Racismo ambiental: glossário feito por crianças mostra como a crise climática afeta territórios vulneráveis no Brasil; baixe a publicação
Um só Planeta [Unofficial]
February 26, 2026
A crise climática é, rotineiramente, explicada em relatórios técnicos, reuniões demoradas e indicadores globais. Mas, em diferentes territórios brasileiros, ela é sentida de forma muito mais direta, objetiva e impactante — na água que não chega à torneira, no esgoto que corre diante de casa ou no clima inapropriado para estudar ou dormir. Essas experiências agora ganharam definição própria no glossário Pequenos grandes saberes: Um glossário climático pelo olhar de crianças e adolescentes, lançado pela organização internacional ActionAid. Baixe a publicação aqui. A publicação reúne conceitos, relatos e ilustrações produzidos por 350 crianças e adolescentes, entre 7 e 17 anos, moradores de áreas marcadas por vulnerabilidade socioambiental em seis estados brasileiros. Participaram jovens de territórios como o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, Heliópolis, em São Paulo, o território indígena Xakriabá, em Minas Gerais, comunidades rurais de Pernambuco, territórios quilombolas da Bahia e regiões de quebradeiras de coco babaçu no Tocantins. O material foi construído ao longo de três anos em oficinas de educação, não formais, conduzidas em parceria com organizações locais. A proposta era simples: perguntar às crianças como elas percebem as mudanças ambientais em seus próprios territórios, e permitir que respondessem com palavras, desenhos e experiências vividas. O resultado foge de definições acadêmicas tradicionais. Em vez de conceitos abstratos, surgem descrições ligadas ao cotidiano: falta de saneamento básico, ausência de áreas verdes, enchentes recorrentes e ondas de calor que tornam as casas quase inabitáveis. Outro ponto perceptível é a discussão sobre racismo ambiental, conceito que relaciona desigualdade racial e exposição desproporcional a riscos ambientais. “É essencial levar a educação ecológica ou ambiental a partir da perspectiva antirracista como contribuição para a educação brasileira. Afinal, as mudanças climáticas não atingem todo mundo do mesmo jeito, e as soluções precisam levar em conta a realidade de cada comunidade”, considera a diretora programática da ActionAid Brasil, Ana Paula Brandão. “O glossário é um potente instrumento educativo de mobilização e sensibilização para esse debate”. A especialista em Educação e Infâncias da ActionAid Brasil, Carolina Silva, explica que o projeto nasceu da percepção de que os jovens já identificavam injustiças ambientais, mas ainda não possuíam linguagem para descrevê-las. “O glossário nasce dessa necessidade de expressão e mostra a potência das nossas crianças e adolescentes e a riqueza dos saberes que compartilham”, diz. Mais Lidas
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