Ataque ao Irã dispara preço do petróleo e reacende debate sobre dependência global de combustíveis fósseis
Um só Planeta [Unofficial]
March 3, 2026
O ataque de dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã entrou no seu quarto dia nesta terça-feira (3). Tudo começou no último sábado (28), quando o Líder Supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi assassinado em um ataque promovido por israelenses e estadunidenses. Em resposta, o Irã, que detém a terceira maior reserva de petróleo do mundo, bombardeou países como Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Omã, Arábia Saudita, Iraque e Israel. Esses bombardeios danificaram, entre outros, estruturas ligadas à indústria de petróleo e combustíveis fósseis. No Catar, as autoridades interromperam a produção de gás liquefeito (GNL), e, na Arabia Saudita, as operações da maior refinaria de petróleo do país foram paralisadas. Além disso, 150 navios transportando petróleo, gasolina, diesel e outros combustíveis ficaram ancorados no Estreito de Ormuz. Saiba mais Como consequência de todo esse cenário, houve uma disparada nos preços do petróleo. Reportagem da Reuters relata que, na segunda-feira (2), os contratos futuros do petróleo Brent subiram até 13%, atingindo US$ 82,37 o barril - o maior valor desde janeiro de 2025 -, antes de fecharem em alta de US$ 4,87, ou 6,7%, a US$ 77,74. O petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA fechou a US$ 71,23, alta de US$ 4,21, ou 6,3%. O índice de referência chegou a subir mais de 12%, atingindo US$ 75,33, o maior valor desde junho. De acordo com o banco JPMorgan, uma redução de três a quatro semanas no tráfego do Estreito de Ormuz poderia forçar os produtores do Golfo a interromper a produção e elevar o preço do Brent acima de US$ 100. O Observatório do Clima pontuou que o prolongamento do conflito pode lançar o preço do petróleo às alturas, com aumento da inflação e do custo de vida e possíveis repercussões eleitorais pelo planeta. “Isso expõe o real preço da nossa dependência de combustíveis fósseis. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022, e a inflação global disparou na esteira da alta do petróleo, 71 milhões de pessoas nos países em desenvolvimento foram empurradas para a pobreza, segundo o Fórum Econômico Mundial. Os lucros extraordinários das petroleiras na ocasião foram revertidos para seus acionistas e não para a transição energética. O mundo ficou mais pobre, mais inseguro e mais instável climaticamente”, salientou a entidade em comunicado. E continuou: “Em 2026 temos a chance de começar a quebrar esse ciclo perverso de violência, empobrecimento e crise climática galopante. O Brasil desenha um mapa do caminho para o fim gradual dos combustíveis fósseis, e a Colômbia sediará no mês que vem a primeira conferência internacional com esse objetivo. O sucesso de ambas as iniciativas é o melhor caminho para a paz duradoura no Oriente Médio e a redução do custo de vida”. Olivia Langhoff, diretora administrativa da organização 350.org, comentou que a nova guerra contra o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz “expõem os custos horrendos de um mundo preso aos combustíveis fósseis”. “Quando a segurança energética global pode ser abalada por um único ponto crítico, isso demonstra o quão instável e arriscada é nossa dependência do petróleo e do gás. A energia renovável fornece energia produzida internamente que permanece segura e acessível, independentemente dos choques geopolíticos”, ela destacou em comunicado. A 350.org está apelando aos governos para que acelerem a transição dos combustíveis fósseis para energias renováveis que fortaleçam as comunidades, protejam a Terra e reduzam a exposição à instabilidade global. “Mais uma vez, as famílias pagarão o preço por meio da inflação causada pelos combustíveis fósseis: custos de combustível mais altos, contas de energia crescentes e, consequentemente, alimentos mais caros. Tudo por causa de um sistema atrelado a uma indústria volátil e repleta de conflitos”, acrescentou Langhoff. Efeitos para o Brasil Os efeitos deste novo conflito poderão ser sentidos no Brasil - assim como aconteceu em relação à guerra da Ucrânia. O ponto, indica o Capital Reset, é que o país depende de GNL para fazer funcionar as usinas térmicas que entram em ação para garantir eletricidade quando as hidrelétricas não produzem o suficiente. Apesar desse gás não vir do Golfo Pérsico - e sim dos Estados Unidos -, o preço é afetado pelo mercado internacional e, também, pelo aumento da concorrência pelos carregamentos. E se a situação atual se estender, será garantia de problemas. “O impacto será principalmente na inflação, por conta do aumento do custo da energia elétrica”, disse Cassio Cardoso Carvalho, assessor político do centro de estudos independente do Inesc Brasil, ao site. Edmilson Moutinho, do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), complementou que “a transição energética para longe dos combustíveis fósseis não é apenas para reduzir emissões. É também uma agenda de segurança energética”. Mais Lidas
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