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  "textContent": "Poucas tecnologias tiveram um impacto tão grande no mundo moderno quanto a energia nuclear. Nascida das descobertas que revelaram a quantidade de energia contida nos átomos, ela transformou a ciência, a geração de eletricidade e até a geopolítica mundial, sendo uma das inovações ao mesmo tempo mais influentes e debatidas do último século.\n\nDa descoberta da radioatividade aos reatores que abastecem cidades inteiras, a trajetória da **energia nuclear** é marcada por avanços, tragédias e controvérsias. A seguir, conheça como essa tecnologia surgiu, evoluiu e se tornou uma peça importante nas discussões sobre o futuro da energia.\n\n## O que é energia nuclear?\n\nA energia nuclear é a energia liberada a partir do núcleo dos átomos, em procedimentos realizados dentro de usinas nucleares. A obtenção dessa energia é feita principalmente por um processo conhecido como fissão nuclear.\n\nTanto a fusão quanto a fissão nuclear nascem pela modificação do núcleo do átomo, que permite uma grande produção energética através de calor e uma reação em cadeia controlada em laboratório.\n\nMais usada como processo na produção de energia por ser um processo mais consolado e consolidado, **a fissão acontece quando o núcleo atômico se divide em partículas menores**. Já a fusão nuclear ocorre quando dois ou mais núcleos se unem para produzir um novo elemento.\n\n## A descoberta do átomo\n\nA ideia por trás da energia nuclear é bastante antiga. Filósofos gregos da Antiguidade, como Demócrito de Abdera, citavam o átomo como o \"**elemento elementar** \" de toda a matéria.\n\nPorém, só em 1803 o pesquisador John Dalton retoma essas ideias com mais embasamento na teoria atômica, sobre como átomos de um mesmo elemento são iguais entre si. Outro avanço importante veio em 1834 as **leis de eletrólise, de Michael Faraday** , indicando que os átomos transportavam cargas elétricas.\n\nEm 1895, Wilhelm Roentgen descobre uma radiação que, ao mesmo tempo, atravessava e era parcialmente absorvida por um material. Esse fenômeno ativava algumas substâncias, deixava marcas em placas fotográficas e aumentava a condutividade do ar — **fenômeno batizado de raios-X** pelo aspecto misterioso.\n\nJá nesse período, pesquisadores notaram que os sais de outro material, o urânio, tinham comportamentos parecidos. Infelizmente, muitos desses pioneiros só descobriram que a radiação tinha efeitos danosos para saúde por terem entrado em contato direto com os elementos.\n\n## Como surgiu a energia nuclear moderna\n\nFoi em 1929 que o italiano Enrico Fermi apresentou os princípios da fissão nuclear, seguido por outros estudos que notaram como o efeito dos neutros podia ser modificado para ficar mais lento.\n\nIsso acontecia tendo uma substância moderadora para gerar reações nucleares eficientes, como hidrogênio, carbono ou deutério. Esse processo, a **termalização de nêutrons** , é uma das chaves de um reator nuclear e rendeu um prêmio Nobel para Fermi.\n\nFermi durante uma aula demonstrativa. (Imagem: Wikimedia Commons/Smithsonian Institution)\n\nJá em 1939, o trio Otto Hahn, Lise Meitner e Fritz Strassman faz outra descoberta importante: a **fissão do núcleo do urânio** , controlada para gerar uma quantidade enorme de energia.\n\n### O papel do Projeto Manhattan\n\nO governo dos Estados Unidos sabia da possibilidade de uso da energia nuclear em bombas de altíssima capacidade de destruição: **Albert Einstein escreveu uma carta sobre as descobertas da fissão** e alertando sobre a possibilidade dessas armas serem inventadas primeiro pela Alemanha nazista.\n\nA preocupação foi o embrião do projeto atômico militar dos EUA, que em 1940 injeta verba no chamado **Projeto Manhattan** , com o objetivo de construir uma bomba com a tecnologia. Os EUA entram oficialmente na Segunda Guerra Mundial após o ataque a Pearl Harbor e os resultados começam a sair.\n\n### A corrida durante a Segunda Guerra\n\nEm **2 de dezembro de 1942, entra em operação o primeiro reator nuclear** , com uma reação em cadeia autossustentável inédita para gerar energia. Ele foi construído na Universidade de Chicago, debaixo das arquibancadas de um campo e sob supervisão de Fermi.\n\nJá o primeiro teste da bomba atômica de plutônio acontece em 16 de julho de 1945, no deserto de Alamogordo, no estado do Novo México. Esse teste é retratado no filme Oppenheimer, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2024 e dirigido por Christopher Nolan.\n\nCillian Murphy como Oppenheimer. (Imagem: Divulgação/Universal)\n\nO avanço culmina nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, **lançamento das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki, no Japão.** Foi o primeiro uso militar da tecnologia nuclear e o resultado foi cerca de 240 mil mortes diretas, em uma das maiores tragédias do século XX.\n\nCom a guerra encerrada, **os EUA viram uma potência nuclear e, ao mesmo tempo, passam a estipular regras pra evitar o uso bélico** da tecnologia. Eles criam a Comissão da Energia Atômica para controlar o desenvolvimento de energia nuclear e explorar usos pacíficos, enquanto os soviéticos recusam a ideia — na época, ambos os lados da Guerra Fria iniciaram o desenvolvimento da Bomba H, de hidrogênio, que seria ainda mais poderosa.