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Por que as IAs são tão ruins em contar letras de palavras? TecMundo testou

TecMundo: Tudo sobre Tecnologia, Entretenimento, Ciência e Game… May 28, 2026
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Chatbots de inteligência artificial (IA) generativa estão cada vez mais consolidados na escrita, inclusive em áreas como geração de textos, revisão de materiais e pesquisas aprofundadas. Porém, essas ferramentas ainda possuem limitações que reforçam os riscos da dependência desse tipo de serviço.

Um desses casos já é antigo, mas foi recentemente retomado por ainda ser uma falha existente nas plataformas. É o fato de IAs generativas serem especialmente ruins e imprecisas ao contar letras dentro de palavras , independentemente do idioma.

As primeiras investigações sobre esse fenômeno são ainda de 2024, quando o ChatGPT demonstrou não conseguir contar a quantidade de "Rs" em “ strawberry ”, que é "morango" em inglês. Porém, por mais que não sejam alucinações perigosas ou questionamentos feitos com muita frequência, essas falhas se espalham para outras palavras e também várias concorrentes.

Google is revamping its entire search engine to this btw pic.twitter.com/PIR4llFhiV

— mersomas (@mersomas) May 27, 2026

Como o Google agora está mudando o jeito de se fazer buscas na internet e privilegiando cada vez mais as respostas geradas por IA, usuários estão preocupados com uma possível piora nos serviços de pesquisa. Para além do problema de contagem, a plataforma apresentou problemas até para buscar palavras específicas.

"A contagem dentro das palavras tem sido um desafio conhecido para os grandes modelos de linguagem e estamos trabalhando para resolver esse problema específico ", confirmou o Google em nota ao site TechCrunch.

A IA erra a contagem também em português?

Nos testes realizados pelo TecMundo , os resultados foram inconsistentes e mistos, exatamente como o descrito por quem tentou antes o mesmo experimento, como o site TechCrunch.

Perguntamos para alguns dos principais chatbots do mercado quantas letras "G" existem em "TecMundo" , esperando as respostas de que obviamente não há nenhuma. Porém, os candidatos ChatGPT, Claude, Perplexity e a Visão geral criada por IA do Google, baseada no Gemini , não se comportaram como deveriam.

A primeira tentativa com os chatbots. (Imagem: Nilton Kleina/TecMundo)

O ChatGPT foi o chatbot que mais chegou próximo da resposta correta, apesar de falar sobre um "G implícito se você considerar o som". O Perplexity entregou as duas respostas no mesmo material, uma delas correta.

A visão geral do Google apontou duas letras incorretas, enquanto o Claude chegou a até a contabilizar uma sílaba que não existe na palavra, quando questionado sobre o resultado em um segundo prompt. Em seguida, ele mesmo fez a recontagem e chegou até a resposta correta.

O segundo teste com IAs. (Imagem: Nilton Kleina/TecMundo)

Em um segundo teste e sendo mais específicos com o comando "Quantos Gs tem na palavra 'TecMundo'?", Perplexity e ChatGPT acertaram o resultado sem problemas e de forma direta. O Claude novamente fez o caminho de errar e se “autocorrigir”, enquanto a busca do Google seguiu identificando uma letra inexistente.

Por que a IA erra em uma tarefa tão simples?

A explicação sobre como um chatbot tão capaz em entregar conteúdos aparentemente completos sobre os mais variados temas erra algo tão básico está no funcionamento e na infraestrutura dessa tecnologia.

Os grandes modelos de linguagem (LLMs) contemporâneos são baseados na arquitetura Transformer ou de transformadores. Ao mesmo tempo em que ela virou especialista em replicar conteúdos e até a linguagem humana, na verdade ela não compreende exatamente o que está entregando.

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Normalmente,**** um LLMnão analisa frases, palavras e letras como "unidades" diferentes de uma estrutura. Ele trabalha com base em tokens, que são as unidades fundamentais de dados usados para processar e gerar informações — e não correspondem exatamente a uma palavra ou letra.

Os cálculos da rede neural trabalham com padrões de linguagem e recriam materiais que se parecem com aqueles dos conteúdos usados no treinamento da base de dados. Ou seja, embora a IA saiba até a explicação gramatical ou histórica sobre a palavra, caso você peça o conteúdo, ela pode ter dificuldades em entender naturalmente que uma palavra pode ser quebrada em várias letras e que você só quer saber algo que parece tão simples para a linguagem humana.

Como a IA impacta o conteúdo criativo e por que o ‘toque humano’ segue essencial? Descubra neste debate do SPIW!

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