UFC inaugura jardim agroflorestal no Campus do Pici, unindo ensino, pesquisa e extensão
A Universidade Federal do Ceará (UFC) conta agora com um jardim agroflorestal, em um arranjo que articula ensino, pesquisa e extensão com foco no meio ambiente. O projeto teve sua inauguração simbólica na tarde da última quarta-feira (3), com plantio de mudas e a assinatura do acordo de cooperação entre a UFC e a Fundação Cultural Educacional em Defesa do Meio Ambiente (Cepema).
Instalada no Campus do Pici Prof. Prisco Bezerra, em Fortaleza, a área é dividida em três módulos, contando com um jardim, uma horta e uma agrofloresta. No jardim, serão plantadas flores ornamentais e comestíveis e plantas medicinais. A horta receberá hortaliças, enquanto a agrofloresta integrará o cultivo de alimentos e o plantio de árvores.
“O grande diferencial desse espaço em relação aos demais existentes por aí é que, no geral, eles são espaços voltados para uma única cultura, como plantas medicinais ou hortaliças. Aqui não. Por isso tem esse nome: agrofloresta. É o agro misturado com floresta em pequenos espaços”, explica o coordenador de Educação Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente (SMA) da UFC, Lamartine Oliveira.
De acordo com ele, a ideia é que o jardim agroflorestal sirva de modelo para a sociedade. “Hoje, é possível eu ter uma pequena agrofloresta em uma varanda. Ou ter uma agrofloresta mais diversa no quintal, para atender tanto às minhas demandas pessoais quanto às dos meus vizinhos. Então, aqui, a ideia é criar diferentes modelos que possam servir de exemplo, e que possam ser replicados em toda a Fortaleza e região metropolitana”, informa.
Veja outras imagens da inauguração no Flickr da UFC
O reitor Custódio Almeida, que participou da inauguração, explica que o jardim agroflorestal funcionará como um laboratório ao ar livre. “As pessoas podem se sentir convidadas a vir aqui plantar e, oportunamente, colher. É um projeto agroflorestal em que a universidade se coloca como um laboratório vivo. Os cursos afins – no caso, os das Ciências Agrárias e os de Biologia, ligados à Ecologia – vão se integrar como projeto de extensão, sob a coordenação da Secretaria de Meio Ambiente e com as parcerias externas”, esclarece.
Ele reforça que o convite à participação é feito tanto à comunidade interna como externa à UFC. “Você tira uma horinha, vai ali, planta alguma muda, uma sementinha, fica um pouco debaixo da árvore, entendeu? É de fato algo para a gente envolver cada vez mais a comunidade e os estudantes, com a referência da Secretaria de Meio Ambiente”, complementa.
A secretária da SMA-UFC, Aliny Abreu, informa que a ideia do jardim agroflorestal surgiu das oficinas do Plano Diretor de Fortaleza, aprovado em dezembro passado. A SMA realizou oficinas participativas com especialistas da UFC e integrantes do Instituto de Pesquisa e Planejamento de Fortaleza (Ipplan), nas quais a universidade buscou dar uma contribuição em diversos temas, como o das áreas verdes.
“Este jardim agroflorestal permite que a universidade traga a experiência dos agricultores da rede parceira, que já fazem isso há muito tempo nos seus territórios. Permite integrar esses conhecimentos aos dos pesquisadores, para que a gente possa, então, ter parâmetros mais robustos, mais consistentes e que possam servir de vitrine”, avalia.
“Esperamos que os tomadores de decisão, o poder público, possam vir aqui, pegar um recorte dessa área e dizer: 'queremos replicar esse pedaço na praça tal, na área tal da cidade'. Acho que a gente pode, sim, contribuir com nossas cidades, principalmente Fortaleza, que é um grande centro urbano, e torná-las mais resilientes”, reforça.
Ela destaca que projetos como esse também ajudam a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. “A gente sabe que hoje uma floresta é um ecossistema, uma rede complexa, que precisa existir mais e mais nas nossas cidades para que possamos ter um bom microclima e enfrentar minimamente os eventos climáticos”.
PARCERIA - O trabalho no jardim agroflorestal da UFC será realizado em parceria com a Fundação Cultural Educacional em Defesa do Meio Ambiente (Cepema), que há 36 anos realiza extensão rural em agroecologia, com agricultores e agricultoras familiares.
“Nós iremos unir esses saberes aos conhecimentos da ciência e da tecnologia da universidade. Então, o objetivo bem concreto é trazer alunos, professores, agricultores urbanos e rurais, desenvolver pesquisa, ensino e extensão, e ampliar isso para territórios fora da universidade”, afirma o diretor-presidente da Fundação Cepema no Ceará, Adalberto Alencar.
Fonte:Secretaria de Meio Ambiente da UFC - e-mail:sma@ufc.br
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