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"textContent": "\nO governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, convidou o Brasil a integrar uma nova coalizão internacional voltada ao fornecimento, à mineração e ao refino de minerais críticos, ampliando a disputa geopolítica com a China por insumos considerados estratégicos para a economia de baixo carbono, a indústria de tecnologia e o setor de defesa. As informações foram publicadas pelo jornal O GLOBO. Segundo a reportagem, a proposta foi apresentada por Washington nesta quarta-feira (04), durante uma reunião nos Estados Unidos sobre minerais críticos, conduzida pelo vice-presidente americano, J.D. Vance. O que o governo Trump propõe são parcerias para garantir o acesso a minerais como lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo, com o objetivo de reduzir a volatilidade do mercado e dar previsibilidade aos investimentos. Procurado por O GLOBO, o Itamaraty afirmou que não recebeu nenhuma comunicação oficial na Embaixada do Brasil em Washington até o momento, embora o convite tenha sido confirmado pelo Departamento de Estado americano à CNN e por integrantes do governo brasileiro. De acordo com interlocutores ouvidos pelo jornal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda reúne elementos técnicos e políticos para avaliar o alcance do convite e suas implicações estratégicas, sem uma posição definida sobre eventual adesão à coalizão. Em Brasília, o governo brasileiro adota uma postura cautelosa diante da iniciativa e reforça que não pretende se limitar ao papel de exportador de matérias-primas, defendendo acordos que incluam o desenvolvimento da cadeia de valor no país. Já o governo dos Estados Unidos, trabalha para formar uma ampla coalizão internacional com o objetivo de diversificar as cadeias globais de suprimento de minerais críticos, hoje concentradas em poucos fornecedores, por razões econômicas, industriais e geopolíticas. Embora não tenha citado o Brasil diretamente, o interesse americano é acompanhado de perto pelo governo e pelo setor de mineração brasileiros, diante das reservas nacionais de minerais estratégicos como cobre, lítio, silício e terras-raras. A iniciativa está associada ao chamado Project Vault (“projeto cofre”, em tradução livre), anunciado por Trump, que prevê a criação de um fundo de US$ 12 bilhões para a formação de uma reserva estratégica de terras-raras e outros minerais essenciais à indústria americana. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para reduzir a dependência da China, que hoje domina não apenas a mineração, mas principalmente o refino global desses minerais. As terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados na produção de tecnologias consideradas essenciais para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e o setor de defesa. Apesar do nome, não são necessariamente escassas na natureza, mas sua extração e, principalmente, o processo de separação e refino são complexos, caros e concentrados em poucos países. Fazem parte do grupo de minerais críticos, matérias-primas consideradas essenciais para o funcionamento de setores estratégicos da economia moderna, como motores elétricos, turbinas eólicas, baterias, equipamentos eletrônicos, drones e armamentos, o que explica seu peso crescente nas disputas geopolíticas e nas estratégias de segurança econômica das principais potências. Eles incluem insumos como lítio, níquel, cobre, grafita e terras-raras. O caráter “crítico” desses minerais está ligado não apenas à sua importância econômica, mas também aos riscos associados ao fornecimento, já que a produção e, sobretudo, o refino estão fortemente concentrados em poucos países, o que os torna um elemento central de disputas geopolíticas e estratégias de segurança econômica. Sociedade americana em empresa brasileira O avanço da estratégia americana já se reflete em movimentos concretos no Brasil. Após o anúncio do pacote de US$ 12 bilhões pelo governo Trump, a Serra Verde — única mineradora em operação no país na produção de terras-raras — assinou em Washington um empréstimo de US$ 565 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) com a Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC), informou O GLOBO. O valor é 22% superior ao inicialmente aprovado, e o contrato dá à agência americana o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na empresa. Segundo a mineradora, em comunicado divulgado após a assinatura, a operação “confirma a posição de liderança estratégica única da Serra Verde na indústria global de terras-raras”, destacando sua condição de “pioneira comprovada na produção de terras-raras pesadas fora da Ásia”, conforme reproduzido por O GLOBO. Em entrevista à Bloomberg News, citada pelo jornal, o presidente da Serra Verde, Ricardo Grossi, afirmou que a eventual participação acionária da DFC seria minoritária, sem interferência na gestão da empresa. Grossi avaliou ainda que “faz todo sentido” para a companhia integrar o Project Vault, ao permitir a antecipação de receitas e a redução do tempo até a maturidade de plantas de separação fora da Ásia. A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e está em fase de expansão gradual. Segundo informações prestadas anteriormente ao O GLOBO, a mineradora projeta produzir entre 4,8 mil e 6,5 mil toneladas de óxidos de terras-raras (TREO) quando atingir sua capacidade máxima, o que pode ocorrer até o fim de 2027, com planos de dobrar a produção nos quatro anos seguintes. O Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário global. De acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), citados por O GLOBO, o país detém reservas potenciais de 21 milhões de toneladas de óxidos de terras-raras, ficando atrás apenas da China no ranking mundial. Os oito projetos mais avançados no território brasileiro, localizados em Minas Gerais, Goiás, Bahia e Amazonas, somam 38% das reservas estimadas e têm capacidade de produzir quase 8 milhões de toneladas de TREOs. Mais Lidas",
"title": "Com grandes reservas, Brasil entra no radar dos EUA na corrida por minerais críticos"
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