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  "textContent": "\nA fabricante de cosméticos Natura iniciou o uso de biometano como fonte de energia em sua maior unidade industrial na América Latina, localizada em Cajamar (SP), em uma iniciativa que combina a aplicação do combustível renovável tanto nos processos produtivos quanto na logística. O projeto, desenvolvido em parceria com a fornecedora de combustíveis Ultragaz, responde por 45% da energia utilizada na fábrica e abastece integralmente a frota que opera na rota entre o complexo industrial e os centros de distribuição da Grande São Paulo. O biometano é utilizado na geração de vapor das caldeiras da planta industrial e no abastecimento de 28 caminhões. A projeção é que, em 2026, o consumo alcance cerca de 3,5 milhões de metros cúbicos por ano — volume equivalente ao consumo anual de aproximadamente 30 mil residências. Segundo os dados divulgados, a iniciativa pode evitar a emissão de até 1,3 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, o que corresponde à retirada de cerca de 280 carros de passeio das ruas diariamente. O combustível renovável é produzido a partir do biogás captado em aterros sanitários, que passa por processos de purificação até se transformar em biometano. No caso da operação da Natura, parte dos resíduos destinados ao aterro de Caieiras, na região metropolitana de São Paulo, e retorna à empresa na forma de energia, configurando um modelo de economia circular em que resíduos passam a ser reaproveitados como insumo energético na própria operação industrial e logística. Além da substituição de fontes fósseis, o projeto inclui uma estação interna de abastecimento instalada no complexo de Cajamar. A tecnologia permite atender simultaneamente a demanda da fábrica e da frota, com tempo médio de abastecimento dos caminhões de cerca de dez minutos, inferior ao registrado em postos localizados em rodovias. Na logística, a operação envolve as transportadoras Coopercarga e ReiterLog. A adoção do biometano integra o Plano de Transição Climática da Natura, que estabelece a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2030. O plano prevê a redução das emissões diretas e indiretas da empresa (escopos 1 e 3), incluindo o objetivo de diminuir em 42% as emissões da cadeia de valor até o fim da década, com ações que abrangem eficiência energética, uso de combustíveis renováveis, ingredientes de origem regenerativa e embalagens circulares. “Esse é um passo concreto do nosso plano de transição climática. Ele mostra como é possível reduzir emissões de forma relevante em operações industriais e logísticas complexas, usando uma solução que já está disponível, funciona em escala e gera valor para o negócio”, afirmou Josie Romero, vice-presidente de Operações, Logística e Suprimentos da Natura, na divulgação da parceria. De acordo com a companhia, a escolha de Cajamar como projeto-piloto considerou a escala da operação, a infraestrutura existente e a proximidade com polos de fornecimento de biometano. A implantação envolveu também órgãos públicos e instituições técnicas, como a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), o Corpo de Bombeiros e a Prefeitura de Cajamar. Para Guilherme Darezzo, vice-presidente de operações da Ultragaz, o biometano é uma solução madura, confiável e capaz de operar em escala industrial e logística. \"Na Ultragaz, mostramos que, ao integrar fábrica e frota em uma mesma solução energética, é possível descarbonizar processos complexos, aumentar a eficiência operacional e, ao mesmo tempo, fortalecer a competitividade do negócio.\" A iniciativa ocorre em um contexto mais amplo de discussão sobre o papel da indústria e da logística na redução das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, especialmente em setores intensivos em energia e transporte. O uso do biometano em escala industrial e logística é apontado como uma alternativa para substituir combustíveis fósseis e reduzir emissões associadas a operações produtivas e à circulação de mercadorias. Mercado em ascensão O avanço do biometano no Brasil ocorre em um contexto de expansão acelerada do setor. Empresas que atuam na gestão de resíduos sólidos urbanos e operam aterros sanitários no país devem investir cerca de R$ 8,5 bilhões nos próximos cinco anos em novos projetos de produção do combustível, segundo a Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). No final do ano passado, o Brasil contava com nove usinas em operação e outros 15 projetos em processo de autorização pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), distribuídos por diferentes regiões. Esse movimento foi impulsionado pela aprovação, em 2024, da chamada Lei do Combustível do Futuro (Lei 14.993/2024), que criou incentivos para a substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis. A legislação determina a substituição anual de 1% do consumo de gás natural de origem fóssil por gás renovável ao longo de dez anos, criando um mercado regulado para o biometano. Produzido a partir da purificação do biogás — captado da decomposição da matéria orgânica dos resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários —, o biometano pode substituir integralmente o gás natural fóssil ou ser misturado a ele em aplicações industriais, logísticas e residenciais, além de servir como insumo para cogeração de energia elétrica. A captura do metano tem papel relevante na estratégia climática do país, já que o Brasil está entre os maiores emissores globais desse gás, cujo potencial de aquecimento é cerca de 80 vezes maior que o do dióxido de carbono. Em 2024, a produção nacional de biometano alcançou 81,5 milhões de metros cúbicos, crescimento de 8,9% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2025. A capacidade instalada atual, estimada em cerca de 600 mil metros cúbicos por dia, equivale ao abastecimento de aproximadamente 250 mil veículos a cada 15 dias ou a 1,2 milhão de botijões de gás por mês. Apesar do avanço, apenas 3,2% dos resíduos sólidos urbanos gerados no país em 2024 — cerca de 2,6 milhões de toneladas — foram destinados à produção de biometano. De acordo com o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil 2025, no total, 11,7% dos resíduos sólidos urbanos produzidos em 2024 foram reaproveitados para fins energéticos, incluindo geração de eletricidade, produção de biometano, combustíveis derivados de resíduos e reciclagem orgânica. O relatório aponta que um melhor aproveitamento da infraestrutura já existente permitiria ao país suprir cerca de 5% da demanda nacional atual por gás natural, estimada em 58,4 milhões de metros cúbicos por dia pelo Ministério de Minas e Energia. Entre os projetos em operação, a usina de Caieiras, inaugurada em novembro de 2024, tem capacidade instalada de cerca de 70 mil metros cúbicos diários de biometano e recebe aproximadamente 10,5 mil toneladas de resíduos por dia, principalmente da Grande São Paulo. A unidade resulta de parceria entre a MDC Energia e a Solví Ambiental e está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos e ao marco regulatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que estabeleceu normas de referência para cobrança, prestação e avaliação dos serviços de manejo de resíduos sólidos urbanos. Mais Lidas",
  "title": "Natura passa a usar biometano em fábrica e frota e amplia estratégia de transição energética"
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