Harpia no Pantanal reforça importância da preservação para sobrevivência da maior águia das Américas
Um só Planeta [Unofficial]
February 24, 2026
Um encontro, considerado raro, emocionou pesquisadores e chamou atenção para a conservação das grandes aves de rapina brasileiras. Uma harpia (Harpia harpyja), considerada a maior águia das Américas e uma das mais poderosas do mundo, foi registrada no fim de janeiro em área florestal do Maciço do Urucum, próximo a Corumbá (MS), no Pantanal sul-mato-grossense. O flagrante foi feito pelo biólogo e ornitólogo Lucas Morgado, que encontrou a ave em estado de alerta, com as penas da cabeça eriçadas — comportamento típico diante de possíveis ameaças ambientais. “Eu fiquei muito emocionado, pois encontrar esse animal é o sonho de qualquer apaixonado por aves. Sou biólogo ornitólogo e essa foi a primeira vez que vi a harpia. Foi realmente mágico”, relatou ao G1 Mato Grosso do Sul. “Foi uma cena única. Ver a harpia ali, naquele cenário, foi algo que eu nunca vou esquecer”, concluiu o pesquisador. Predadora A harpia é classificada como quase ameaçada de extinção tanto na lista nacional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) quanto pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A espécie depende de grandes áreas contínuas de floresta para sobreviver, já que caça principalmente mamíferos arborícolas, como preguiças e primatas. Com envergadura que pode ultrapassar dois metros e garras comparáveis ao tamanho das de um urso, a ave ocupa o topo da cadeia alimentar. Sua presença altera imediatamente o comportamento da fauna ao redor. “Ela é enorme e imponente. As aves da floresta literalmente se calam quando percebem a presença dela”, descreveu Morgado. Sendo mais associada à Amazônia, registros da espécie no Pantanal são considerados incomuns. O avistamento ocorreu em uma região que combina remanescentes florestais com atividades econômicas, incluindo mineração. Saiba mais Ecossistemas A presença da harpia costuma ser interpretada por pesquisadores como um indicador ecológico de integridade ambiental, já que a espécie necessita de florestas maduras e disponibilidade de presas para se manter. “Se não me engano, foi um dos primeiros registros de harpia aqui na região do Pantanal. É muito difícil encontrar essa espécie por aqui. Ela é mais comum na Amazônia”, afirmou o ornitólogo ao G1. Além do valor científico, o encontro também reforça o papel do monitoramento de fauna na identificação de áreas prioritárias para conservação em biomas sob crescente pressão climática e territorial. Mais Lidas
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