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Mudanças climáticas intensificaram em até 20% chuvas extremas que devastaram Minas Gerais, aponta estudo

Um só Planeta [Unofficial] February 27, 2026
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O estado de Minas Gerais, sobretudo as cidades de Juiz de Fora e Ubá, foi atingido nos últimos dias por chuvas excepcionalmente intensas, que provocaram inundações catastróficas, múltiplos deslizamentos de terra e ampla interrupção em áreas urbanas e rurais. O número de mortos já chega a 68 - sete pessoas ainda seguem desaparecidas. Uma nova análise publicada pelo ClimaMeter aponta que a tragédia foi potencializada pelas mudanças climáticas causadas pela ação humana e transformadas em um evento extremo de consequências fatais. “O impacto das mudanças climáticas sobre a precipitação e as inundações em Minas Gerais é caracterizado por uma combinação de aumento de eventos extremos de chuva e alterações nos padrões regionais, com implicações para drenagem urbana, agricultura e recursos hídricos”, diz o texto. E acrescenta: “Um clima mais quente tende a intensificar tanto eventos muito chuvosos quanto períodos secos, elevando o risco de enchentes e secas na região. Chuva causa destruição e deixa Matias Barbosa, em Minas Gerais, em estado de calamidade. © Prefeitura Matias Barbosa/Divulgação Pelos dados divulgados, Juiz de Fora registrou o fevereiro mais chuvoso de sua história até o momento, com volume superior a 240% da climatologia (170,3 mm), acumulando 229,9 mm entre 22 e 24 de fevereiro. “O aumento na frequência e na intensidade da precipitação extrema é uma das consequências esperadas das mudanças climáticas antropogênicas, e este evento de inundação está alinhado com essas expectativas”, disse uma das autoras, a brasileira Suzana Camargo, da Universidade de Columbia, dos Estados Unidos, em comunicado. Ela e seus colegas avaliaram, neste trabalho, como eventos meteorológicos semelhantes aos que provocaram as enchentes de fevereiro de 2026 se comportam no clima atual (1988–2025) em comparação com o período passado (1950–1987) na região. Para isso, foram utilizados dados ERA5 do Copernicus e métodos de análogos climáticos. A constatação foi que a precipitação em eventos comparáveis aumentou em até 6 mm por dia, o que representa condições cerca de 15% a 20% mais úmidas do que antes de o planeta aquecer 1,3°C. Saiba mais Segundo o ClimaMeter, as mudanças na pressão à superfície mostram sinal modesto, mas coerente, com condições atuais associadas à pressão ligeiramente mais alta em Minas Gerais do que no passado, sugerindo anomalias de baixa pressão um pouco mais fracas em eventos comparáveis hoje. A organização acrescenta que as temperaturas apresentam sinal claro e robusto de aquecimento, com aumentos entre +0,8°C e +1,5°C na região afetada, compatíveis com um clima de base mais quente. As mudanças na precipitação são espacialmente heterogêneas, mas indicam condições localmente mais úmidas no centro e leste de Minas Gerais, com aumentos que superam +3 a +5 mm por dia, coincidindo com áreas mais atingidas pelas enchentes. “Eventos semelhantes no passado indicam também uma redistribuição sazonal, com maior proporção de ocorrências análogas em fevereiro e março no período atual, sugerindo deslocamento para o fim do verão”, indica o documento. Em áreas urbanas, como Juiz de Fora e Sete Lagoas, as condições atuais tendem a ser mais quentes e chuvosas do que nos eventos passados, enquanto Patos de Minas apresenta aquecimento com sinal mais fraco ou ligeiramente reduzido de precipitação. Isso indica maior exposição das cidades ao risco de enchentes em situações meteorológicas semelhantes, principalmente devido ao aumento da intensidade da chuva sobre um clima já mais quente. Por fim, o ClimaMeter aponta que variabilidades naturais do clima, como a Oscilação Decadal do Pacífico, podem ter influenciado o evento. Assim, as diferenças observadas em relação ao passado provavelmente resultam de uma combinação entre mudanças climáticas induzidas pela ação humana e variabilidade natural. “A análise evidencia a necessidade de uma gestão de risco de desastres mais adaptativa e de fortalecimento da resiliência, uma vez que inundações mais intensas em um clima em mudança podem se mostrar devastadoras para um número crescente de pessoas vulneráveis e ativos não segurados” completou o autor Neven Fučkar, da Universidade de Oxford, dos Estados Unidos. Mais Lidas

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