{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreihe2yv3b5boubsugejjdhil5uyyuvx3opwmrqgffseewjn753t74y",
"uri": "at://did:plc:vsctb4wfj3vrjth7evwvyzcv/app.bsky.feed.post/3mfskz7ra5k62"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreib4otohhcsqdnl3kgt6ukrbfsbvjzcrxljupw6hhtm6yuilib3u3u"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 614715
},
"path": "/energia/noticia/2026/02/26/cientistas-investigam-conexao-entre-tempestades-solares-e-grandes-terremotos-entenda.ghtml",
"publishedAt": "2026-02-26T14:12:31.000Z",
"site": "https://umsoplaneta.globo.com",
"tags": [
"umsoplaneta"
],
"textContent": "\nPerturbações na ionosfera - a camada ativa da alta atmosfera terrestre - desencadeadas por intensa atividade solar, como erupções solares, podem exercer influência sobre regiões profundas da crosta terrestre e contribuir para o início de grandes terremotos. É o que sugere um modelo teórico desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão. A proposta não aponta para um método de previsão sísmica, mas apresenta um possível mecanismo físico que conecta o clima espacial a áreas geológicas prestes a se romper. Saiba mais Em comunicado, os autores do trabalho relataram que acredita-se que regiões fraturadas da crosta terrestre contenham água em temperaturas e pressões extremamente altas, possivelmente em estado supercrítico. Eletricamente, essas zonas fraturadas podem funcionar como capacitores - elas estão acopladas tanto à superfície da Terra quanto à baixa ionosfera, criando um vasto sistema eletrostático que conecta o solo à alta atmosfera. “Quando a atividade solar aumenta, a densidade de elétrons na ionosfera pode crescer significativamente. Isso pode produzir uma camada carregada negativamente na baixa ionosfera. Por meio do acoplamento capacitivo, essa carga pode gerar campos elétricos intensos dentro de vazios microscópicos em rochas fraturadas”, diz o texto. E acrescenta: “A pressão eletrostática resultante pode atingir níveis semelhantes às tensões de maré ou gravitacionais que já se sabe influenciarem a estabilidade das falhas”. De acordo com os cálculos da equipe, as perturbações ionosféricas associadas a grandes erupções solares — que envolvem grandes aumentos no conteúdo total de elétrons — podem criar pressões eletrostáticas de vários megapascais dentro dessas cavidades da crosta. Os pesquisadores salientaram que comportamentos ionosféricos incomuns têm sido frequentemente detectados antes de terremotos poderosos. Entre os fenômenos observados estão aumentos na densidade eletrônica, mudanças na altitude ionosférica e variações na propagação de distúrbios atmosféricos. Tradicionalmente, esses sinais são interpretados como efeitos causados pelo acúmulo de tensão na crosta terrestre. Mas o novo modelo acrescenta uma perspectiva diferente: sugere que a interação pode ocorrer em dois sentidos. Assim como processos geológicos internos poderiam afetar a ionosfera, perturbações atmosféricas também poderiam exercer retroalimentação sobre regiões profundas do planeta. A proposta, no entanto, não afirma que tempestades solares provoquem terremotos de forma direta. Os pesquisadores citaram eventos recentes no Japão, como o terremoto da Península de Noto, em 2024, ocorrido após um período de intensa atividade solar. Eles destacam, contudo, que coincidência temporal não estabelece relação de causa e efeito. O episódio é tratado apenas como compatível com a hipótese de que distúrbios ionosféricos possam atuar como elemento adicional em falhas próximas do ponto de ruptura. Trabalhos futuros combinarão tomografia ionosférica de alta resolução baseada em GNSS com dados detalhados de clima espacial. O objetivo é determinar quando e como as perturbações ionosféricas podem exercer efeitos eletrostáticos significativos na crosta terrestre. Mais Lidas",
"title": "Cientistas investigam conexão entre tempestades solares e grandes terremotos; entenda"
}