Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 começam em Milão-Cortina sob alerta climático; entenda
Um só Planeta [Unofficial]
February 6, 2026
A abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 acontece nesta sexta-feira (6) no Estádio San Siro, em Milão, na Itália. Até o dia 22 de fevereiro, cerca de 3.500 atletas de 93 países irão competir em Milão e Cortina d'Ampezzo em 16 modalidades. E eles, como já tem acontecido nas últimas edições do evento, enfrentarão mais uma vez temperaturas mais quentes. Cortina sediou pela primeira vez a competição em 1956 e, desde então, os termômetros em fevereiro no local subiram 3,6°C. A Climate Central destaca que essas tendências de aquecimento resultaram em menos geadas. A cidade do norte da Itália agora registra 41 dias com geada a menos por ano do que em 1956. Outros dados mostram que, em Cortina d'Ampezzo, o aquecimento global fez com que as temperaturas médias de fevereiro se aproximassem do ponto de degelo: -2,7ºC no período de 2016 a 2025, em comparação com -7,1ºC entre 1956 a 1965. Além disso, estudos revelam que a profundidade média da neve no mês em Cortina diminuiu em cerca de 15 centímetros entre 1971 e 2019. Essas condições combinadas podem afetar as disputas. Sem temperaturas baixas e neve suficiente no solo, os atletas correm o risco de enfrentar chuva, neve molhada ou pouca cobertura de neve, e isso pode resultar em acidentes e lesões, por exemplo. Initial plugin text Em Milão, onde as competições deste ano serão realizadas em recinto fechado, houve um aumento de 3,2°C nas temperaturas em fevereiro. E as cidades-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2026 não são as únicas a esquentar. Análise anterior da Climate Central apontou que todas as demais cidades que receberam a competição desde 1950 aqueceram desde então — em média, 2,7°C. Vista geral dos anéis olímpicos do lado de fora da Arena de Hóquei no Gelo Milano Santagiulia. Getty Images Um estudo de 2024 financiado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) demonstrou que, na década de 2080, mais da metade das cidades que podem sediar os Jogos Olímpicos de Inverno serão consideradas “incertas em termos climáticos”. Este trabalho examinou três cenários diferentes de emissões e constatou que, em um cenário intermediário - considerado o mais provável -, apenas 46 dos 93 locais analisados serão considerados "climaticamente confiáveis". Isso significa que haverá muito menos lugares no futuro onde os atletas poderão competir com segurança e em condições justas. Os competidores dos Jogos Paralímpicos de Inverno deverão sofrer ainda mais. Por serem realizados em março - a abertura será no dia 6 -, apenas 22 dos 93 locais terão condições climáticas confiáveis na década de 2050. Saiba mais Neve artificial e os impactos ambientais Reportagem da Bloomberg destaca que as regiões alpinas estão aquecendo mais rapidamente do que o resto do planeta, com invernos mais curtos que tendem a trazer menos neve e mais chuva, além de períodos de frio extremo e baixa visibilidade. Na esperança de manter as condições ideias para os atletas, as cidades-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno, com o apoio dos governos locais e nacionais, estão investindo milhões de dólares em sistemas de produção de neve artificial. Só que isso, além do custo financeiro, tem o custo ambiental. Dados do World Wide Fund for Nature (WWF) mostram que, para a produção básica de neve (cerca de 30 centímetros, frequentemente mais) em uma encosta de um hectare, são necessários pelo menos um milhão de litros de água, ou seja, mil metros cúbicos. "Já a produção subsequente de neve artificial exige, dependendo da situação, um consumo de água consideravelmente maior, o que corresponde aproximadamente ao consumo anual de uma cidade de 1,5 milhão de habitantes", continuou a organização ambiental. A eletricidade também é necessária para operar os sistemas, o que leva ao aumento do consumo de energia e, consequentemente, das emissões de gases de efeito estufa. Para abastecer todas as estâncias de esqui dos Alpes europeus com neve artificial, calcula-se que seriam necessários cerca de 600 GWh, o equivalente ao consumo anual de 130.000 famílias de quatro pessoas, informou a Reuters em 2023. Alberto Ghezze, chefe de competições esportivas da Fundação Milano Cortina 2026, disse à Bloomberg que, para garantir a realização dos jogos deste ano, foi modernizada a infraestrutura de produção de neve artificial em alguns locais com tecnologia que utiliza menos água e energia. Patrocínio das empresas de combustíveis fósseis As emissões de gases de efeito estufa são as principais responsáveis pelo aquecimento do planeta. E dentre os maiores emissores estão as empresas de combustíveis fósseis. A ironia é que muitas delas são patrocinadoras dos Jogos Olímpicos de Inverno, evento que justamente está em risco por conta do comportamento delas. Diante disso, o Greenpeace Itália está pedindo ao COI que abandone o patrocínio vindo de petróleo e gás nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno e se comprometa a acabar com esse tipo de patrocínio em todos os Jogos Olímpicos. “As mudanças climáticas impulsionadas pelos combustíveis fósseis estão colocando em risco os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno, e o COI não pode ignorar isso”, disse Federico Spadini, ativista climático do Greenpeace Itália, em comunicado. Para enfatizar essa questão, a organização socioambiental lançou um vídeo que destaca o patrocínio da gigante italiana de petróleo e gás Eni à competição deste ano. E ainda indicou que um ano de emissões da companhia poderia derreter gelo glacial suficiente para encher 2,5 milhões de piscinas olímpicas. Initial plugin text O vídeo, criado pelo Studio Birthplace, mostra patinadores de velocidade, esquiadores e praticantes de bobsled competindo, com logotipos da Eni em destaque. De repente, um pequeno vazamento de óleo se transforma em um tsunami, derrubando os atletas, que escorregam e caem enquanto uma onda de óleo os atinge. Além disso, para conscientizar a população sobre o apelo que fez ao COI e protestar contra os impactos ambientais da indústria de combustíveis fósseis, o Greenpeace Itália participará de uma marcha nacional organizada por organizações da sociedade civil em Milão, no sábado (7). Mais Lidas
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