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Após a maior extinção da Terra, anfíbios gigantes dominaram os oceanos, mostram fósseis de 250 milhões de anos

Um só Planeta [Unofficial] February 26, 2026
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Há cerca de 252 milhões de anos, a Terra passou pela maior extinção em massa de sua história. Estima-se que até 90% das espécies marinhas desapareceram. O planeta entrou em um período de calor extremo, os ecossistemas colapsaram e a vida precisou recomeçar quase do zero. Agora, fósseis encontrados no noroeste da Austrália ajudam a contar como alguns animais aproveitaram essa brecha para conquistar os mares. Os restos foram coletados nas décadas de 1960 e 1970 na região de Kimberley, que hoje é um deserto remoto, mas que no passado era uma baía rasa ligada a um oceano imenso. Durante anos, o material ficou guardado em museus na Austrália e nos Estados Unidos, e praticamente esquecido. Em 1972, pesquisadores concluíram que os fragmentos de crânio pertenciam a uma única espécie de anfíbio marinho, batizada de Erythrobatrachus noonkanbahensis. Depois disso, parte dos fósseis se perdeu nas coleções. Só em 2024 eles foram redescobertos, permitindo uma nova análise com técnicas modernas, como escaneamentos 3D de alta resolução, e que parecia ser um único animal revelou uma surpresa. Os fragmentos pertenciam, na verdade, a pelo menos duas espécies diferentes de anfíbios marinhos. Uma delas era o próprio Erythrobatrachus. A outra fazia parte do gênero Aphaneramma. Saiba mais Esses animais pertenciam a um grupo chamado trematossaurídeos, parentes distantes de sapos e salamandras atuais. Tinham corpo alongado, aparência que lembra vagamente a de um crocodilo e podiam chegar a dois metros de comprimento. Eram predadores de topo logo no início da chamada Era dos Dinossauros, no começo do período Mesozóico. O crânio reconstruído de Erythrobatrachus indica um animal de cabeça larga, com cerca de 40 centímetros de comprimento só nessa parte do corpo, sinal de um predador robusto. Já o Aphaneramma tinha focinho mais comprido e estreito, provavelmente adaptado para capturar peixes menores. Viviam no mesmo ambiente, mas exploravam presas diferentes. A descoberta também mostra que esses anfíbios se espalharam rapidamente pelo planeta depois da extinção. Enquanto Erythrobatrachus só foi encontrado na Austrália, fósseis de Aphaneramma já apareceram em lugares tão distantes quanto o arquipélago de Svalbard, no Ártico, o extremo leste da Rússia, o Paquistão e Madagascar. Isso sugere que, nos primeiros milhões de anos após o colapso global, alguns vertebrados com patas, que originalmente viviam em terra, voltaram ao mar e se expandiram pelos litorais de supercontinentes então conectados. Em pouco tempo, ocuparam diferentes nichos e assumiram o papel de grandes predadores aquáticos. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology. Os fósseis redescobertos de Erythrobatrachus estão sendo devolvidos à Austrália. Outros exemplares de anfíbios do início da Era dos Dinossauros podem ser vistos no Swedish Museum of Natural History. Mais Lidas

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