\n\n## A energia nuclear fora das guerras\n\nNa década de 1950, as pesquisas se direcionam para o uso civil da tecnologia, principalmente em geração de eletricidade e propulsão de veículos. Idaho, nos Estados Unidos, é lar do **primeiro reator nuclear em teste que produz eletricidade**.\n\nO primeiro submarino nuclear nasce nessa época: é o **USS Nautilus** , de 1954. Além disso, uma pequena cidade chamada Arco passa a ter um sistema de eletricidade totalmente dependente da energia nucelar.\n\n### O cenário brasileiro\n\nO programa nuclear brasileiro começa com a criação da **Comissão Nacional de Energia Nuclear** em 1956 para desenvolver técnicas, conhecimentos e pesquisa. O almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, então presidente do CNPq, representou o país em reuniões da ONU sobre o tema.\n\nA partir da década de 1960, o projeto da usina **Angra 1** começa junto com a inauguração de outros locais parecidos ao redor do mundo. Após um longo período de construção, **só em 1982 teve início a operação comercial do local**.\n\nAngra 2. (Imagem: Divulgação/Eletronuclear)\n\nEm 2001, **começa a operar comercialmente a Angra 2** , segunda usina brasileira dessa energia**.** Por outro lado, a Angra 3 segue há décadas só como um projeto e em fase de construção, com a obra já paralisada por vários motivos.\n\n## O desenvolvimento da energia nuclear\n\nEm 1970, mais de 45 países assinam o **Tratado de Não Proliferação Nuclear** , um acordo de comprometimento em não transferir armas nucleares entre si ou colaborar em sua fabricação, promovendo o desarmamento nuclear e o uso energético da tecnologia.\n\nEra um momento de busca por alternativas em combustíveis após a primeira grande crise do petróleo, que trouxe problemas pra um mundo bastante dependente dos combustíveis fósseis.\n\nEspanha e França fizeram a mudança de chave nessa época, passando a investir bastante em energia nuclear. Já na década de 1980, **a energia nuclear passa o gás natural e até as hidrelétricas em fornecimento nos EUA** , com mais de 100 usinas funcionando.\n\n### Acidentes e falhas\n\nAo longo dos anos, porém, a tecnologia sofre baques na reputação por incidentes graves que mostraram os riscos em lidar com esses materiais.\n\n  * O pior acidente na história das usinas nucleares dos EUA foi o de **Three Mile Island** , em 1979, após falhas no sistema e erros humanos que geraram radiação nas redondezas;\n  * Em 26 de abril de 1986, ocorre a explosão de um reator da usina de Chernobyl, território hoje da Ucrânia, que levou a muitas vítimas diretas ou indiretas da radiação. Foi nesse momento que a opinião global sobre energia nuclear começou a mudar;\n  * Já o Brasil passou em setembro de 1987 pelo caso do césio-137 em Goiânia — não um acidente em usina, mas causado pelo gerenciamento incorreto de materiais radioativos;\n  * Um dos últimos casos de larga escala foi o de 2011 em Fukushima, no Japão, com reatores falhando após um tsunami. Houve emissão de radiação e evacuação em massa da região.\n\n\n\n## A expansão em novos mercados\n\nA China foi aos poucos também se transformando em um polo da energia nuclear. Eles começam a apostar no setor na década de 1990 e inauguram na época a primeira usina nuclear local de grande escala, a Guangdong-1.\n\nAtualmente, a expansão da China continua firme: em 2019, ela já tinha 45 reatores funcionando e outras dezenas aprovados para as décadas seguintes. A tecnologia é vista atualmente também como uma possível solução para a alta demanda energética de data centers, em especial aqueles que processam serviços de inteligência artificial (IA).\n\n>        Ver essa foto no Instagram            \n>\n> Um post compartilhado por TecMundo (@tecmundo)\n\nSó que nem todas as notícias foram boas para o setor nos últimos anos. Em março de 2017, a companhia nuclear Westinghouse, que era um braço da Toshiba, **declara falência por custos elevados na construção de novas usinas** — um baque para uma das maiores representantes do setor.\n\n## Quais são os benefícios da energia nuclear?\n\nQuem é a favor dessa tecnologia defende a eficiência da energia nuclear: ele tem uma alta densidade, o que significa que **uma pequena quantidade de substâncias pode gerar uma enorme quantidade de energia**. A geração dos materiais do processo é também vista como uma vantagem pela constância: ela **independe de fatores como clima e tem grande durabilidade**.\n\nOutro ponto significativo é o de sustentabilidade. Apesar dos riscos de acidentes e do descarte irregular das substâncias fora de uso, a energia nuclear **não envolve poluição por combustíveis fósseis** por não emitir dióxido de carbono durante a geração de eletricidade. Além disso, as usinas **ocupam menos espaço do que grandes parques solares ou eólicos** , sem também promover mudanças significativas no ecossistema como a construção de barragens em hidrelétricas.\n\nQuais as vantagens e desvantagens da energia solar, que também é uma alternativa moderna para gerar eletricidade? Entenda melhor sobre o assunto!",
  "title": "História da energia nuclear: o poder do átomo e seus riscos"
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