Imazon: Pará concentra maioria das áreas protegidas sob maior pressão de desmatamento na Amazônia em 2025
Um só Planeta [Unofficial]
February 24, 2026
O desmatamento na Amazônia tem avançado sobre territórios destinados justamente à proteção da floresta. Em 2025, a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, foi a área protegida com maior pressão de desmatamento em toda a Amazônia Legal. Na sequência do ranking, porém, o Pará concentra sete das dez áreas mais pressionadas, segundo o relatório Ameaça e Pressão em Áreas Protegidas, divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O levantamento diferencia dois tipos de impacto: o desmate registrado dentro das áreas protegidas, classificado como pressão, e a derrubada observada no entorno desses territórios, definida como ameaça — indicador que sinaliza risco de avanço futuro da degradação. Veja o estudo completo aqui. Pressão avança Entre as áreas com maior incidência direta de desmatamento em 2025, a liderança é da Resex Chico Mendes (AC), seguida pela Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu (PA) e pela Terra Indígena Andirá-Marau (AM/PA). Também figuram entre os territórios mais pressionados a Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri (PA), a APA do Lago de Tucuruí (PA) e a APA Arquipélago do Marajó (PA), evidenciando a forte concentração do problema em território paraense. Segundo o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr., a repetição dessas áreas ao longo dos anos demonstra a necessidade de respostas institucionais mais integradas. “Essa recorrência evidencia a urgência de integrar esforços institucionais e garantir que as comunidades estejam no centro das estratégias de proteção. A gestão compartilhada e a atuação coordenada são fundamentais para conter o avanço da perda”. Desmatamento O relatório mostra que o desmatamento segue um padrão recorrente na Amazônia: primeiro se intensifica no entorno das áreas protegidas e, posteriormente, passa a ocorrer dentro de seus limites. Entre as áreas com maior nível de ameaça em 2025 — isto é, maior destruição nas zonas vizinhas — destacam-se novamente a Resex Chico Mendes (AC), o Parque Nacional Mapinguari (AM/RO) e a APA do Lago de Tucuruí (PA). A presença simultânea da Resex Chico Mendes no topo dos rankings de pressão e ameaça indica um cenário persistente de degradação territorial. “No caso da Resex Chico Mendes, a recorrência no topo das classificações acende um sinal de alerta, demonstrando que as ações adotadas até o momento não têm sido suficientes”, afirma a pesquisadora do Imazon Bianca Santos. Terras indígenas O estudo também aponta aumento consistente da pressão sobre terras indígenas, reconhecidas como algumas das áreas mais eficazes para a conservação da floresta amazônica. A Terra Indígena Trincheira/Bacajá (PA) aparece pelo segundo ano consecutivo como a área mais ameaçada pelo desmatamento, seguida pela TI Arara (PA) e pela TI Kulina do Médio Juruá (AC/AM). Quando considerada a pressão direta dentro dos territórios, os casos mais críticos são a TI Andirá-Marau, a TI Cachoeira Seca do Iriri e a TI Vale do Javari (AM). O relatório aponta ainda forte repetição anual: nove das dez terras indígenas mais pressionadas em 2025 já figuravam entre as mais impactadas no período anterior. Barreira O relatório indica que a derrubada da floresta avança justamente sobre áreas que deveriam funcionar como barreiras ecológicas e climáticas, comprometendo a biodiversidade, os modos de vida tradicionais e a capacidade da Amazônia de regular o clima regional e global. “O cenário reforça a necessidade de medidas imediatas, direcionadas e contínuas, priorizando estratégias para evitar que o risco se converta em novas reduções de cobertura florestal”, afirma Bianca Santos. Mais Lidas
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