novas colônias, também formadas exclusivamente por rainhas. Saiba mais Incomum Segundo especialistas ouvidos pelo Live Science, duas estratégias já eram conhecidas separadamente entre formigas: a clonagem de rainhas e o parasitismo social, no qual uma espécie explora o trabalho de outra. O caso de T. kinomurai, porém, combina os dois mecanismos. Para o biólogo evolutivo Jonathan Romiguier, da Universidade de Montpellier, esse fato é surpreendente do ponto de vista evolutivo. Entre mais de 15 mil espécies de formigas conhecidas, nenhuma havia sido observada até agora reunindo essas duas estratégias. Embora a reprodução assexuada permita multiplicar rapidamente indivíduos geneticamente idênticos, ela também reduz a diversidade genética — algo que, em muitas espécies, pode ser compensado pelo trabalho de operárias geneticamente variadas. No caso de T. kinomurai, porém, essa divisão de trabalho desapareceu: as rainhas dependem completamente das operárias da espécie hospedeira para buscar alimento e cuidar da prole. Mais Lidas

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