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Cães podem se comunicar com a gente por dispositivos eletrônicos? Saiba o que a ciência diz sobre isso

Um só Planeta [Unofficial] February 13, 2026
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Você já deve ter se deparado nas redes sociais com o vídeo de cães e gatos usando botões eletrônicos para se comunicarem com seus donos. Mas será que esses animais sabem realmente o que estão dizendo? Como muita gente, Federico Rossano, professor de Ciência Cognitiva e especialista em aquisição de linguagem da Universidade da Califórnia (UC) San Diego, dos Estados Unidos, tinha essa dúvida, e foi pesquisar para buscar respostas. Segundo ele, seu Projeto de Comunicação Canina é, hoje, o maior estudo de ciência cidadã já realizado sobre comunicação animal, com 10.000 cães e 700 gatos de 47 países em todos os continentes, exceto na Antártida. Saiba mais Os primeiros resultados sugerem que pelo menos alguns cachorros compreendem o significado por trás dos botões que pressionam. Mas, para obter resultados convincentes, o professor teve que contornar um obstáculo comum em estudos de comunicação animal: o "Efeito Clever Hans". Ele se refere ao cavalo alemão Clever Hans, que no passado fascinou o público ao realizar cálculos matemáticos simples e responder a perguntas de seu dono, o professor Wilhelm von Osten. O animal despertou tanto interesse na época que o Conselho Alemão de Educação convocou uma comissão para estudá-lo. Um assistente de laboratório chamado Oskar Pfungst testou a capacidade intelectual do cavalo. E os resultados mostraram que ele, na verdade, não estava fazendo contas, mas sim observando atentamente seu dono para produzir as respostas desejadas. O trabalho de Pfungst mostrou a importância dos sinais involuntários e inconscientes, e forneceu um modelo para futuros estudos com animais e humanos, incluindo o de Rossano. E este recente estudo, diferentemente dos realizados no passado, permite que seus muitos sujeitos estejam em seu ambiente natural, ou seja, em suas próprias casas. Usando câmeras de vídeo e dispositivos de gravação para rastrear milhares de pressionamentos de botões de milhares de cães, o professor e sua equipe conseguiram coletar dados quantificáveis ​​enquanto observavam à distância. Mesmo as visitas domiciliares a alguns cães selecionados foram planejadas de forma que eles não pudessem perceber os sinais. O objetivo era isolar as interações dos animais com os botões para entender melhor se eles poderiam usar seu domínio da linguagem exclusivamente para obter o que desejam. As primeiras publicações sobre o projeto revelaram que, de fato, alguns os cachorros parecem ser capazes de compreender palavras como linguagem de maneiras muito mais sofisticadas do que se pensava. A equipe de pesquisa disse em comunicado que combinações como "lá fora" + "xixi" ou "comida" + "água" foram usadas de forma significativa, ocorrendo com mais frequência do que o esperado pelo acaso , com um subconjunto muito menor de animais expressando necessidades mais elaboradas. O estudo cita pelo menos 65 cães que usam 100 ou mais botões de uma maneira descrita como comunicação regular. Um vídeo de uma dessas interações mostra um cachorro apertando o botão "lá fora". Quando o dono pergunta por quê, ele aperta o botão "piscina". O dono responde: “Piscina, depois". E o animal revida: "Agora". "Depois", repete o dono. "Agora", repete o cão. "É sobre essa troca de informações que publicamos", destacou Rossano, descrevendo como alguns cães negociam de uma forma que fornece evidências de comunicação. "Você não faz isso com uma máquina de venda automática, certo? Se você aperta '27' e não ganha Doritos, você não fica apertando outros botões aleatoriamente esperando receber Doritos. Se você fica nesse vai e vem, como o cachorro fez, é porque você está tratando o outro agente como alguém com quem pode negociar, que pode concordar com você se você conseguir convencê-lo. O cachorro não está te tratando como uma máquina quebrada. Saiba mais Os pesquisadores acrescentaram que o número médio de botões usados ​​pelos animais no estudo foi 9. Muitos dos estudados usaram apenas 3 ou 4, e alguns simplesmente desistiram. Mas, uma vez que eles dominam palavras familiares como "comida" ou "brinquedo" seu mundo verbal começa a se assemelhar ao de uma criança pequena, que consegue produzir frases de duas palavras depois de aprender cerca de 50 palavras. O estudo também indicou que, assim como as crianças pequenas, os cães não usam suas palavras simplesmente para imitar os donos ou agradá-los. "Agora" é uma palavra favorita, e eles também comunicam "amor" aos seus donos com muito menos frequência do que os donos a eles. Um cão no estudo, que havia recebido recentemente a visita da equipe de Rossano, perguntou ao dono onde estava o "estranho que dava petiscos". Outro, apertava os botões "apito" e "carro" para aparentemente sinalizar a passagem de uma ambulância. Mais de 150 dos 10.000 cães participantes tornaram-se capazes de realizar sequências de pressionamento de múltiplos botões. No final de 2024, esse número aumentou para 526. Alguns desses pressionamentos são aleatórios, mas os dados sugerem fortemente que muitos não são. “É por isso que estamos realizando o estudo. Para fornecer ao público uma avaliação científica imparcial do que está acontecendo com esses cães”, enfatizou Rossano. E ele completou: "Um cachorro é um cachorro, não uma criança. Mas isso não significa que ele não possa ter habilidades cognitivas semelhantes às de uma criança pequena. E se for esse o caso, devemos saber, porque talvez isso nos leve a agir de forma diferente e a cuidar do seu bem-estar de maneira diferente." 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