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"publishedAt": "2026-05-25T15:58:01.000Z",
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"textContent": "Estudos já comprovaram que a exposição ao mercúrio tóxico (metilmercúrio) pode causar danos cerebrais, distúrbios renais, respiratórios e de visão. O elemento químico tem origem na poluição industrial, na mineração artesanal e em desastres ambientais, podendo se acumular em ambientes aquáticos e entrar na cadeia alimentar. Pesquisa desenvolvida através da parceria entre Universidade Federal do Ceará (UFC) e as Universidade de Bristol (Reino Unido) e da Califórnia (EUA) **mostrou que as formas mais tóxicas do mercúrio têm a possibilidade de afetar também o metabolismo do corpo**.\n\nPublicado neste mês na revista Chemical Research in Toxicology, o estudo descobriu que o mercúrio, em um organismo com deficiência de Apolipoproteína E (ApoE), proteína fundamental para o transporte e metabolismo de lipídios no corpo, **elevou os níveis de colesterol, triglicerídeos e enzimas associadas ao acúmulo de gordura no fígado**. Também provocou alterações na estrutura do tecido adiposo e aumentou o risco de alterações cardiovasculares. O estudo foi decorrente da tese de doutorado de Synara Lopes, orientada pelo professor Reinaldo Oriá, do Departamento de Morfologia da Faculdade de Medicina (Famed/UFC).\n\nOs trabalhos envolveram o Laboratório da Biologia da Cicatrização, Ontogenia e Nutrição de Tecidos (Labiconte/UFC), coordenado pelo professor Oriá, além de uma equipe multidisciplinar com pesquisadores de Bioquímica, Biologia Molecular, Farmacologia, Morfologia e análises computacionais. Entre as instituições brasileiras que também atuaram na pesquisa, estão a Universidade de Fortaleza (Unifor), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de Campinas (Unicamp). Essas parcerias fazem parte de um projeto de internacionalização, aprovado no ano passado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).\n\nA partir de uma integração entre simulações computacionais, desenvolvidas pelo professor Norberto de Kássio Vieira Monteiro, da Pós-Graduação em Química da UFC, e experimentos em roedores, **a investigação ampliou a compreensão sobre o modo como a ApoE está envolvida na suscetibilidade à toxicidade do mercúrio.** Isso quer dizer, conforme o estudo, que a ausência ou o comprometimento estrutural da proteína deixa o organismo mais suscetível aos distúrbios induzidos pelo metilmercúrio. Apesar das interações já confirmadas, o artigo propõe novas pesquisas, a fim de elaborar intervenções nutricionais capazes de reduzir os efeitos danosos em populações vulneráveis e mais expostas.\n\n“A intoxicação mercurial é endêmica em regiões da Amazônia e outras áreas do Brasil. Os achados do nosso trabalho indicam um potencial efeito do metilmercúrio agravando distúrbios metabólicos, assim chamando a atenção desse problema de saúde pública que pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares em indivíduos de maior risco\", indicou o professor. A intenção, conforme Reinaldo Oriá, para aprofundar a compreensão desses efeitos, é seguir com a colaboração em rede com o objetivo de desenvolver outros tipos de análise em modelos animais de intoxicação mercurial e seus efeitos neuroendócrinos.\n\n**PERCURSO DA PESQUISA** - Para se chegar às conclusões,**primeiro foram investigados os efeitos da intoxicação pelo elemento químico em camundongos.** Conforme Reinaldo Oriá, foram utilizados tanto animais ApoE nocautes (sem Apolipoproteína E e, portanto, com dislipidemia, distúrbio que afeta os níveis de gordura no corpo) como animais selvagens (com Apolipoproteína E). Uma parte dos camundongos foi exposta, durante 20 dias, à água potável contaminada com metilmercúrio. Como esperado, aqueles que tiveram contato com o elemento químico apresentaram concentrações significativamente mais elevadas no pelo, no tecido adiposo e no fígado do que os grupos não expostos.\n\nOs roedores ApoE nocautes expostos apresentaram índices ainda mais relevantes. **A partir desses achados, o estudo chegou à conclusão que a exposição prolongada ao metilmercúrio pode ser ainda mais prejudicial para indivíduos com dislipidemia** , podendo também pode provocar um agravamento do risco cardiovascular e o acúmulo acelerado de placas de gordura nas paredes das artérias. De acordo com o pesquisador, como nos camundongos não há diferenças entre as formas de ApoE, como ocorre em humanos, também foi necessária uma etapa de simulações em computadores.\n\nA parte do estudo que contou com análises computacionais teve o objetivo de investigar as interações moleculares entre o metilmercúrio e as diferentes formas de ApoE humana (ApoE2, ApoE 3 e ApoE4). Os resultados sugeriram que duas formas - a ApoE2 e a ApoE3 - podem se ligar mais fortemente ao metilmercúrio, enquanto outra forma, a ApoE4, não apresentou ligação estável. Ou seja, desse modo, o tipo ApoE4 estaria mais suscetível aos distúrbios provocados pelo mercúrio provavelmente por não metabolizar bem o elemento químico.\n\n“Isso é uma hipótese. O nosso grupo planeja uma pesquisa futura para investigar essa possibilidade. Sabe-se que a ApoE4 aumenta o risco dos efeitos neurotóxicos do metilmercúrio, com base em investigação epidemiológica. Já se sabe que humanos portadores do gene APOE4 (portanto que possuem a isoforma ApoE4 da proteína) apresentam mais susceptibilidade da neurotoxicidade induzida pelo mercúrio. Assim, é plausível especular que, tendo ApoE4, diminua a capacidade de eliminar o mercúrio do corpo e piore os sintomas neurológicos da intoxicação. Precisamos investigar com mais profundidade se é esse, de fato, o mecanismo”, explicou.\n\nFonte: _Prof. Reinaldo Oriá, do Departamento de Morfologia da Faculdade de Medicina (Famed/UFC) - e-mail:oria@ufc.br_",
"title": "Pesquisadores da UFC integram colaboração internacional que investiga efeitos da contaminação por mercúrio tóxico"
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