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"publishedAt": "2026-02-22T17:35:14.000Z",
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"textContent": "\nIndígenas do Tapajós e do Mato Grosso ocuparam, na madrugada de sábado (21), o escritório da multinacional Cargill em Santarém, no oeste do Pará, em uma ação que amplia o conflito socioambiental associado à expansão da infraestrutura logística voltada ao escoamento de grãos pela Amazônia. A mobilização ocorre em uma área apontada pelos manifestantes como território ancestral e que reúne vestígios arqueológicos de ocupação indígena milenar. De acordo com o movimento, a ocupação representa uma retomada simbólica do chamado Sítio do Porto, localizado na zona portuária da cidade. Lideranças afirmam que a instalação e a ampliação de estruturas logísticas no local ocorreram sem consulta prévia às comunidades tradicionais e vêm intensificando pressões ambientais sobre o rio Tapajós, utilizado para pesca, transporte e subsistência de populações ribeirinhas e indígenas. A mobilização cobra a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que, de acordo com os manifestantes, foi publicado sem a realização da Consulta Livre, Prévia e Informada prevista na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Os manifestantes dizem que a medida pode abrir caminho para concessões e intervenções em trechos estratégicos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, ampliando a transformação de cursos d’água amazônicos em corredores permanentes de transporte de cargas. Por sua vez, o Governo Federal, em nota divulgada no início do mês de fevereiro, reiterou o compromisso com a realização de \"consulta livre, prévia e informada, nos termos da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT)\". Além disso, suspendeu o Pregão Eletrônico nº 90515/2025, \"cujo objeto é a contratação de empresa especializada para a execução do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA) na Hidrovia do Rio Tapajós, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)\". Leia a nota aqui. Infraestrutura logística e pressão ambiental A ocupação ocorre em meio ao avanço de projetos do chamado Arco Norte, corredor logístico que integra portos, hidrovias e rodovias utilizados para exportação de soja e milho produzidos no Centro-Oeste. Organizações indígenas e socioambientais afirmam que esse modelo provoca alterações na dinâmica dos rios, aumento do tráfego de embarcações e impactos cumulativos sobre a biodiversidade aquática e os modos de vida tradicionais. A liderança indígena Alessandra Korap Munduruku afirmou que a mobilização busca chamar atenção para os efeitos desses empreendimentos sobre o Tapajós. “Mais de um mês que estamos aqui pegando sol e chuva, pedindo por direitos que o governo nos nega”, declarou. Indígenas ocupam escritório da Cargill, em Santarém (PA), em protesto contra projetos logísticos que impactam o rio Tapajós. Coletivo Apoena Audiovisual Área ocupada reúne vestígios arqueológicos Estudo citado pelo movimento, elaborado pela organização Terra de Direitos, aponta que a implantação do terminal portuário em Santarém teria impactado áreas próximas à Praia de Vera Paz e parte do Sítio do Porto, onde foram identificados vestígios arqueológicos associados a ocupações indígenas pré-colombianas estimadas em cerca de 10 mil anos. Entre os registros estão materiais ligados a práticas rituais e indícios de manufatura de artefatos tradicionais. O levantamento menciona ainda relatos do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns (CITA) segundo os quais o porto teria sido construído sobre área considerada sagrada para povos da região, elemento que reforça o caráter histórico do conflito. O documento também reúne questionamentos sobre o processo de licenciamento ambiental do terminal, incluindo alegações de início das operações antes da conclusão de estudos de impacto ambiental e ausência de consulta a comunidades potencialmente afetadas. Mobilização Em carta pública divulgada no mesmo dia, os manifestantes afirmaram permanecer abertos ao diálogo com o governo federal, mas defendem que o conflito seja tratado como questão socioambiental e não de segurança pública. O movimento declarou que pretende manter a mobilização até que haja compromisso com a revisão do decreto e a realização de consultas consideradas adequadas pelas comunidades tradicionais. A ocupação ocorre em um contexto mais amplo de disputas sobre o uso dos rios amazônicos como eixos logísticos nacionais, debate que envolve riscos ambientais, preservação do patrimônio cultural e os impactos cumulativos sobre ecossistemas fluviais estratégicos para a biodiversidade da Amazônia. Mais Lidas",
"title": "Ocupação indígena em área com vestígios arqueológicos no porto da Cargill: mais um episódio do conflito ambiental no rio Tapajós"
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