Vida a 1,27ºC: pela 1ª vez, tubarão é filmado nas águas congelantes Oceano Austral, na Antártica
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February 11, 2026
Um tubarão da família Somniosidae, conhecido como tubarão-dorminhoco, foi filmado pela primeira no Oceano Austral, região ao redor da Antártida. A imagem foi feita por uma expedição científica australiana e divulgada pela emissora ABC News Australia. O animal foi captado por uma câmera submersa a 490 metros de profundidade, em águas próximas de 1,27°C, nas imediações das Ilhas Shetland do Sul, na Península Antártica. A oceanógrafa Jessica Kolbusz, do Minderoo/UWA Deep-Sea Research Centre, afirmou que se trata do primeiro registro “in situ” — no ambiente natural — de um tubarão ou qualquer elasmobrânquio (grupo que inclui tubarões e raias) na Antártida. “Foi surpreendente, já que este é o primeiro registro obtido de um somniosídeo ou qualquer elasmobrânquio no Oceano Austral em ambiente natural”, declarou Kolbusz à ABC. A informação também foi detalhada em publicação da University of Western Australia (UWA), que destacou que tubarões-dorminhocos raramente são observados no hemisfério sul. Embora possam aparecer como captura acidental em pescarias, registros em águas antárticas são incomuns. Das mais de 500 espécies de tubarões conhecidas globalmente, apenas cinco já haviam sido identificadas no Oceano Austral. Identidade incerta De acordo com a ABC, ainda não foi possível determinar a espécie exata do animal filmado, por conta da semelhança física entre os tubarões-dorminhocos do hemisfério sul. Duas espécies são tradicionalmente reconhecidas na região: o tubarão-dorminhoco-do-sul (Somniosus antarcticus) e o tubarão-dorminhoco-do-Pacífico (Somniosus pacificus). A própria UWA ressalta que um estudo genético em 2023 sugeriu que essas duas espécies podem, na verdade, ser a mesma. Novas análises de DNA ambiental coletado na água durante a expedição ainda serão realizadas. Uma curiosidade: estômagos do tubarão-dorminhoco-do-sul frequentemente contêm restos de lulas-colossais (Mesonychoteuthis hamiltoni) — o invertebrado mais pesado do mundo. Tamanho de uma lula colossal comparado a um humano. CC BY 3.0 Profundezas Em outra expedição relatada pela UWA, pesquisadores registraram um tubarão-dorminhoco-do-Pacífico a 1.400 metros de profundidade na Fossa de Tonga, no sudoeste do Oceano Pacífico, em águas de 2,5°C. O objetivo era compreender como a biodiversidade varia entre 1.000 e 10.000 metros de profundidade e quais fatores — como pressão ou tipo de habitat — influenciam essa distribuição. Esses tubarões são predadores de movimento lento, podendo alcançar até sete metros de comprimento. Parente próximo, o tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus), encontrado no hemisfério norte, pode viver cerca de 400 anos. Tubarão da Groelândia (Somniosus microcephalus) é o tubarão com a mais longa vida útil conhecida de todas as espécies de vertebrados Getty Images Saiba mais Sobrevivência A reportagem da ABC explica que as águas ao redor da Antártida podem atingir até -2°C devido à alta salinidade, tornando o ambiente extremo para a maioria das espécies marinhas. No caso do tubarão-da-Groenlândia, compostos como trimetilamina N-óxido e ureia atuam como um “anticongelante biológico”. Ainda não se sabe se os tubarões-dorminhocos do hemisfério sul possuem mecanismo semelhante. O exemplar filmado foi registrado em águas com temperatura de aproximadamente 1°C, demonstrando tolerância significativa ao frio extremo. Incertezas Segundo declarou Jessica Kolbusz à ABC, ainda é cedo para afirmar se o aquecimento global poderá expandir a distribuição desses tubarões para áreas mais próximas da Antártida. “Com a taxa atual de aquecimento e a provável ampla tolerância térmica da espécie, é mais provável que sua distribuição permaneça consistente. No entanto, não conhecemos exatamente sua distribuição atual”, afirmou. Mais Lidas
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